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domingo, 22 de março de 2015

Petição da Amnistia pede retirada de acusações contra Rafael Marques

Rafael Marques tem julgamento marcado para a próxima terça-feira
JOÃO MANUEL ROCHA 
22/03/2015 - 11:00

Julgamento do activista angolano por denúncias feitas no livro Diamantes de Sangue tem início marcado para terça-feira. 
Campanha foi lançada em Portugal, Estados Unidos e no Brasil.

A Amnistia Internacional lançou uma campanha para tentar que sejam retiradas acusações contra o jornalista e activista angolano Rafael Marques, que na terça-feira deve começar a ser julgado em Luanda, acusado de denúncia caluniosa, por ter revelado alegados abusos sistemáticos dos direitos humanos na região diamantífera da Lunda-Norte.

Rafael Marques é acusado por sete generais angolanos, entre eles o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, e por duas empresas diamantíferas: a Sociedade Mineira do Cuango e a ITM-Mining. 

A petição, disponível para subscrição no site da Amnistia Internacional Portugal, tem como destinatários o primeiro-ministro português, Passos Coelho, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete. 
É-lhes pedido que “encorajem” o Governo de Angola a retirar as acusações. 
A organização de defesa dos direitos humanos considera que Rafael Marques “está a ser alvo de perseguição por exercer o seu direito à liberdade de expressão protegido pelo direito internacional”. 
A acção é concertada com a Amnistia nos Estados Unidos – onde petição idêntica será enviada ao secretário de Estado, John Kerry – e no Brasil.

Paralelamente, a Amnistia divulgou uma carta aberta em que três dezenas de organizações manifestam preocupação com a possibilidade de o activista “não ter um julgamento justo”. Publicada neste domingo no PÚBLICO tem entre os signatários responsáveis de ramos nacionais da Amnistia e de organizações como a Transparency International, o Comité para a Protecção dos Jornalistas, o Centro Robert F. Kennedy para a Justiça e Direitos Humanos, a União dos Advogados Pan-Africanos ou a organização não-governamental angolana Omunga.

Rafael Marques, que tem sistematicamente denunciado casos de alegada corrupção e injustiça social no seu país – em 1999 esteve 40 dias na cadeia sem acusação formulada – incorre em pena de prisão e numa penalização monetária. 
É alvo de nove acusações de denúncia caluniosa por acusações feitas no livro Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola, publicado em Portugal em 2011. 

No livro são relatados inúmeros casos de tortura e homicídio que teriam sido cometidos nos municípios do Cuango e Xá-Muteba. 
Testemunhos recolhidos pelo autor indicam que os actos foram cometidos por guardas da empresa privada de segurança Teleservice, ao serviço da Sociedade Mineira do Cuango, e por militares das Forças Armadas.

Após o lançamento, em Setembro de 2011, o autor apresentou na Procuradoria-Geral da República de Angola uma queixa, na qual pedia uma investigação à alegada participação moral dos generais nos abusos denunciados, enquanto proprietários da Teleservice e sócios da Sociedade Mineira. 
Reclamava também justiça para as vítimas. 
A queixa acabaria por ser arquivada.

Em Novembro de 2012, sete generais e a sociedade mineira apresentaram em Portugal uma queixa-crime contra o jornalista e a editora portuguesa Tinta da China, que veio a ser arquivada por falta de indícios incriminatórios. 
A procuradoria portuguesa considerou que a publicação do livro se enquadrava no direito da liberdade de informação e de expressão.

Em Abril do ano seguinte, os generais angolanos e as duas empresas diamantíferas recorreram aos tribunais angolanos. 
A acusação foi formulada em 2014. 
O julgamento agora marcado para terça-feira teve início previsto para o passado mês de Dezembro mas foi adiado.

“Os queixosos neste processo são grandes accionistas de empresas diamantíferas, e as empresas de segurança privada sob sua alçada levaram a cabo muitas das violações que denuncio”, disse Rafael Marques, na passada quarta-feira, em Londres, no discurso de aceitação do prémio que lhe foi atribuído pelo Index on Censorship, organização de defesa e promoção da liberdade de expressão. 
O activista angolano foi um dos distinguidos com os Freedom of Expression Awards, na categoria de jornalismo, juntamente com a saudita Safa Al Ahmad. 
O júri entendeu que “está a fazer um trabalho importante, num ambiente bastante difícil”. 

