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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Venezuela: no hospital público onde nada funciona

Venezuela
02 Set 2018
"Não há água" e "casa de banho só para pacientes neste quarto", lê-se num hospital de Caracas.

Visita àquele que é comummente considerado o melhor hospital público de Caracas. 
E a Iolanda, que aguarda por uma operação a um aneurisma cerebral.

Entrámos clandestinamente. 
Se o disséssemos não nos permitiam a entrada. 
Há coisas que não se mostram. 
Escolhemos aquele que é comummente considerado o melhor hospital público de Caracas, o Hospital Dr. Miguel Perez Carreño. 
Tudo impressiona, mas talvez o mais chocante é ver gente à espera... da morte. Aparentemente sem sinais de indignação. 
Talvez por falta de esperança ou de forças. 
E, em muitos casos, esta gente, se fosse tratada, podia ter alta.

Ainda não é hora de visita, mas entramos facilmente. 
"Levo o almoço", explicou o marido da paciente que íamos ver, à entrada. 
"E tu?", perguntam-me. 
Limitei-me a mostrar um pequeno aparelho respiratório que levava num saco de plástico. Tinha medo de me denunciar com a fala. 
Pelos vistos, o mais comum é levar medicamentos, algum equipamento ou comida aos doentes. 
As refeições do hospital são intragáveis. 
O pequeno-almoço pode ser um chá vermelho, que ninguém sabe identificar e uma arepa sem recheio. 
O almoço, também servido diretamente na bandeja, não é melhor. Esparguete branco. Sem mais. A ementa desse dia compreendia ainda um sumo natural que chegou azedo. Estava calor.

Só à saída nos revistaram a mochila (explicam-me que há quem tente "levar" algum equipamento hospitalar). 
À entrada seguiu-se apenas um gesto para passar. 
Subimos as escadas. 
Dos inúmeros elevadores, no grande hospital que já foi uma referência em toda a América Latina, apenas dois funcionam, um deles para as urgências. 
Iolanda (nome fictício, a identidade, pede-me, só pode ser divulgada depois de terminar o pesadelo, ou seja, depois da operação e do processo de recuperação, até lá nada) aguarda-nos sentada numa das sete camas da enfermaria. 
Um quarto pequeno para tanta gente, sete doentes e muitas visitas. 
A unir aquelas pacientes - nunca este nome foi tão apropriado - o mesmo diagnóstico, aneurisma cerebral. 
Aguardam cirurgia. 
Uma delas há mais de um ano.
O almoço dos pacientes do hospital público de Caracas: esparguete sem molho e sumo natural, que chegou azedo.

Junto à janela, num fogão elétrico, duas panelas libertam vapores. 
Sim, há quem cozinhe na enfermaria. 
No interior, numa casa de banho com a porta aberta, salta à vista um recipiente cheio de água na base do duche. 
Serve para as limpezas, incluindo da sanita. 
As falhas na distribuição de água canalizada são regulares. 
Melhor dizendo, a distribuição de água tem hora marcada. 
Apenas duas vezes por semana, apenas algumas horas. 
Num hospital, no melhor hospital público de Caracas. 
"O melhor porque funciona. 
Funciona, ponha entre aspas", explica Iolanda. 
De meia-idade, magra, Iolanda tem dois filhos, um casal, a menina de 8 anos e o rapaz já na universidade. 
Tem também a mãe em casa, com 80 anos.
"Há gente que vem do interior do país. Ficam sem ninguém por perto para ajudar. Há gente que morre por não ter resposta"
Trabalhava na empresa do marido quando percebeu que algo de grave se passava. Explicaram-lhe que era um aneurisma cerebral. 
Foi em janeiro. 
Aguarda, desde então, por uma cirurgia. 
Várias vezes adiada. 
Por diversas razões. 
Porque não há sala, porque falta material ou um medicamento... até porque faleceu o médico. 
O tal pesadelo que não acaba. 
Tem de arranjar os medicamentos e todo o material cirúrgico necessário para a operação à cabeça. 
Alguns vindos de fora, como Estados Unidos ou Panamá. 
E sangue, quatro unidades. 
30 milhões de Bolívares cada, o preço da altura em que o salário mínimo rondava os 2,5 milhões... 
A inflação não para. 
E, como se não bastasse, tinha também de contratar um anestesista, de fora, pois, o hospital não tem. 
Pago à parte.
O pequeno-almoço dos pacientes do hospital público de Caracas: uma arepa e um chá vermelho.

