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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

POLÉMICAS EM DIA DE LIBERDADE

12 de Janeiro de 2015
Texto: PEDRO CORDEIRO

POLÉMICAS EM DIA DE LIBERDADE

Da ausência de Obama à publicação do vídeo com o assassínio do polícia Ahmed Merabet.

1. Obama devia ter ido?
Entre as dezenas de líderes mundiais que marcharam ontem em Paris, a ausência do Presidente dos Estados Unidos fez-se notar.
O país foi representado pela sua embaixadora em França, mas vários jornais americanos questionaram se o próprio Barack Obama não deveria ter ido ou, em alternativa, o vice-presidente Joe Biden, o secretário de Estado John Kerry ou o procurador-geral Eric Holder, que estava em Paris.
As vozes críticas vão de políticos da oposição, como o republicano Newt Gingrich, a comentadores como Fareed Zakaria, da CNN.

2. Quem tem cara para defender a liberdade de expressão?
A organização Repórteres sem Fronteiras criticou a presença,na marcha de Paris de dirigentes cujos governos pouco fzem pela liberdade de expressão, quando não a atacam abertamente.
Egipto, Turquia, Rússia, Argélia e Emirados Árabes Unidos ocupam, respectivamente, o 159.º, 154.º, 148.ª, 121.º e 118.º lugares da classificação de liberdade de imprensa elaborada pela organização.

3. Natanyahu e Abbas mal-vindos?
Ajguns jornais israelitas, hoje, que o Governo francês teria preferido que o primeiro-ministro do Estado hebraico e o presidente da Autoridade Palestiniana não tivessem ido a Paris, para que o conflito israelo-palestiniano não desviasse atenções do motivo da marcha.
Benjamin Netanyahu e Mahmud Abbas estiveram mais perto, no domingo, do que em qualquer momento dos últimos três anos.
O gabinete do presidente francês, Francois Hollande, terá mesmo contactado o gabinete de Natanyahu.
Este terá começado por aceitar o pedido, mas mudou de ideias.

4. Verdade ou insensibilidade?
Umas das primeiras imagens da carnificina do dia 7 foi o vídeo em que se vê um dos irmãos Kouachi executar a sangue frio o polícia Ahmed Merabet, que jaz ferido na rua, perto da sede do "Charlie Hebdo".
Inicialmente colocado no Facebook em bruto, mais tarde foi retirado e vários órgãos de comunicação reproduziram-no cortado, com uma parte esfumada.
O filme foi captado por um engenheiro que vive na rua onde o assassínio ocorreu e que pede desculpa, agora, por tê-lo divulgado.
"Fiquei completamente em pânico", explicou à Agência Associated Press, lamentando o que diz ter sido "um reflexo estúpido" .
"Precisava de falar com alguém.
Estava sózinho no meu apartamento e pus o vídeo no Facebook.
Foi um erro", admite.
Retirou-o passado um quarto de hora, mas já se tinha tornado viral.
Um fotograma do filme foi publicado na capa da revista francesa "Le Point", na edição especial sobre atentados.
Nele, vê-se o momento em que Merabet é abatido à queima-roupa.
O primeiro-ministro Manuel Valls, exprimiu "repúdio" pela capa, que suscitou debates animados nas redes sociais.
O director da revista, Etienne Gernelle, diz querido mostrar "a violência, a barbárie, e a cobardia dos terroristas".
E defende-se: "Não podemos ocultar a realidade só porque é insuportável".

REGRESSA O DEBATE ENTRE LIBERDADE E SEGURANÇA

12 de Janeiro de 2015
Texto : PEDRO CORDEIRO
Ministros do Interior europeus e americanos defendem maior controle da Internet e das fronteiras

Pode o atentado contra o “Charlie Hebdo”, que suscitou manifestações pela liberdade, gerar medidas que resultam em menor liberdade? 
Um comunicado de 11 ministros do Interior e da Justiça europeus reunidos ontem em Paris, antes da marcha que reuniu cerca de milhão e meio de pessoas contra o terrorismo, sugere que haverá maior controlo do que se exprime na Internet e aponta para uma revisão da livre circulação de pessoas e bens na União Europeia.