O Observatório para a Protecção dos Defensores dos Direitos Humanos – programa conjunto da Federação Internacional das Ligas dos Direitos do Homem e da Organização Mundial Contra a Tortura – que na quinta-feira divulgou um relatório em que denuncia um aumento de pressão sobre os activistas de direitos humanos e jornalistas em Angola, também está preocupado. 
“Rafael Marques estava já na mira das autoridades há vários anos. 
Este julgamento é apenas mais uma demonstração da determinação do regime em colocar obstáculos à sua liberdade de expressão”, disse. 

O apelo feito às autoridades de Luanda pelo observatório e pela Associação Justiça Paz e Democracia, uma organização angolana, é o mesmo que consta da petição da Amnistia: retirem as acusações contra o activista angolano. 
“As irregularidades processuais verificadas desde a acusação de Rafael Marques em Janeiro de 2013 mostram claramente que não terá um julgamento justo.”

No mesmo relatório são denunciados outros casos recentes de defensores dos direitos humanos – a prisão em Cabinda do activista Marcos Mavungo e do advogado Arão Bula Tempo, antes de uma anunciada manifestação para denunciar abusos de direitos humanos e protestar contra a alegada má administração da província.

Nas vésperas da data anteriormente marcada para o início do julgamento de Rafael Marques, 15 de Dezembro de 2014, 16 organizações de defesa da liberdade de imprensa e de expressão – caso dos Repórteres Sem Fronteiras – contestaram as acusações e manifestaram a opinião de que o seu único crime foi ter feito “uma investigação” e publicado um livro sobre “violações de direitos humanos relacionadas com a exploração dos diamantes em Angola”.



Há "licença para matar, para torturar"
POR JOÃO MANUEL ROCHA 

17/09/2011 - 00:00
Generais angolanos acusados de cumplicidade com assassinatos, torturas e outros abusos cometidos na região do Cuango. 
"Impunidade total" e "promiscuidade entre poder político-militar e o negócio dos diamantes" denunciada em livro do jornalista Rafael Marques, que desafia o Presidente José Eduardo dos Santos a pronunciar-se sobre os casos.

Os soldados disseram ao soba Ngana Katende que ordenasse a retirada imediata dos garimpeiros, sob pena de morte. 
Mas Pereira, que já tinha recolhido cascalho, queria lavá-lo antes de interromper o trabalho. Os militares arrancaram os paus que reforçavam a cobertura do buraco escavado em forma de túnel, fizeram-no desabar e foram-se embora. 
Lá dentro estavam 45 garimpeiros.

"As pessoas não tinham coragem de retirar os cadáveres", contou Linda Moisés da Rosa, mãe de Pereira, um dos soterrados. 
"Fomos à polícia. 
Estes mandaram-nos ir ter com as FAA [Forças Armadas Angolanas]. 
Os militares correram connosco, com as armas, na unidade ao lado do Hospital de Cafunfo."

O que sucedeu em Cavuba, na fronteira entre a comuna do Luremo, 30 quilómetros a norte de Cafunfo, e o município de Xá-Muteba naquele 5 de Dezembro de 2009, foi registado três meses depois por Rafael Marques, jornalista angolano, numa visita que fez à região do Cuango acompanhado por um editor do Wall Street Journal. 
E é agora contado num livro, lançado em Lisboa na quarta-feira passada.

Quando Rafael a ouviu, já a camponesa Linda tinha perdido outro filho, que se dedicava também ele à mineração artesanal. 
Fora a 5 de Fevereiro de 2010 que, de acordo com testemunhas oculares, guardas da empresa de segurança Teleservice lhe mataram Kito, 
"com um golpe de catana na nuca, outro na testa e um terceiro no rosto, do lado direito, e atiraram o corpo ao rio Cuango". 
Qual o crime para tamanho castigo? 
Ter dito que não tinha dinheiro para pagar o acesso à mina e insistido em continuar a lavar cascalho para depois fazer o pagamento.

Ambos os casos foram denunciados: às chefias militares, à direcção-geral da empresa de segurança - que tem entre os sócios generais e presta também serviços a multinacionais como a BP, a Chevron, a De Beers ou a ExxonMobil. 
Consequências, nenhumas. 
Em Abril do ano passado, o Semanário Angolense revelou o depoimento de Linda Moisés da Rosa sobre o caso dos soterrados. 
Em Junho, o diário norte-americano também se referiu a ele. 
Continuou a não haver reacção. 
O jornalista Michael Allen, do Wall Street Journal, obteve do secretário de Estado dos Direitos Humanos, general Bento Bembe, um comentário: "Sei que muitos desses casos acontecem, e sei de muitos outros sobre os quais ainda não ouviu falar."