Até agora já gastou mais de mil dólares, muitos milhões de bolívares, no mercado paralelo. Os orçamentos que pedem - devido à hiperinflação - só valem, no máximo, por três dias. Não foi para uma clínica privada porque não tem posses e também tinha de levar as mesmas coisas, além de pagar a diária. 
Muito dinheiro. 
Sente que já não vive.

Já quis abandonar o hospital, mas os filhos e o marido conseguiram dissuadi-la. 
Entretanto, enfrentou uma depressão. 
Superou. 
Os filhos precisam dela, ainda. 
Quando fala dos filhos não consegue evitar a emoção. 
Choramos todos. 
"É meu ponto fraco" assume enxugando as lágrimas. 
É o ponto forte, diria eu. 
Sabe que tem a casa "de pernas para o ar, mas são valentes".
"Escreve. Escreve que, se houver mais sanções ao país, quem sofre não é quem manda, mas gente como a minha mulher"
Diz quem a conhece que Iolanda era a batuta de casa, o pilar da família. 
Uma dor de cabeça em janeiro mudou tudo. 
O calvário começou desde que entrou naquele hospital. 
Sabe que tem um vaso dilatado na cabeça que, a qualquer momento, pode rebentar e ser fatal. 
Uma espada de Dâmocles sobre a cabeça, permanente. 
"Peço a Deus que livre as pessoas de caírem nisto", diz. 
"Há gente que vem do interior do país. 
Ficam sem ninguém por perto para ajudar. 
Há gente que morre por não ter resposta." 
Desde que está hospitalizada Iolanda viu duas colegas de quarto serem operadas. 
Uma delas aguardava há um ano. 
Um ano de não vida.

O marido de Iolanda despede-se. 
Tem de ir trabalhar. 
"Mucho gusto, Nicolás, mas não és Maduro", tenta brincar com o nome. 
E deixa um pedido: "Escreve. Escreve que, se houver mais sanções ao país, quem sofre não é quem manda, mas gente como a minha mulher."


PS.: Iolanda já foi operada com sucesso e com a ajuda de muita gente que contribuiu para pagar as despesas. 
Mas ainda é Iolanda, nome fictício, pois ainda prossegue a sua recuperação.

CDS quer Governo a apoiar e pagar regresso de portugueses da Venezuela

Venezuela
DN/Lusa  24 Setembro 2018 — 23:44
Um supermercado com as prateleiras quase vazias em Caracas, Venezuela
A "recente evolução da situação na Venezuela é profundamente alarmante", defende o CDS

CDS-PP propôs esta segunda-feira que o Governo adote um "plano de apoio" e pague "as despesas de viagem dos portugueses e lusodescendentes" em "situação de necessidade" que queiram regressar a Portugal devido à crise na Venezuela.

Esta é a primeira das sete propostas que o CDS-PP faz num projeto de resolução com uma recomendação ao governo, liderado pelo socialista António Costa, entregue esta segunda-feira na Assembleia da República, em Lisboa, para ser votado pelo parlamento.

O projeto de resolução não tem força legal, sendo muitas vezes utilizado, politicamente, pelos partidos com recomendações a entidades oficiais, em especial ao governo.

Na descrição do CDS, a "recente evolução da situação na Venezuela é profundamente alarmante", com "fome, miséria, supermercados vazios, crianças subnutridas, falências em 90% das empresas nacionalizadas ou expropriadas, queda de 50% na produção média e perdas generalizadas, escassez de 90% em bens essenciais", numa crise "comparável à crise migratória na Europa".

E face à presença de grande comunidade portuguesa, o CDS afirma, no texto da resolução, que "o Estado português tem a obrigação moral e política em relação aos cidadãos portugueses e lusodescendentes que pretendam regressar e fixar-se em território nacional".

A primeira das sete propostas sugeridas é que o executivo tome "medidas de apoio" a quem quer regressar, "custeando e providenciando as despesas com as viagens" a todos que, "estando numa situação de necessidade" queiram passar a viver em Portugal.

O CDS-PP prevê que esses custos sejam reembolsáveis num prazo razoável e na medida da sua integração e capacidade financeira, de três a cinco anos.

Algumas das outras medidas passam por "garantir a eficácia" nos processos de nacionalidade, ponderar, no Orçamento do Estado de 2019, "eventuais benefícios fiscais" a quem queira regressar ou ainda "agilizar os processos de autorização e residência".


No dia seguinte, na sexta-feira, em Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador venezuelano para lhe transmitir a "grande preocupação" do Governo pela detenção dos 34 gerentes de duas cadeias de supermercados portugueses.

Já esta segunda-feira, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o ministro Augusto Santos Silva teve uma reunião com o seu homólogo venezuelano, Jorge Arreaza.