Os governantes, entre eles representantes de Portugal, Espanha, Alemanha, Reino Unido ou Polónia, prometeram cooperação reforçada entre forças da lei e agências de informação. 
Na reunião participaram ainda dirigentes da União Europeia, Canadá e Estados Unidos da América, como o procurador-geral Eric ir. 
Ao mesmo tempo, dezenas de chefes de Estado e Governo desfilavam pela capital francesa em repúdio do terror e pela liberdade.

No encontro foi decidido criar uma parceria com fornecedores de serviços de acesso à Internet para identificar conteúdos associados com extremismo, que, "alimentam o ódio e a violência”. 
O comunicado ressalva a Internet, porém, como "‘fórum de livre expressão, no respeito total pela lei”, considerando-a mesmo crucial na “luta contra a radicalização”.

França, palco dos assassínios da semana passada, anunciou no dia 8 um decreto de emergência para evitar que os utilizadores da Internet cheguem a sítios que “incitam ou aceitam atos de terrorismo” e “sítios que divulguem inagens pornográficas ou representações de menores”. 
O Governo gaulês pretende  bloquear o acesso a sítios que violem a sua lei.

O assunto promete gerar controvérsia, à semelhança do que sucedeu em julho passado, quando o Parlamento do Reino Unido quis autorizar o Governo a conservar dados de acesso à Internet e telefones móveis, coisa que o Tribunal itiça Europeu considerara ilegal.

Após o escândalo das escutas da Agência Nacional de Segurança dos EUA, em 2013, há quem receie abusos das autoridades. 
Emma Carr, da organização britânica Big Brother Watch, considera que limitar as liberdades na Net “é uma solução errada que desvia recursos de operações de vigilância focadas”.

SCHENGEN REVISTO
Tabém a segurança fronteiriça deverá ser reforçada na sequência dos atentados jiadistas. Os ministros do Interior querem “reforçar a deteção e vigilância de movimentos e viagens de cidadãos europeus” e dos cruzamentos das fronteiras da União. 
Sem questionar a liberdade de movimentos no espaço Schengen - que inclui 26 países -, pretendem aumentar a partilha de nação e as medidas de verificação de passageiros. Consideram “crucial e urgente” criar uma base de dados europeia de dados sobre passageiros.

O Ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, realçou o problema dos "combatentes jiadistas estrangeiros na Síria e no Iraque”, muitos dos quais têm nacionalidade de países da UE (incluindo Portugal, mas sobretudo países grandes populações muçulmanas, como França, Alemanha ou Reino Unido). 
Said e Cherif Kouachi, os irmãos que perpetraram a matança na redacção do “Charlie Hebdo”, eram franceses de origem argelina e já se encontravam nas listas de proibição de voo dos EUA e do Reino Unido. 
Ter-se-ão radicalicalizado em bairros pobres das periferias francesas e disseram pertencer à Al-Qaeda da Península Arábica. 
Já Amedy Coulibaly, o sequestador da mercearia judaica de Vincennes, ter-se-á tornado extremista na prisão, reinvidicando-se do Estado Islâmico.

Cazeneuve defendeu uma “abordagem global” baseada na partilha de informação. 
Estas medidas serão discutidas numa cimeira da UE a 12 de fevereiro, tendo os EUA marcado uma reunião sobre o assunto para 18 do mesmo mês, presidida por Barack Obama. 
Certos dirigentes - como o ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz - defendem mesmo uma reposição do controle das fronteiras nacionais dentro da UE, o que implicaria rever o acordo de Schengen, de 1995.
Já o seu homólogo italiano, Angelino Alfano, diz que "fechar as fronteiras não é a solução" e que "recuar nas liberdades" seria  "uma vitória daquela gente", referindo-se aos terroristas.