O Estado dentro do Estado que as zonas de diamantes sempre foram deu lugar a um "estado de terror", no dizer de Rafael Marques, que anteontem lançou Diamantes de Sangue - Corrupção e Tortura em Angola, uma edição da Tinta da China. 
O seu trabalho incide sobre abusos e torturas cometidos pelas Forças Armadas e seguranças da Teleservice nas zonas diamantíferas da Lunda-Norte exploradas pela Sociedade Mineira do Cuango, uma empresa que tem entre os accionistas a Lumanhe, de que são sócios o general Hélder Vieira Dias, "Kopelipa", ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, o inspector-geral do Estado-Maior General do Exército, general Carlos Hendrick da Silva, e outros generais. 
São essas ligações que levam o jornalista a denunciar a "enorme promiscuidade entre o poder político-militar e o negócio dos diamantes" em Angola.

O livro abrange um período de ano e meio, de Junho de 2009 a Março de 2011, revela inúmeros crimes cometidos sobre garimpeiros artesanais, mantidos em situação de ilegalidade, por isso mais sujeitos a abusos. 
"Não são casos isolados. 
É uma política institucional, sancionada pelos dirigentes", disse, em entrevista ao PÚBLICO, o autor, que se tem empenhado na denúncia e divulgação de esquemas de corrupção em Angola.

Violência estrutural

Assassinatos, tortura, destruição de agricultura de subsistência para expropriação de terras para o garimpo, restrições à circulação de pessoas e bens são exemplos da violência estrutural denunciada por Rafael Marques. 
"Há comunidades que só podem sair das aldeias atravessando o rio, em zona de grande corrente, com uma bóia amarrada a uma corda de um extremo ao outro, porque a empresa só autoriza o soba a circular pela estrada."

Militares destacados para combater a prospecção ilegal associam-se regularmente aos que desenvolvem essa actividade, o que, denuncia, "elimina qualquer distinção entre a lei que permite a actividade de garimpo" e "os actos considerados ilegais dos garimpeiros, a repressão e as práticas ilegais do Exército".

O jornalista de investigação, que acompanha as zonas diamantíferas desde 1992, e já escreveu relatórios sobre abusos nesta indústria em 2005, 2006 e 2008, considera que há um agravamento da situação. 
"Só o ano passado houve o fuzilamento de mais de 20 garimpeiros." 
A conivência das autoridades locais e do Governo são a explicação do jornalista para a "impunidade total" que confere "licença para matar, licença para torturar".

Há "um ataque sistemático à população civil", garante Rafael Marques, que se refere ao quadro que encontrou como uma situação de "potenciais crimes contra a humanidade", muitos cometidos pelo Exército, que apresenta como "força acessória das empresas diamantíferas". 
Dos abusos só isenta a Polícia Nacional, que desde 2005, após o seu primeiro relatório, "tomou diligências extensivas para proibir que os seus efectivos se engajassem em actos de tortura".

Criatividade na tortura

As gemas são a segunda maior exportação angolana, a seguir ao petróleo. 
Os dados oficiais indicam que em 2009 o país produziu 13.827 milhões de quilates de diamantes avaliados em 1179 mil milhões de dólares. 
Que benefício retira a população local dessa riqueza, que coloca Angola como o quarto produtor mundial de diamantes? 
"Morte, miséria e obscurantismo é o que aquela população recebe", respondeu sem hesitação o autor, que revela já ter havido motins e alerta para o risco de agravamento da situação.

No livro, Rafael Marques, premiado internacionalmente pela sua acção em defesa dos direitos humanos, refere-se a "criatividade nos actos diários de tortura". 
Ao PÚBLICO explicitou que os abusos incluem o uso de catanas para tortura nas nádegas, nas plantas dos pés, nas mãos. 
"Houve um caso até em que os guardas decidiram novas formas de tortura: obrigaram os garimpeiros a colocar os pés sob as rodas das suas carrinhas para que não possam andar mais." 
Outros, garante, são obrigados a saltar de carros em alta velocidade, a sodomizar-se, a lutar entre si. 
Tanto o Exército como a Teleservice usam os garimpeiros para extraírem diamantes para os chefes.

O que leva um regime a violar as suas leis e a reprimir o seu povo? 
"A pergunta deve ser respondida pelo MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola, partido do Governo] sem tergiversações e pelo próprio Presidente, que deve pronunciar-se sobre estes casos", disse.