"Foi uma conversa muito dura. Não foi um encontro diplomático normal. 
Pedi o acesso imediato aos detidos por partes das autoridades consulares e da nossa representação diplomática em Caracas", disse aos jornalistas, em Nova Iorque, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, depois de terminar o encontro com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela.

Santos Silva exige acesso imediato a portugueses presos na Venezuela

Venezuela
Patrícia Viegas   24 Setembro 2018 — 19:38
Ministro dos Negócios Estrangeiros português reuniu-se esta segunda-feira com o seu homólogo venezuelano à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque

Augusto Santos Silva reuniu-se esta segunda-feira com o seu homólogo venezuelano Jorge Arreaza à margem da Assembleia Geral da ONU. 
Em cima da mesa a detenção de portugueses e lusodescendentes gerentes de supermercados na Venezuela pelo regime de Nicolás Maduro.

"Foi uma conversa muito dura. 
Não foi um encontro diplomático normal. 
Pedi o acesso imediato aos detidos por partes das autoridades consulares e da nossa representação diplomática em Caracas", disse aos jornalistas, em Nova Iorque, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, depois de terminar o encontro com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela.

Na madrugada desta segunda-feira, o chefe da diplomacia portuguesa, classificara a detenção dos donos dos supermercados como "uma ofensiva das autoridades venezuelanas contra o setor da pequena e média distribuição".
Prateleiras vazias são o cenário mais comum nos supermercados da Venezuela. Regime de Nicolás Maduro prendeu os donos dos supermercados. Entre eles estão 10 portugueses

Santos Silva anunciou que o secretário de Estado das Comunidades Portugueses, José Luís Carneiro, no início de outubro "para reunir com as comunidades e com os empresários portugueses e para, in loco, aprofundar o conhecimento e a nossa ação nesta situação".


Na sexta-feira passada, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a detenção de 34 gerentes de supermercados por violação da lei. 
10 portugueses detidos ficaram em prisão preventiva, acusados de não respeitarem o preço máximo de venda ao público dos produtos, de açambarcarem e de modificarem os preços de venda, além de terem vazias as prateleiras de carne, frango, arroz e massa. Incorrem numa pena de prisão que pode ir dos dois aos 10 anos de cadeia.

"Várias centenas de milhar" de portugueses e lusodescendentes vivem na Venezuela, referiu Santos Silva, realçando que enfrentam problemas económicos e sociais muito graves, com "problemas de abastecimento básicos de alimentos ou medicamentos".

"Este é talvez o momento mais tenso que Portugal assumiu" com a Venezuela

Venezuela
Susete Francisco    25 Setembro 2018 — 00:05
Santos Silva apontou ao MNE venezuelano uma "linha vermelha" que, a ser passada, terá consequências nas relações entre os dois países. 
Embaixador Seixas da Costa fala num "gesto forte". 
Para o ex-chefe da diplomacia Martins da Cruz, é uma "posição firme".

Augusto Santos Silva subiu o tom com o governo venezuelano, na sequência da detenção de mais de três dezenas de gerentes de supermercados, todos portugueses ou lusodescendentes - dez dos quais ainda em prisão preventiva -, acusados de impedir o abastecimento de produtos básicos e de violarem as leis que regulam os preços, avisando o seu homólogo, Jorge Arreaza, de que as relações entre os dois países podem ser afetadas. Os chefes da diplomacia estiveram ontem reunidos em Nova Iorque, à margem da Assembleia-Geral da ONU, e Santos Silva relatou assim o encontro: "Eu disse ao meu colega que para nós havia uma linha vermelha e que, evidentemente, não haver progressos na superação deste problema teria consequências nas relações bilaterais."

O que significa isto em linguagem diplomática? 
Para Francisco Seixas da Costa, este foi um "gesto forte", um "aviso" do governo português, habitualmente contido nas reações à situação na Venezuela, dada a numerosa comunidade portuguesa no país. 
"Acho que é um sinal importante, é talvez o momento mais afirmativamente tenso com o governo venezuelano que alguma vez Portugal assumiu", reage ao DN o diplomata, atribuindo esta atitude à singularidade de todos os detidos serem portugueses.

António Martins da Cruz, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros em 2002 e 2003, também fala num "gesto forte" de Portugal, um "passo mais numa escalada": Santos Silva "deu o espaço que a diplomacia aconselha que um político dê", dado que "um ministro dos Negócios Estrangeiros não é um diplomata, é um político".

"Acho que o governo está a fazer aquilo que é correto para proteger os interesses dos portugueses na Venezuela. 
Está a esgotar as vias diplomáticas existentes. 
Se fosse eu, teria feito exatamente a mesma coisa", diz o embaixador Martins da Cruz.