No mesmo dia o ministro da Defesa françês anunciou a mobilização de 10 mil membros das forças de segurança para proteger os cidadãos, a partir de amanhã.
Serão enviados para as zonas mais sensíveis do país, explicou.

VEJA O VÍDEO DA REPORTAGEM DO EXPRESSO NA MANIFESTAÇÃO EM PARIS
 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ceifar as vidas dos melhores ilustradores

Texto: PEDRO CORDEIRO
Jornal Expresso Quarta, 7 de janeiro de 2015
Os cinco mortos conhecidos até agora são o diretor do ‘Charlie Hebdo’, outros três ilustradores e um cronista, além de dois polícias

Das doze vítimas mortais do atentado terrorista desta manhã, sete já são conhecidas. Trata-se de cinco colaboradores do ‘Charlie Hebdo’ (quatro ilustradores e um cronista) e dois agentes da polícia. 
Morreram ainda três outros jornalistas, um rececionista do prédio e um convidado da redação, de nome Michel Renaud. 
Há ainda 11 feridos, quatro deles graves (que incluem o jornalista Philippe Lançon e dois polícias). 
Eis os perfis das vítimas mortais conhecidas.

CHARB - De seu nome real Stéphane Charbonnier, era diretor do ‘Charlie Hebdo’ desde 2009 e tinha 47 anos. 
A sua coluna regular no jornal chamava-se ‘Charb não gosta de gente’. 
Autor de vários livros, colaborava com órgãos de comunicação como ‘Télérama’, ‘Fluide Glacial’ ou ‘L'Humanité’. 
Fora ameaçado de morte várias vezes, na sequência da publicação, pelo jornal, da edição especial ‘Charia Hebdo’, em 2011, em retaliação pela qual houve um fogo posto na redação. ‘É certamente algo pomposo, mas prefiro morrer de pé do que viver de joelhos’, afirmou na altura. 
A última caricatura que publicou no jornal, hoje nas bancas, tinha o título ‘Ainda não houve atentados em França’. 
Nela, um jiadista dizia ‘Esperem! 
Temos até ao fim de janeiro para dar as Boas Festas’.

GEORGES WOLINSKI - Um dos decanos do desenho humorístico francês, nasceu há 80 anos na Tunísia então francesa. 
Editor-chefe do mensário ‘Charlie’, antecessor do ‘Hebdo’, fora colaborador da revista ‘Hara-Kiri’ e ficou conhecido pelos seus desenhos eróticos. 
O seu traço surgiu em publicações como ‘Paris-Match’, ‘Libération’ ou ‘Le Nouvel Observateur’

TIGNOUS - Chamava-se Bernard Verlhac e colaborava, além do ‘Charlie Hebdo’, nas revistas ‘Marianne’ e ‘Fluide Glacial’. 
Tinha 57 anos e vários livros publicados.

CABU - Jean Cabut, de 75 anos, estava há 45 no ‘Charlie Hebdo’. 
Autor de 30 livros de ilustrações e colaborador, também, do jornal humorístico ‘Le Canard Enchainé’, foi o autor de uma controversa capa do ‘Charlie Hebdo’ que retratava O profeta Maomé, depois do escândalo das caricaturas publicadas pelo jornal dinamarquês ‘Jyllands-Posten’

BERNARD MARIS - Economista de 68 anos, era responsável pela coluna ‘Uncle Bernard’ no semanário, sobre política e economia. 
Recentemente escrevera sobre os riscos de Marine Le Pen ser eleita Presidente da República francesa.