Isabel dos Santos, filha do chefe de Estado, é referenciada como accionista da Angola Selling Corporation, uma empresa de comercialização de diamantes, com uma posição que transferiu em 2004 para a mãe. 
O envolvimento da primogénita de José Eduardo dos Santos no negócios dos diamantes é considerado pelo jornalista como resultado de um "acto de nepotismo" que seria suficiente para um "processo de destituição do Presidente, por abuso de poder, por facilitar o enriquecimento ilícito da filha".

Dois pesos, duas medidas

A violação dos direitos humanos na exploração diamantífera levou à adopção de sanções contra o Zimbabwe em 2009. 
Mas em Angola isso não acontece. 
"O Ocidente decidiu que era tempo de [o Presidente, Robert] Mugabe se ir embora. 
No caso de Angola há uma grande protecção internacional aos abusos cometidos pelo regime", justifica o jornalista, que observa a existência de dois pesos e duas medidas e de parcialidade na utilização do conceito de "diamantes de sangue". 
A noção foi cunhada em 2000, no âmbito do Processo de Kimberley - uma iniciativa de governos e organizações não-governamentais, com a bênção das Nações Unidas, e de que o executivo de Luanda foi fundador, concebida para estancar o negócio de diamantes por movimentos guerrilheiros. 
Kimberley dá também aos executivos competência para certificar que as suas exportações são oriundas de zonas "livres de conflito".

Com o fim da guerra em 2002, relativamente a Angola "assumiu-se implicitamente que os diamantes de sangue se extinguiram a par do movimento rebelde" e o Governo "viu-se legitimado" e "livre de quaisquer pressões sobre os abusos institucionais contra os direitos humanos" nas zonas diamantíferas.

O livro Diamantes de Sangue é assim também uma acusação à comunidade internacional. "Não teria sido possível cometer esses crimes todos sem apoio internacional", diz Rafael Marques, para quem o Processo de Kimberley e as Nações Unidas devem ser responsabilizadas "moralmente e politicamente" pelo que se está a passar nas Lundas.

sábado, 14 de março de 2015

Rússia está se preparando para alguma coisa no Kremlin, enquanto a ausência de Putin confunde a todos

O imóvel de uma câmera de segurança que mostra os preparativos para de um evento no Kremlin, em Moscou, em 13 de março.
MARC BENNETTS, VOCATIV
14 Marco 2015, 12:13
BUSINESS  INSIDER


A TV controlada pelo Kremlin informou os milhões de russos sobre uma reunião entre o presidente Vladimir Putin, e seu colega quirguiz Almazbek Atambayev. Nada de anormal nisso, certo?

Errado.

O encontro entre os dois líderes das ex-repúblicas soviéticas não deve ter lugar até segunda-feira. Mas isso não impediu que o leitor de notícias sobre os canais da Rossiya 24 proceda à leitura do seguinte item - todos no pretérito.


"O Kremlin também informa que Vladimir Putin se reuniu com o presidente Quirguistão Almazbek Atambayev na segunda-feira. Eles falaram sobre a cooperação em investimentos e sobre as esferas humanitárias, bem como do sector da energia. Eles também discutiram a possibilidade do Quirguistão aderir à União Económica da Eurásia. "

Antes de chegarmos a segunda-feira, como a maioria de vocês estão indubitavelmente conscientes, temos de passar primeiro o fim de semana. Um porta-voz da Rossiya 24 rapidamente anunciou a notícia de que tido havido um erro. E, que num dia normal, seria isso.

Mas estes não são tempos normais na Rússia. Putin não foi visto em público há mais de uma semana. Esta ausência prolongada provocou rumores de que  líder nacional que há bastante tempo serve da Rússia está doente. Ou foi deposto num golpe de Estado. Ou está morto. Ou está a visitar a sua suposta amante, o "a ginasta extremamente flexível", Alina Kabaeva, que supostamente deu à luz um bébé de Putin hoje na Suiça. Faça a sua escolha.
Putin cumprimenta a ginasta russa Alina Kabayeva durante uma reunião com os candidatos para a equipa olímpica russa para os Jogos Olímpicos de Verão de 2004, na residência presidencial de Novo-Ogaryovo nos arredores de Moscou, 10 de março de 2004.