Um encontro diplomático não habitual
Anualmente, a semana ministerial da Assembleia Geral das Nações Unidas, que está a decorrer até 28 de setembro em Nova Iorque, é aproveitada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros para reuniões bilaterais com os seus homólogos. 
Podem ser sete, dez, ou até mais num só dia, geralmente de curta duração - 15 minutos a meia hora. 
As missões permanentes dos vários países junto da ONU organizam os encontros e as instalações são preparadas especificamente para estas reuniões, com a montagem de dezenas de pequenas salas e os chefes da diplomacia a passarem sucessivamente de umas para as outras. 
"São 15 minutos para passar uma mensagem", diz Seixas da Costa, sublinhando que estes encontros são, aliás, um bom barómetro das prioridades externas dos países. 
Também por isso são um espaço habitualmente marcado por grande cordialidade.

Ontem, sinal dos tempos nas relações entre Portugal e a Venezuela, Augusto Santos Silva fez questão de sublinhar que "não se tratou de um encontro diplomático habitual". 
"Foi uma conversa muito franca mas muito dura, não escondo isso", referiu o ministro à imprensa, apontando uma "iniciativa administrativa dirigida contra interesses portugueses na Venezuela", nomeadamente contra "a pequena e média distribuição", uma situação que terá sido negada por Jorge Arreaza.

Segundo relatou o chefe da diplomacia, o ministro venezuelano negou qualquer ação contra portugueses, explicando o caso como "uma detenção de gestores ou gerentes que não estavam a cumprir a lei e que, portanto, estavam a açambarcar alimentos ou estavam a impedir que a população tivesse acesso a bens essenciais".

E agora, qual o passo seguinte?
Do encontro terá saído a garantia de "acesso imediato aos portugueses detidos por parte das autoridades consulares e embaixada portuguesa", para que lhes seja "garantida a devida proteção consular". 
No próximo fim de semana, o secretário de Estado das Comunidades estará na Venezuela para avaliar in loco a situação.

Martins da Cruz e Seixas da Costa são unânimes ao considerar que a evolução do diferendo dependerá muito da resposta das autoridades venezuelanas às exigências nacionais. 
"É sempre uma navegação à vista", diz Seixas da Costa, sublinhando que a evolução destes processos depende de cada caso e das circunstâncias do momento. 
"A linguagem poderá vir a adensar-se", acrescenta o diplomata, que afasta de todo um cenário de rutura: "Está absolutamente fora de causa uma quebra de relações com a Venezuela."

Lembrando que o embaixador venezuelano em Lisboa já foi chamado (na última sexta-feira) ao Palácio das Necessidades, Martins da Cruz sublinha que esta é a forma de, pela via diplomática, expressar "ao mais alto nível a preocupação" do governo português, acrescentando que a mensagem é tanto mais forte por ter sido dada notícia pública dessa convocação. 
O passo seguinte - "mais forte" - seria chamar a Lisboa o embaixador português na Venezuela, mas Martins da Cruz defende que é necessário particular cuidado. 
"A meu ver, seria de evitar. 
Temos uma comunidade de centenas de milhares de pessoas que é preciso proteger."

Outra hipótese seria envolver o primeiro-ministro e o Presidente da República na questão - mas esta é uma atitude que "deve ficar guardada" para um momento posterior, se a situação se agravar.

Venezuela: Portugal garante apoio a detidos

Venezuela
Lusa    22 Setembro 2018 — 20:12
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, disse hoje que estão a ser feitas "todas as diligências" para apoiar a defesa dos portugueses detidos na Venezuela, 10 de 34 gerentes de supermercados presos.

Na quinta-feira, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que 34 gerentes de "grandes supermercados" foram detidos por violar a lei. 
Na sexta-feira, em Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador venezuelano para lhe transmitir a "grande preocupação" do Governo pela detenção dos 34 gerentes de duas cadeias de supermercados portugueses. 
O Presidente da República também já se mostrou preocupado.

Hoje, em declarações à Lusa, José Luís Carneiro garantiu que todas as diligências, "do ponto de vista de proteção consular, estão a ser desenvolvidas, tendo em vista garantir o apoio [jurídico] àqueles que estão identificados como cidadãos de origem portuguesa", caso o queiram.

José Luís Carneiro disse ter a informação de que entre os detidos estão sete que nasceram em Portugal e três que são lusodescendentes.

Sobre a mesma questão estão a ser também feitos contactos "a nível mais político", com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal a ter já agendado um encontro com o homólogo venezuelano (nas Nações Unidas, no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa na próxima semana).