Os polícias - Executado com uma bala na cabeça enquanto estava deitado no passeio, ferido, o polícia Ahmed Merabettinha 42 anos e estava de serviço na esquadra do 11.º bairro de Paris, onde ocorreu o massacre, e dirigiu-se ao local com um colega, que veio a ser ferido.
O outro polícia morto, Franck D., tinha 49 anos e fazia proteção pessoal de personalidades há vários anos.
Tinha uma filha de um ano.

Je suis, somos todos, Charlie

Henrique Monteiro 15:31 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015

Chegou, de facto, a altura de dizer que nós somos Charlie Hebdo. 
Porque nós gostamos do humor, seja acerca de Maomé, Jeová, Jesus Cristo ou Buda. 
Porque nós não confundimos o respeito e a tolerância devida a todos, com a possibilidade de nos rirmos e de vivermos. 
De achar que Maomé tem um mau feitio pior ainda que o Jeová do Antigo Testamento e que o seu filho Jesus Cristo, era um totó que achava que a humanidade se converteria pelo exemplo (e Buda um tipo a necessitar urgentemente de ir ao ginásio).

Nós somos Charlie porque não temos medo de idiotas que acham que vão para o céu e depois não vão. 
Hão de estar num sítio escuro, ou escondidos da polícia, ou escondidos do Deus bondoso e risonho, o único que todas as teologias permitem. 
E somos mais Charlie ainda, porque não tendo medo, não ripostamos: não proibimos Mesquitas como vocês proíbem Igrejas. 
Não decapitamos inocentes e, se alguns dos nossos países têm pena de morte, não é por motivos religiosos, nem por blasfémia. 
Ultrapassámos essa fase há séculos, seus retardados mentais.

E somos amigos dos verdadeiros muçulmanos. 
Em particular daqueles que gostam da vida - conheci tantos em África e noutras paragens. Tipos porreiros que estão cheios de vergonha por ter entre os membros da sua crença gente sem piedade, cobarde e sem vergonha.

Somos Charlie. 
Quando eu era diretor do Expresso publicámos os cartoons de Maomé que fizeram pessoas como vocês atacar um jornal na Dinamarca. 
Somos Charlie porque defendemos o direito de Salman Rushdie a dizer o que pensa. 
E somos Charlie porque respeitamos as crenças - todas elas, inclusive o islamismo dos nossos queridos amigos portugueses, da boa comunidade ismaelita, sunita ou xiita que entre nós vivem em paz. 
Rimo-nos da vossa intolerância e da vossa crença idiota em como hão de ter 70 ou 90 virgens à vossa espera. 
Verão que todas têm mais de 100 anos. 
Hão de arrepender-se! 
E remoer-se! 
E os remorsos que tiverem nem sequer hão de ser amaciados por uma prostituta, como os de Raskolnikov, no Crime e Castigo, porque vocês gastam as pestanas a ler suras e nem sequer leem boa literatura!

Que ganharam com isto, seus parvos? 
Pensam que vamos dar força aos que querem expulsar os islâmicos da Europa? 
Não vamos. 
São bem vindos, porque como costumamos dizer, Bem vindo seja quem vier por bem!


Para vós temos um provérbio do Norte de África: Os cães ladram, mas a caravana passa!

"Atentado abominável", lamenta Angela Merkel

Lusa 16:40 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015
Para a chanceler alemã, "este ato horrível é também um ataque que nada pode justificar contra a liberdade de imprensa e de opinião".

A chanceler alemã, Angela Merkel, condenou esta quarta-feira o "atentado abominável" ao semanário satírico francês "Charlie Hebdo" que matou pelo menos 12 pessoas, numa carta de condolências ao Presidente François Hollande.

"Fiquei chocada quando soube do atentado abominável ao jornal em Paris", escreveu a chefe do Governo alemão.

"Quero exprimir-lhe a si e aos seus compatriotas nesta hora de sofrimento a simpatia do povo alemão, tal como a minha, e transmitir as minhas condolências aos entes queridos das vítimas", adiantou.