O canal Rossiya 24 na inadvertência da leitura da sorte já rotulou como "Os hóspedes do Futuro" nas mídias sociais, uma referência a um filme infantil soviético muito amado. Mas por detrás o sorriso, existe a preocupação de que a Rússia poderia estar à beira de mais um dos eventos cataclísticos que parecem oscilar em volta destas peças em intervalos de alguns anos.
um filme infantil soviético muito amado

O relatório do Canal Rossiya 24 a reunião de Putin foi preparada com antecedência, porque o Kremlin sabia que ele não ia assistir?
Foi parte de um encobrimento que foi inadvertidamente foi ao ar antes de tempo? De qualquer maneira, ela é adicionada a uma atmosfera geral de confusão e apreensão na Rússia no momento. "Eu estava sonhando com Putin durante toda a noite", um amigo me disse em Moscovo. "Eu sonhei que tinha sido sequestrado e estava a caminho de algum lugar."

É verdade, o canal NTV exibiu imagens na sexta-feira da reunião de Putin com o presidente do Supremo Tribunal Vyacheslav Lebedev na sua residência presidencial de Novo-Ogaryovo nos arredores de Moscovo. Mas, como não havia nenhuma prova que fora filmado na sexta-feira, fez parar pouco os rumores. Afinal, o Kremlin já tinha sido pegado de surpresa uma vez antes desta semana, quando tentou passar fotografias antigas como fossem novas como forma da evidência das atividades de Putin.

Assim, quando uma fila de camiões misteriosos foi fotografado fora dos muros do Kremlin na sexta-feira, e cadeiras para centenas de pessoas foram retiradas, da Praça Vermelha, a fábrica de boatos entrou em ritmo novamente. Alguém rapidamente emendou junto das filmagens de Putin dizendo "e apagou-se", sobre uma encardida batida hip-hop, e carregou o clipe no YouTube.
Algo estranho está acontecendo fora do Kremlin, em Moscovo. Havia até 9 camiões, 3 dirigidos no
 interior

"Será que ele realmente se apagou?", Perguntou um usurário do Facebook. Mas os camiões e as cadeiras que se viram, são para um concerto para comemorar o primeiro aniversário da anexação da Criméia pelo Kremlin. "O que vocês estão falando?", Perguntou um outro usurário do Facebook. "Putin está bem, você não sabe? Ele já se encontrou com o presidente do Quirguistão na segunda-feira. "

Será que Putin finalmente se mostrará na segunda-feira? Ou será que o mistério se aprofundará? Tudo será revelado após o fim de semana. Isto é, evidentemente, se não houver antes reviravoltas nesta. Continue assistindo a Rússia.

Este artigo foi publicado originalmente no Vocativ. Direitos de autor 2015. Siga Vocativ no Twitter.
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clipe 

Se Putin está morto ou incapacitado, aqui estão os três cenários os quais podem acontecer a seguir

O presidente russo, Vladimir Putin compareceu a reunião com o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi no Kremlin, em Moscou, em 05 março de 2015.

Radio Free Europe/Radio Liberty ROBERT COALSON  RADIO FREE EUROPE/RADIO LIBERTY
13 de Marco 2015, 04:39
BUSSINESS  INSIDER
Durante uma década e meia, Vladimir Putin tem se sentado na parte superior de um sistema político fechado, hierárquico, e baseado numa personalidade que não permite nenhuma competição.

Como resultado, as pesquisas de opinião na Rússia rotineiramente mostram ao público que vê "nenhuma alternativa" para a liderança de Putin.

Então, o que aconteceria na Rússia se Putin de repente e sem aviso deixassasse o palco político?

Ao longo dos últimos dias, temos visto uma ansiedade que mesmo sendo um rumor de um evento como este poderia se produzir na Rússia e em todo o mundo.

Se Putin é o garante da estabilidade na Rússia, em seguida, fazer-se um cenário sem Putin implica automaticamente instabilidade - e até mesmo uma instabilidade violenta?

O Cenário Constitucional

Formalmente, é claro, a Rússia tem uma constituição e um processo para lidar com a incapacidade do presidente. O artigo 92 da Constituição russa afirma que, se o presidente ficar incapaz de cumprir os deveres do seu cargo - embora o processo para o declarar incapacitado não é claro - o primeiro-ministro se tornaria como presidente interino e uma nova eleição presidencial seria realizada dentro de três meses.

O presidente em exercício não tem o poder de dissolver a Duma, agendar um referendo, ou alterar a Constituição.

Segundo a lei eleitoral russa, cada partido representado no Estado Duma - Rússia Unida, o Partido Comunista, o Partido Liberal Democrático da Rússia, e A Rússia Justa - teria o direito de indicar um candidato. 