Disse o secretário de Estado que houve também já contactos com o vice-ministro das Relações Exteriores e Assuntos Europeus, Ivan Gil, a quem foi transmitida a preocupação de Portugal "perante estas circunstâncias, que colocam em causa a segurança e o bem-estar daqueles que contribuem ativamente e decisivamente para o desenvolvimento da Venezuela".

O próprio secretário de Estado vai em breve à Venezuela, nomeadamente para manter um "diálogo profundo" e "continuar a garantir mecanismos de apoio e proteção àqueles que estão a viver momentos de grandes e profundas dificuldades".

Questionado pela Lusa, José Luís Carneiro disse que de acordo que a informação que tem, ainda nenhum dos detidos foi libertado, havendo um pequeno grupo que ainda não foi ouvido.

"Estão a ser ouvidos, a ser acusados do crime de boicote económico", disse o responsável.

Venezuela: Pelo menos dez gerentes de supermercados portugueses ficam em prisão preventiva

Venezuela
DN/Lusa    22 Setembro 2018 — 20:47
Três redes de supermercados de portugueses acusadas de especulação

Um tribunal da Venezuela decidiu hoje manter em prisão preventiva pelo menos dez portugueses e lusodescendentes, todos eles gerentes de supermercados, acusados de impedir o abastecimento de produtos básicos e de violarem as leis que regulam os preços.

Estes portugueses, segundo fonte judicial, fazem parte de um grupo de 34 gerentes das redes de supermercados Central Madeirense e Excelsior Gama (que pertencem a portugueses) que foram detidos nos últimos dias.

"O tribunal ordenou que permaneçam detidos enquanto decorrerem as investigações", num "processo que ronda os 45 dias", explicou a mesma fonte à agência Lusa.

Os detidos são acusados de não respeitarem o preço máximo de venda ao público de produtos, de açambarcamento e de modificarem os preços de venda, além de terem vazias as prateleiras de carne, frango, arroz e massa.

Segundo a Lei Orgânica de Preços Justos da Venezuela, se forem considerados culpados, poderão ser condenados a penas de prisão de dois a 10 anos.

A agência Lusa tentou, sem êxito, obter mais informação sobre a situação destes portugueses junto de empresários, da direção das redes de supermercados e até mesmo de familiares, temendo estes últimos que qualquer notícia possa prejudicar a situação em que se encontram.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na quinta-feira que 34 gerentes de "grandes supermercados" tinham sido detidos por "violar a lei".

"Tivemos um grupo de supermercados que esconderam os produtos às pessoas e começaram a cobrar o preço que lhes dava na gana", disse, durante um Conselho de Ministros que foi transmitido pela televisão estatal venezuelana.

Na sexta-feira, em Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador venezuelano para lhe transmitir a "grande preocupação" do Governo pela detenção dos 34 gerentes de duas cadeias de supermercados portugueses. 
O Presidente da República também já se mostrou preocupado.

"Todas as diligências"
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, disse hoje à Lusa que estão a ser feitas "todas as diligências" para apoiar a defesa dos portugueses detidos na Venezuela.

José Luís Carneiro disse ter a informação de que entre os detidos estão sete que nasceram em Portugal e três que são lusodescendentes.

Sobre a mesma questão estão a ser também feitos contactos "a nível mais político", com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal a ter já agendado um encontro com o homólogo venezuelano (nas Nações Unidas, no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa na próxima semana).

Disse o secretário de Estado que houve também já contactos com o vice-ministro das Relações Exteriores e Assuntos Europeus, Ivan Gil, a quem foi transmitida a preocupação de Portugal "perante estas circunstâncias, que colocam em causa a segurança e o bem-estar daqueles que contribuem ativamente e decisivamente para o desenvolvimento da Venezuela".

O próprio secretário de Estado vai em breve à Venezuela, nomeadamente para manter um "diálogo profundo" e "continuar a garantir mecanismos de apoio e proteção àqueles que estão a viver momentos de grandes e profundas dificuldades".

sábado, 27 de janeiro de 2018

Venezuela: Onde se encontram as drogas e a diplomacia

STRATFOR Avaliações
                              Venezuela
                              17 de fevereiro de 2017 | 22:02 GMT


Resumo

Os Estados Unidos parecem determinados a tomar uma linha mais difícil na Venezuela.
Em 15 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou o governo venezuelano a libertar Leopoldo López, um político da oposição venezuelana preso desde fevereiro de 2014.
Trump realizou uma reunião no mesmo dia com a esposa de López, Lilian Tintori e Senador dos EUA.
Marco Rubio.
Enquanto isso, surgiram pistas de que os Estados Unidos logo mudarão as novas sanções contra o governo venezuelano para o envolvimento dos funcionários em atividades criminosas.
Mas a Venezuela não aceitará medidas mais punitivas contra seus políticos sem uma luta.