Para a chanceler, "este ato horrível não é apenas uma agressão contra a vida das cidadãs e cidadãos franceses". 
Constitui "também um ataque que nada pode justificar contra a liberdade de imprensa e de opinião, um fundamento da nossa cultura livre e democrática", afirmou.

EUA "prontos para colaborar com os franceses" na investigação

Lusa 16:50 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015 
Última atualização há 55 minutos
Porta-voz de Obama diz que "toda a Casa Branca está solidária com as famílias das pessoas mortas e feridas" no ataque ao "Charlie Hebdo", em Paris, e sublinha que os Estados Unidos estão disponíveis para ajudar.

A presidência dos Estados Unidos condena "nos termos mais fortes" o ataque contra o jornal satírico francês 'Charlie Hebdo', que fez 12 mortos.

"Toda a Casa Branca está solidária com as famílias das pessoas mortas e feridas neste ataque", afirmou esta quarta-feira Josh Earnest, porta-voz do Presidente norte-americano, Barack Obama, à televisão MSNBC.
"Altos responsáveis da Casa Branca estão em contacto estreito com os seus homólogos franceses (...) 
Os Estados Unidos estão prontos para colaborar com os franceses para os ajudar na investigação", acrescentou.

1962-2015. Treze atentados a meios de comunicação em França

Depois do atentado desta quarta-feira, França está em alerta máximo
Cristina Pombo 16:55 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015 
Última atualização há 32 minutos
Houve mais de uma dúzia de atentados contra meios de comunicação parisenses nos últimos 50 anos. Diário francês "Le Monde" enumera os principais.

Fevereiro de 1962: Bombas do OAS (organização clandestina de extrema-direitaque se opunha à independência da Argélia) nas ruas de Paris. 
Nos Campos Elísios, as instalações de "Le Figaro" são alvo de um ataque.

Abril de 1979: Atentado contra o diário "Le Monde", reivindicado pelo grupo de extrema-direita Liga dos Combatentes franceses contra a ocupação Judaica. 
Deu-se um mês depois de um ataque às instalações de "Le Matin de Paris" (encerrado em 1987), reivindicado pelo mesmo grupo.

Abril de 1985: O grupo revolucionário francês Ação Direta ataca, pela segunda vez, o semanário de extrema-direita "Minute". 
Não houve vítimas mas o ataque abriu na fachada uma cratera de um metro de diâmetro.

Outubro de 1985: Dois atentados visaram as rádios Antenne 2 e Radio France, no mesmo dia. 
No primeiro local, os trabalhadores foram avisados através de uma chamada anónima. 
Um grupo ativista reivindicou ambos os ataques, em protesto contra a presença de Jean-Marie Le Pen, ex-líder da Frente Nacional, em duas emissões destas rádios.

Janeiro de 1991: Em plena guerra do Golfo, atentado à bomba contra a sede do jornal "Libération". 
Não houve feridos. 
As primeiras pistas levantaram suspeitas sobre um pequeno movimento autónomo dos anos 90.

3 de dezembro de 1996: Atentado frustrado contra o jornal "Tribune Juive", através do envio de um pacote armadilhado ao cuidado do diretor do semanário, Yves Derai. 
O ataque foi atribuído a neonazis.

2004: Um homem armado entra nas instalações de "Le Monde" exigindo que o jornal noticiasse os seus livros publicados em edição de autor. 
Após alguns minutos de negociações, acabou por entregar a arma, sem ferir ninguém.

2 de novembro de 2011: Um cocktail molotov terá estado na origem de um incêndio no semanário "Charlie Hebdo". 
Ninguém ficou ferido.

15 de novembro de 2013: Um indivíduo entra nas instalações do canal BFM TV, ameaça os jornalistas com uma caçadeira americana. 
Após disparar por duas vezes disse: "Da próxima vez, não vou falhar", e desapareceu.

18 de novembro de 2013 : Um homem dispara uma arma no interior do jornal "Libération", ferindo gravemente um assistente de fotografia.