Outras partes teriam que se virar para reunir as necessárias 100.000 assinaturas e levá-las para aprovação pela Comissão Eleitoral Central num período muito apertado.

Primeiro-ministro russo Medvedev

Então, se Putin inesperadamente saisse de cena e a constituição fosse seguida à letra, o primeiro-ministro Dmitry Medvedev voltaria ao Kremlin e uma eleição competitiva teria lugar em três meses.

O Cenário de Consenso

É claro que uma transição tão suave e legal do poder é improvável na Rússia.

Nos tempos soviéticos, pesos pesados da política lutaram nos bastidores até que um sucessor emergiu através de alguma alquimia comunista insondável.

Mais recentemente, quando o presidente Boris Yeltsin decidiu se aposentar, políticos do meio chegaram a um consenso e produziran a candidatura inimaginável de Vladimir Putin como seu sucessor. 
Eles então usaram uma combinação das suas operações financeiras, administrativas e recursos de mídia para obter a sua eleição.

O círculo íntimo de Yeltsin, apesar das suas divisões, teve o benefício do tempo na sua decisão.
        
Boris Yelstin, o então presidente e Putin, então presidente e Putin, em Dezembro de 1999

Além disso, eles também tiveram a experiência de chegar a um consenso fundamental semelhante durante o período em torno da eleição presidencial de 1996, quando os grandes oligarcas concordaram em trabalhar juntos para reeleger o Yeltsin doente e cada vez mais impopular.

O Cenário de Conflito

Mas e se o consenso não for alcançado?

Nos termos de Putin, o sistema político tornou-se mais personalizado e centralizado em torno do próprio presidente, que equilibrou as partes em conflito. E ele quase certamente que abafou toda a discussão sobre o que poderia ou deveria acontecer numa era pós-Putin.

Mas as divisões no círculo íntimo de Putin, sempre latentes, tornaram-se mais evidentes com a crise da Ucrânia e se intensificaram desde  27 fevereiro dia do assassinato da figura da oposição Boris Nemtsov.

"Agora, o conflito entre os clãs tornou-se muito seriamente intenso", diz o jornalista e analista Raf Shakirov. "É óbvio que os diferentes grupos estão a empurrar para diferentes caminhos."

A principal falha na linha, diz ele, é entre "falcões" que se tornaram ascendentes devido à crise na Ucrânia e ao confronto da Rússia com o Ocidente e um "grupo liberal" responsável pela economia que preferem um degelo no país e uma reaproximação aoo exterior.

O primeiro grupo, Shakirov diz, provavelmente vai lutar ferozmente em qualquer transição para preservar a sua primazia. "Este grupo entende que, para eles qualquer normalização significaria, não o fim do mundo, mas uma perda de posição", diz Shakirov. "Eles não podem arriscar a perda do poder quase ilimitado que eles têm agora."

Da mesma forma, o analista político Marat Guelman vê o conflito como o cenário provável. Estas são "as pessoas que provaram a ilegalidade, que já se sentem que têm o direito de infringir a lei, para matar", diz ele, em referência aos adeptos da linha dura do Kremlin.

Com reportagem de RFE / Russo correspondentes Serviço de RL Yelena Rykovtseva e Lyubov Chizhova

sexta-feira, 13 de março de 2015

Putin biógrafo: Ele não está morto - mas o caos está a germinar no Kremlin


ELENA HOLODNY
13 de marco de 2015, 15:40
BUSINESS INSIDER
Há algo acontecendo nos bastidores do Kremlin.

O presidente russo, Vladimir Putin não tem sido visto em público desde março 5. (Video com Putin em 13 de março não foi ao vivo.)

Os analistas estão especulando que a sua ausência sugere que pode haver uma luta de poder por detrás disso tudo. 
E parece que o assassinato de Boris Nemtsov poderia ter sido o catalisador de tudo isto.

Em 12 de março, informou a Reuters que o assassinato da figura da oposição Boris Nemtsov tem "exposto, raramente, visiveis tensões entre os diferentes campos no interior do sistema de governo do presidente Vladimir Putin."

"Alguns dos associados de Nemtsov dizem que o seu assassinato está sendo usado por uma facção para enviar uma mensagem a Putin que eles estão infelizes e precisam que seja contada", informou a Reuters.


Adicionalmente, o ex-conselheiro de política económica de Putin e bolsista sénior e actualmente no Instituto Cato, Andrey Illarionov, escreveu no seu blog que a ausência continuada de Putin sugere um golpe palaciano.