O número de figuras venezuelanas proeminentes que foram acusadas de atos ilícitos está crescendo cada vez mais.
Em 13 de fevereiro, Washington acrescentou o vice-presidente Tareck El Aissami à sua lista de supostos traficantes de drogas.
Os cidadãos e entidades nacionais sujeitos à jurisdição dos Estados Unidos estão agora proibidos de fazer negócios com El Aissami e seu suspeito de negócios, Samaré, José López Bello.
El Aissami não é o primeiro funcionário venezuelano a encontrar-se na lista de "cidadãos especialmente designados" mantidos pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (alojado no Departamento do Tesouro dos EUA).
O ex-presidente do Libertador, Freddy Bernal, o ex-ministro do Interior, Ramon Rodríguez Chacin, e o ex-chefe de inteligência militar Hugo Carvajal também estão presentes.

Venezuela não vai ter a amabilidade de novas sanções norte-americanas contra essas figuras ou os seus pares.
Em vez disso, elite entrincheirada do país vai fileiras provavelmente perto de proteger suas próprias posições de poder, especialmente à medida que lutam para enfrentar os desafios internos urgentes pela frente.
A economia da Venezuela está à beira do colapso, estima-se que a inflação alcance 400 por cento este ano, a produção de petróleo está em declínio e o país corre o risco de incumprimento da sua dívida.
Combinados, esses perigos ameaçam provocar enorme agitação social, desestabilizando ainda mais o país já volátil.

Ainda assim, a capacidade do governo de se unir diante de novas sanções depende em grande parte da quantidade de pressão que os Estados Unidos escolhem aplicar.
Por exemplo, novas sanções podem ser direcionadas ao Petroleos de Venezuela (PDVSA), o petrolífero estatal venezuelano, limitando a capacidade das empresas americanas de fazer negócios com a PDVSA ou o seu grupo de refinação, a Citgo.
Isso, por sua vez, representaria uma ameaça existencial para o governo venezuelano, que depende fortemente da PDVSA para a  sua renda.
Caso isso venha a acontecer, pode haver uma insatisfação suficiente na Venezuela para levar Caracas a repelir as demandas de Washington.

Laços Desmoronados

A orientação ideológica e a localização geográfica da Venezuela transformaram-se em uma dor de cabeça irritante para várias administrações dos EUA.
Enquanto estava no escritório de 1999 a 2012, o presidente venezuelano, Hugo Chavez, permitiu constantemente a expropriação dos ativos das firmas americanas, incluindo a infraestrutura de petróleo e gás natural, sem fornecer nenhuma compensação em contrapartida.
Para piorar as coisas, a Venezuela também atuou como um importante estado de trânsito para a cocaína colombiana indo para os Estados Unidos.

Por mais de uma década, algumas autoridades venezuelanas ainda facilitaram o tráfico de cocaína, um padrão que se tornou mais comum depois que Chávez terminou a maior parte da cooperação com o país Estados Unidos em 2005.
Agora, depois de anos no poder, alguns da elite política da Venezuela encontraram-se em uma posição vulnerável graças a denúncias de improbidade que podem submetê-los a jurisdição dos Estados Unidos.
Sob o ex presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Washington abriu uma série de investigações sobre esses funcionários, agudizando seu relacionamento com a Venezuela, mesmo quando seus laços com o aliado de Caracas, Cuba, melhoraram.
Figuras venezuelanas como El Aissami e o ex-presidente da Assembléia Nacional, Diosdado Cabello, foram submetidos a um minucioso escrutínio por acusações de tráfico de cocaína, enquanto a PDVSA tornou-se alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro.
Os processos abertos durante a administração Obama poderá em breve produzir resultados sob Trump, e é certamente possível que mais líderes venezuelanos seniores serão indiciados ou ser vítimas de sanções nos próximos anos.
No entanto, o que não está claro é se Washington continuará a limitar suas sanções a políticos individuais ou a ampliá-las para direcionar as entidades responsáveis pela atividade criminosa, incluindo as empresas estatais da Venezuela.

Como Caracas vai responder

A administração em apuros da Venezuela se agarra ao poder, apesar da extrema inflação e da escassez de alimentos e suprimentos médicos que atormentaram o país por quase quatro anos.
Na maior parte, a sobrevivência do governo pode ser atribuída a três coisas: um forte aparelho de segurança, uma oposição dividida e um desejo compartilhado entre muitos políticos de usar cargos públicos para ganhos pessoais.