7 de janeiro de 2015: Três indivíduos entram nas instalações do semanário satírico "Charlie Hebdo" e fazem vários disparos, matando doze pessoas, incluindo dois polícias e dez trabalhadores do jornal.

Governo português "condena" atentado em Paris, mas não fala em ataque à liberdade de expressão

Rosa Pedroso Lima  14:53 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015 
Última atualização há 55 minutos

Num comunicado emitido ao início da tarde pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, Portugal lamenta "profundamente a perda de vidas humanas" e manifesta "solidariedade". 
Cameron e MerKel criticaram atentado à liberdade de expressão

Em três parágrafos apenas, o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que "o Governo Português condena veementemente o violento atentado ocorrido hoje em Paris, que provocou mais de uma dezena de mortos e vários feridos".

Portugal lamenta "profundamente a perda de vidas humanas" e transmite "ao Governo Francês e às famílias das vítimas as suas mais sinceras condolências e a sua profunda solidariedade", esperando que "os suspeitos deste ato bárbaro sejam rapidamente detidos, julgados e condenados".

O parágrafo final do comunicado serve para esclarecer que as autoridades portugueses estão a acompanhar a situação, uma vez que ainda não existem indicações precisas quanto à identidade das vítimas. 

O tom do comunicado português é bastante mais lacónico do que muitas das reacções tornadas públicas por alguns dos dirigentes mundiais. David Cameron, o primeiro-ministro britânico, publicou na sua página pessoal no Twitter que "os assassínios em Paris são doentios. 
Apoiamos os franceses na luta contra o terror e em defesa da liberdade de imprensa". Barack Obama condenou os "terroristas responsáveis pelo tiroteio hediondo". 
O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou este um "ato bárbaro" e um "intolerável ataque à liberdade de imprensa" e Jean Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, segue o modelo, condenando "um ato intolerável e uma barbárie".

Para a chanceler alemã, Angela Merkel, o ataque em Paris é um "bárbaro atentado contra a liberdade de expressão e de imprensa, elementos centrais na cultura democrática. 
Não pode ser de forma nenhuma justificável".

Vídeos amadores captam momento do ataque em Paris

12:47 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015 
Última atualização à 23 minutos




Um vídeo captado por telemóvel mostra os dois atiradores encapuzados a disparar na rua junto à viatura, que depois usaram para fugir, e a atingirem mortalmente um polícia. 
O outro foi registado no topo de um edifício onde funcionários de uma agência de notícias se refugiaram do tiroteio no jornal Charlie Hebdo.

Eram três, chamaram pelo nome das vítimas e toda a França os procura

Após os ataques, surgiram ações de vigília
Liliana Coelho e Pedro Cordeiro 17:00 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015 
Última atualização há 21 minutos
Terroristas que atacaram o "Charlie Hebdo" mataram pelo menos 12 pessoas e feriram 10. Gritaram "vingámos Alá", chamaram algumas vítimas pelo nome e estão a monte desde o massacre. Ministro francês do Interior garante que havéra punição e justiça.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, revelou esta quarta-feira que foram três os terroristas - e não dois como tinha sido avançado inicialmente - que atacaram a sede do semanário "Charlie Hebdo", em Paris. 
"Vamos apanhar estes três criminosos", garantiu o governante, que prometeu a respectiva punição.
Segundo a polícia, os suspeitos encontram-se em fuga, sabendo-se apenas que se terão deslocado para a região nordeste de Paris. 
O Citroen preto em que se seguiam foi localizado perto do metro de Porte de Pantin, nos subúrbios, depois de os terroristas terem trocado para outro veículo roubado. 

Esta manhã, homens encapuzados e vestidos de negro invadiram o hall das instalações do jornal satírico "Charlie Hebdo, que publicou caricaturas de Maomé, com lança-foguetes e kalachnikovs. 
Algumas testemunhas locais relatam ter ouvido gritar "vingámos o profeta, matámos o 'Charlie Hebdo'".