Business Insider estendeu a mão para Alexander Rahr, analista político alemão que foi biógrafo de Putin e aconselhou o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Hans-Dietrich Genscher nos seus esforços para ajudar a garantir a libertação de Khodorkovsky, o que ele pensava sobre o que está acontecendo nos bastidores.

Ele disse que facções dentro da estrutura do poder se tornaram visíveis, há provávelmente que haver algumas mudanças de poder superiores, e que "brigas pela posição número dois" - aka Medvedev - ter "explodido"

O público nunca pode saber o que está realmente acontecendo por detrás na estrutura do poder de Moscovo e por detrás da ausência de Putin.

O seguinte foi ligeiramente editado para maior clareza e traduzido do original russo pela Business Insider.

Business Insider: O que exatamente está acontecendo agora com Putin?

Alexander Rahr: Putin não está morto. 
Toda esta informação incorreta é da imprensa ucraniana. 
Na próxima semana, ele vai reaparecer. 
Ele apenas tirou férias por uma semana. 
Ninguém disse nada sobre isso, porque é difícil de explicar para o público.

BI: E o que está acontecendo com Medvedev - alguém tem relações más com ele? 
Tenho notado muitas das tentativas de reformas que ele fez foram alteradas após Putin ter regressado à presidência.

Rahr: Durante a sua presidência, Medvedev dividiu a poderosa elite, o siloviki [nota BI: "Siloviki" é um termo russo para os políticos da segurança ou serviços militares, como o FSB ou KGB soviéticos] perdeu a sua influência. 
Agora eles estão a recuperar. 
Medvedev decide quase nada, mas Putin não vai demiti-lo, porque para Putin, não há outra pessoa mais leal do que Medvedev.

Não haverá grandes mudança superiores [no Kremlin], mas haverá algumas. 
Eu acho que eles vão expulsar o procurador-geral [Yury Chaika]. 
O chefe do MVD [Ministério da Administração Interna Vladimir Kolokoltsev] vai perder seu posto. 
Eles podem trazer de volta [o economista russo, ex-ministro da Economia e Comércio, e atual presidente do Sberbank German] Gref em vez do [primeiro vice-primeiro ministro do gabinete de Medvedev] Shuvalov.


BI: Você mencionou num comentário no Facebook que "lutas sobre a posição No. 2 explodiram!" - Que é sobre Medvedev, correto?

Rahr: Sim. 
A única coisa é que a batalha entre facções diferentes agora se tornaram perceptíveis. Alguém quer se livrar rapidamente de Medvedev. 
Afinal, se algo acontecer com Putin, Medvedev então automaticamente se torna o presidente em exercício ...

BI: E o que você diria qual é o estado de espírito no Kremlin depois do assassinato de Nemtsov?

Rahr: Nemtsov foi assassinado da mesma forma como a [jornalista] Politkovskaya. 
Os chechenos e pessoas das estruturas de siloviki. 
Eu acho que Nemtsov irritou demasiadas pessoas - os nacionalistas na Donbass e os islâmicos na Chechênia. 
Assim como Politkovskaya.

sábado, 7 de março de 2015

Gone with the Leviathan, ou O Teriberki azul Insustentável

Gone with the Leviathan, ou 

O Teriberki azul Insustentável

RÚSSIA 
2015/01/20
Bigkcha enviou fotos de Michael Mordasova da aldeia de Teriberka que está localizada na região de Murmansk, no Mar de Barents - que foi onde o diretor  Zvyagintsev filmou "Leviathan", onde a personagem principal, um mecânico de automóveis Nicholas, comparado ao Jó bíblico (e constantemente bebendo vodka). 
Zvyagintsev à retratado a realidade da província russa para que a fita de muitos russos não seria como no filme, e foi acusado de Russophobia. 
Hoje Bigpikcha mostra fotos e notas da viagem que Michael enviou de Teriberki.


A aldeia de Teriberka está dividida em duas partes: a antiga Teriberka, onde foi filmado o filme e onde era a casa do protagonista Kohli e Lodeinoe cidade onde a fábrica de peixe está localizado. Os moradores referem-se à primeira parte à antiga Teriberke, e à segunda - a nova. Neste quadro uma visão da antiga Teriberka no lugar onde ficava a casa Koli.


Na parte antiga da vila são na sua maioria casas antigas de madeira e um pouco de tijolo, na parte nova, quase todas construídas de tijolo e cimento. Trabalho na aldeia não há quase nenhum Teriberka - aldeia meia-abandonada. As estradas, no entanto, estão bem limpas. Quase nenhum lixo, mas um monte de casas, prédios abandonados e barcos.