Para ter certeza, o governo venezuelano - embora flexível - continua dividido em facções claras.
Mas os poderosos políticos do país podem temporariamente ignorar suas diferenças diante de uma ameaça comum, incluindo uma administração mais agressiva na Casa Branca.
Sanções adicionais dos EUA e outras medidas punitivas contra certas pessoas, portanto, poderiam realmente juntar a classe dominante da Venezuela.
Por outro lado, se Washington impusesse sanções pesadas a empresas que gerassem uma parcela considerável do dinheiro do governo, daria maior pressão à população venezuelana em geral, apresentando uma ameaça muito real aos líderes em Caracas.
A perspectiva de sanções significativas na PDVSA, por exemplo, pode estimular a Caracas a ceder à sua paralisação com a oposição e concordar em realizar eleições regionais com a esperança de persuadir Washington a não cumprir as medidas.

Tal como está, o poder político na Venezuela é distribuído entre sete facções:
aqueles leais ao presidente venezuelano Nicolas Maduro;
os "órfãos Chavistas" que eram leais a Chávez, mas não se incorporaram plenamente ao governo Maduro;
membros anteriores e atuais das forças armadas em cargos de poder;
membros civis do Partido Socialista Unido da Venezuela;
a facção "4 de fevereiro", que inclui oficiais militares que acompanharam Chávez em suas tentativas de golpe de 1992;
a Frente de Francisco de Miranda patrocinada por Cuba;
e funcionários não afiliados que freqüentemente servem como intermediários entre os grupos.
El Aissami, que não está vinculado a nenhuma facção, também parece estar tentando consolidar o poder suficiente para formar um grupo próprio.

Das facções existentes, os seguidores de Maduro mantêm a maioria dos ministérios (13).
Enquanto isso, a facção militar administra oito ministérios, em grande parte distribuídos entre oficiais aposentados.
Embora a facção de Maduro é um dos mais fortes no governo, o seu governo continua ainda depender da aquiescência de outros grupos, particularmente das forças armadas.
O bloco do presidente também parece cooperar em estreita colaboração com a Frente Francisco de Miranda, embora o último pareça ter perdido influência no governo desde que Maduro substituiu o vice-presidente Aristobulo Isturiz em janeiro.

Apesar dessas diferentes alianças, todas as facções políticas da Venezuela provavelmente se uniriam contra um inimigo comum.
Mas a sua coesão será posta à prova se os Estados Unidos adotarem medidas punitivas mais radicais ou se a agitação social se espalha em resposta ao aumento da inflação ou o padrão da dívida.
Caso Caracas ignore sua dívida, as importações venezuelanas caíram acentuadamente, provavelmente causando protestos generalizados em alguns meses.
Os esforços para conter a agitação podem então ampliar as fissuras dentro do governo, fazendo com que as críticas de Maduro se monitassem à medida que as opções das autoridades políticas diminuíam.

Se os Estados Unidos escolhem endurecer sua posição contra a Venezuela nos próximos meses, seu efeito sobre o comportamento de Caracas dependerá principalmente do resultado das investigações criminais em curso e dos tipos de sanções que podem ser impostas aos culpados.
A eficácia dessas sanções, por sua vez, dependerá de se os líderes venezuelanos se juntarem ou se os problemas domésticos, como inadimplência e agitação, conspirarem para distanciá-los.

Quem vai assumir as grandes massas da Venezuela?

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                              Venezuela
                              1 de agosto de 2017 | 09:00 GMT

À medida que o governo e a economia da Venezuela continuam em calamidade, o país enfrenta uma terceira crise nacional sob a forma de uma crescente migração.
Durante os próximos anos, a Venezuela vai ver a inflação acelerada e agravamento alimentos e medicamentos escassez com nenhuma maneira fácil de sair de seus problemas econômicos.
Dadas essas dificuldades, os venezuelanos provavelmente começarão a deixar o país a um ritmo crescente.

Os venezuelanos insatisfeitos deixaram o país há anos.
Segundo uma estimativa, 2 milhões de cidadãos já partiram desde 1999, o ano de Hugo Chávez tomou posse como presidente.
Muitos desses migrantes que vão para os Estados Unidos, Espanha e Colômbia.
E nos últimos anos, o ritmo das partidas aumentou acentuadamente, com quase 450.000 venezuelanos que entraram na Colômbia apenas nos primeiros quatro meses de 2017 - muitos deles provavelmente permaneceram permanentemente ou se mudando para outro país.