Fonte policial disse ao jornal "Libération" que se tratava de um "comando organizado", avançando que dois homens e decididos dirigiram-se diretamente à sala da reunião editorial, evidenciando que conheciam de antemão os alvos e que sabiam que naquela hora se realizava a reunião semanal de redação. 
"Perguntaram pelo Charb, mataram-no e dispararam em seguida contra os outros", acrescentou a fonte, admitindo que havia uma lista, incluindo outros cartoonistas. 
As imagens já conhecidas não mostram o terceiro homem referido pelo ministro do Interior.

Segundo fonte policial, os terroristas que invadiram a sede do semanário "Charlie Hebdo", em Paris, ter-se-ão enganado primeiro no endereço do edifício. 
"Na sequência dos eventos, há ainda muito a esclarecer. 
Mas, ao que parece, os atacantes entrararam erradamente primeiro no número 6 da Rua Nicolas Appert. 
Foi aí que alguém lhes explicou que a sede do jornal ficava noutro edifício, no número 10", explicou Emmanuel Quemener, polícia do sindicato Alliance, citado pelo jornal "Le Fígaro".

"A segurança absoluta não existe. 
Esta é uma classe profissional em lágrimas", afirmou por sua vez ao "Le Fígaro" Luc Comovente, um policia no local, lamentando a morte de dois colegas no ataque, que se encontravam no edifício para proteger Charb, cartoonista e diretor da publicação.

Entre a 12 vítimas mortais encontram-se Charb, o diretor da publicação, três ilustradores - Cabu, Wolinski e Tignous -, o economista Bernard Maris - que tinha uma coluna no jornal - e dois polícias. 
Além disso, quatro dos 10 feridos encontram-se em estado grave, segundo o último balanço oficial.
O atentado desta quarta-feira foi o mais mortífero desde o ataque ao Boulevard du Temple, em Paris, a 28 de julho de 1835, que causou 19 mortos, refere o diário "Le Monde."

NÓS SOMOS CHARLIE HEBDO

Expresso 14:32 Quarta feira, 
7 de janeiro de 2015 
Última atualização há 18 minutos
NÓS SOMOS O CHARLIE HEBDO. 
NÓS JORNALISTAS.  NÓS LEITORES. NÓS TODOS.

O golpe terrorista de 7 de janeiro às instalações da revista Charlie Hebdo, em Paris, é um ataque criminoso e homicida - e é um ataque às liberdades de todos os cidadãos. 

O Expresso solidariza-se com o Charlie Hebdo e junta-se àqueles que lamentam as mortes de Paris e que prestam condolências às famílias dos que foram brutalmente assassinados. 

Atacar a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão não é apenas querer amedrontar os que, pela sátira e pela informação, revelam e confrontam as violências do mundo em que vivemos. 

Mataram jornalistas porque nos querem calar a todos. 

Teriam de nos matar a todos para que o medo vencesse. 

Não o conseguirão, nem que nos calemos perante eles nem que reajamos como eles. 

Nós somos o Charlie Hebdo. 
Nós jornalistas. 
Nós leitores. 
Nós todos.

Massacre na sede de jornal que publicou caricaturas de Maomé faz pelo menos 12 mortos

Atentado terrorista em Paris
Daniel Ribeiro, Correspondente em Paris, 
Liliana Coelho e Pedro Cordeiro 11:14 Quarta feira, 7 de janeiro de 2015 
Ultima atualização há 28 Minutos
Três homens vestidos de negro invadiram o hall da sede do semanário "Charlie Hebdo", em Paris, com lança-foguetes e kalachnikovs. Há pelo menos 12 mortos, dois dos quais polícias, o diretor da publicação e três ilustradores. Presidente francês apelou à "união do país" na luta contra o terrorismo: "Este ato bárbaro nunca vai extinguir a liberdade de imprensa. Nós somos um país unido que vai reagir e não bloquear".