Eu fui capaz de me reunir com o chefe do município de Teriberki, Tatiana Trubilin. Ela disse que esteve apenas os primeiros 15 minutos do filme, e queixou-se que à aldeia vem um monte de jornalistas com o desejo de mostrar a pobreza. "Mostrar que temos pessoas boas, seria mais positivo".  - diz ela, e pedem para ela ver se eu estava lá "nasnimal", e se ela não gostar, excluí-la-emos. Trublin conhece o enredo do filme e queixou-se de que as pessoas não percebem que, de fato, as autoridades não podem simplesmente demolir a casa velha. "Aqui temos registadas mais de 1.100 pessoas, e é o lar de cerca de 900 que do aconchego das suas casas, não podem sair, e nelas não podemos tocar. Num dos últimos episódios a demolição da casa, o proprietário deu a casa ao tribunal e processou em cerca de seis milhões de rublos. Porque as casas estão caindo aos poucos, mas vamos resolver o problema. " TRubilin diz que o filme não é, certamente, sobre Teriberka, mas em tudo sobre o interior da Rússia. As suas palavras perturbaram Serebryakov (Alexei Serebryakov, o personagem principal no filme - Aprox. Ed). Que na sua aldeia se bebia. "Alimentos das mãos da Rússia, e outras coisas sidde sobre ela, - o chefe da aldeia fica furiosa que o actor vive no Canadá e trabalha na Rússia. - Eu o teria proibido de trabalhar aqui. Ede desde que todos os dias aqui vive, entrou na loja para comprar vodka, às vezes até mesmo alguém do local, solicitou uma caixa de vodka que trouxeram para ele. Nós o conhecemos de lá, e que poderia ter ajudado, mas eles são agora tão maus sobre o que eles dizem sobre nós."



Início de Poselkovay a árvore de Natal


Vista da baía e do Mar de Barents.


Perto da entrada da casa onde eu aluguei um apartamento pela tarde skiavam duas pessoas. O único ringue de patinar em Teriberke próximo da escola alguns dias estava conberto de neve, assim as crianças usam patins e saiem para a estrada. A neve estava tão duramente comprimida que os cavalos não caíam, e raramente se andava de automóvel - três a cinco carros por hora.


Vista da fábrica de peixe.



Eu falei com uma enfermeira reformada agora os hospitais de Teriberki (na foto) estão fechados. Ela viu o filme no youtube antes de ser retirado. "Zvyguntsev transmitiu com muita precisão a nossa vida de hoje, bem contada sobtre o local e Teriberka. Eu penso que os actores não poderiam mesmo levá-la, bastava levar os moradores, e eles viverem as suas vidas - assim como os actores tê desempanhado". A enfermeira disse que o filme deve ser mostrado a todos, especialmente a Putin e Medvedev, para que eles possam ver como a autoridade local "arruinou tudo". Também me parece que o director mostou a vida em Teriberke muito "inteligente" devastação e lama quase que nunca desapareceu. "A principal personagem da casa tem uma casa de banho, e tenta tansformar em nossas casas - assustador quando depois da guerra. Na minha casa, por exemplo, ao terceiro dia já não havia água", disse ela. 





"Eu não vi a rodagem do filme,. mas vi os artistas - que andaram sempre pela cidade. Eu quero ver o filme, eu quero comprar o disco. Fico feliz que o filme está terminado. Zubkov, Peter S., nasceu aqui. "


Cemitério de navios velhos.





Hoje reuniu cerca de trinta pessoas, cinco deles estavam bêbados. Mas, surpreendentemente, um bêbado arenta e cinco anos foi para a biblioteca. Lá, eles tomaram cerca de quinze livros - muitos têm os levado.





Se você não der importância às casas velhas e danificadas. É muito bonito. Natureza bela do Norte: muita neve dum branco puro, tranquilamente, montanhas baixas severas, o mar vem acasalar. Dias pequenos e o sol não é visível, mas a cor do céu muito próprio do mais fundo do indigo ao rosa delicado e alaranjado vivo. A noite, mesmo na cidade são claramente visíveis as estrelas. E auroras





Aqui é fortemente sentido de que a natureza do nosso poderoso: foi-nos para nós, agora e para os que virão depois de nós. Haverá ainda nuvens baixas no céu azul, o mar vai quebrar nas rochas, o sol vai ser gentilmente quente nas prais de areia e pequenos lagos e animais - há bagas e ervas baixas do norte.