Um atentado junto à sede do semanário "Charlie Hebdo", no centro de Paris, causou esta quarta-feira pelo menos 12 mortos - dois dos quais polícias e ainda Charb, o diretor da publicação, e outros três ilustradores: Cabu, Wolinski e Tignous. 
Há 10 feridos a registar, estando quatro destes em estado grave, avança a polícia local.

Segundo o jornal "Le Fígaro", três homens encapuzados vestidos de negro invadiram esta esta quarta-feira de manhã a entrada das instalações do jornal satírico que publicou as caricaturas de Maomé, disparando indiscriminadamente com "lança-foguetes e kalachnikovs".

"França está em choque com este ato de excecional barbárie. 
Mas temos que mostrar que somos um país único e que sabemos reagir como deve ser, com firmeza, mas sempre com a preocupação da unidade nacional", disse o Presidente francês, François Hollande, em declarações aos jornalistas no local, sublinhando que o país sabia que estava sob ameaça e que nas últimas semanas foram evitados vários atentados.

"Este ato bárbaro nunca vai extinguir a liberdade de imprensa. 
Nós somos um país unido que vai reagir e não bloquear", acrescentou.

Algumas testemunhas locais relatam ter ouvido os atacantes gritar "vingámos o profeta, matámos o 'Charlie Hebdo'".

"Os atacantes sabiam que havia esta quarta-feira, às 10h, a reunião editorial semanal. 
Nos outros dias não há muitas pessoas nas instalações", explicou um jornalista do "Charlie Hebdo", citado pelo "Le Monde".

A ilustradora Coco, que estava no local, disse por seu turno ao jornal "L'Humanité" que os homens falavam francês fluente, tendo assumido pertencerem à Al-Qaeda.

A polícia científica e técnica deslocou-se às instalações do jornal. 
Por sua vez, o governo francês elevou o nível de alerta terrorista e ativou um Plano de Vigilância, estando as autoridades na perseguição dos autores. 
Há 40 pessoas protegidas: o "Le Parisien" informa que a editora Flammarion, que vai editar um livro polémico de Michel Houellebecq sobre o Islão, é uma das pessoas que está sob proteção.

Há reforço da vigilância em todo o lado, designadamente nos transportes, locais de culto, locais turísticos, grandes comércios e escolas

.O Presidente francês convocou uma reunião de emergência com os ministros, que se vai realizar no Palácio do Eliseu. 
E às 20h locais (19h em Lisboa) fará uma comunicação ao país, pela televisão

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou-se "profundamente chocado" com este ataque terrorista, enquanto o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, exprimiu no Twitter "horror" e"tristeza", garantindo que "a violência perderá sempre contra a liberdade."

Marine le Pen diz-se igualmente "horrorizada" pelo "odioso atentado" e Merkel condena por sua vez aquilo que considera ser um "atentado abominável, ato repugnante."

O "Charlie Hebdo" é um semanário satírico de esquerda, com um posicionamento político muito contundente, e a sua redação "reflete todos os componentes da esquerda plural, e mesmo os abstencionistas", numa análise pessoal do agora defunto diretor da publicação, Charb, citada na Wikipédia. Jornal profundamente ilustrado, as suas edições incluem crónicas e também, pontualmente, reportagens de jornalismo de investigação sobre temas diversos como seitas, extrema-direita, catolicismo, islamismo, judaísmo, política e cultura, entre outros. 

O jornal foi incendiado em novembro de 2011, não se tendo registado vítimas. 
A publicação era alvo de frequentes ameaças e, desde a publicação das caricaturas de Maomé, Charb era permanentemente acompanhado por um agente da polícia que garantia a sua segurança. 
O agente que esta manhã executava essa função foi também abatido pelos terroristas.

[Notícia atualizada às 16h18]