Até recentemente, muitos emigrantes venezuelanos eram membros das classes média e alta do país.
Mas, na esteira da inflação de preços ao consumidor extrema, agitação social e altos índices de criminalidade, que está prestes a mudar.
Venezuelanos mais pobres serão expulsos em números muito mais elevados do que antes.
E embora esta emigração afecte principalmente os vizinhos da Venezuela, como o Brasil, a Colômbia e as ilhas próximas do Caribe, o fluxo de refugiados poderia eventualmente chegar aos Estados Unidos através de rotas de contrabando existentes.

Uma Nova Classe de Emigrante

Os cidadãos mais pobres da Venezuela estão encarando um futuro marcado por uma forte deterioração da qualidade de vida e a migração em massa é quase garantida.
De acordo com o Fundo Monetário Internacional, a inflação na Venezuela pode chegar a 4.000 por cento ano até 2020, impulsionada pelo duplo problema do declínio da produção de petróleo e da disponibilidade limitada de moeda estrangeira para financiar importações.
As pesadas sanções contra o setor petrolífero do país prejudicariam as receitas do governo e agravaram o problema.
Combinado com um mercado negro próspero mas proibitivamente caro, essa inflação aumentará drasticamente a escassez de alimentos nos próximos anos.
E os surtos de doenças transmitidas por mosquitos e outras doenças transmissíveis, como a cólera, juntamente com o aumento dos níveis de criminalidade, devastarão ainda mais a vida dos pobres do país.
Em última análise, diante da ameaça de extremas dificuldades e, em muitos casos, da fome, um grande número de venezuelanos escolherão partir.

Uma série de fatores centrais podem afetar a escala do êxodo.
Uma agitação política severa, como um golpe violento ou uma tentativa de golpe, provavelmente levaria as pessoas do país a um ritmo rápido.
Da mesma forma, o declínio da renda do petróleo, por sua vez, piorará a economia e aumentará o número de emigrações.
E mesmo que o governo do presidente Nicolas Maduro ceda o poder nos próximos anos, qualquer administração posterior, independentemente do partido político, ainda teria que lidar com graves problemas financeiros.
A tendência geral é clara: a Venezuela está à beira de uma migração em massa.

Destinos conhecidos e desconhecidos

Mas onde irão todos esses venezuelanos e como eles chegarão lá?
Ao longo dos últimos anos, as viagens aéreas de e para a Venezuela desapareceram constantemente, impulsionadas pela escassez de moeda estrangeira.
As companhias aéreas têm sido incapazes de receber uma compensação completa para venda de ingressos ao tentar trocar seus bolívares, e por sua vez, eles cortaram vôos, deixando Venezuela com menos conexões aéreas para o mundo exterior.
Principais companhias aéreas como Alitalia, Avianca, United Airlines e Delta Airlines saíram do país, e a American Airlines continua sendo a única operadora baseada nos Estados Unidos que fornece serviços regulares lá.
Além disso, a inflação teve a consequência adicional de aumentar os preços dos ingressos.
Assim, enquanto as viagens aéreas continuarão a ser uma avenida para os venezuelanos partirem do país, a onda de migrantes que se aproxima pode confiar mais nas rotas terrestres e marítimas.

Sem, as viagens aéreas disponíveis a preços acessíveis, os venezuelanos desesperadas irão para países vizinhos como Colômbia e Brasil a pé ou de barco.
E uma vez que a Venezuela faz parte do Mercado Comum do Sul (Mercosul), seus cidadãos provavelmente acharão fácil entrar em outros países membros e permanecerão lá.
Embora a Venezuela tenha sido suspensa do bloco em dezembro de 2016 por violações da carta patente, seus cidadãos mantêm o direito de viajar sem visto para outros países do Mercosul.
Na Colômbia, um membro associado do bloco, o partido político Centro Democrático até propôs um visto humanitário para os venezuelanos, o que tornaria mais fácil para eles para viver e trabalhar lá nos próximos anos.


Um afluxo de venezuelanos para países vizinhos terá, naturalmente, efeitos políticos, que dependem em grande parte de onde os migrantes vão e que pagam por sua habitação e comida.
Centenas de milhares de venezuelanos que fluem para a Colômbia a cada ano, por exemplo, podem prejudicar os serviços e aumentar a concorrência no trabalho a nível local, particularmente em áreas próximas à fronteira.
No entanto, o impacto dos refugiados venezuelanos em seus vizinhos pode ser atenuado se essas chegadas se espalharem por seus novos países ou trânsito para outras nações.
E assistência de agências de ajuda humanitária internacionais, tais como as que operam no âmbito das Nações Unidas, também reduziria os custos nacionais imediatos e aliviar o fardo logístico da habitação e alimentação dos refugiados.

Os estados próximos certamente absorverão a maioria dos migrantes venezuelanos, a maioria dos quais imigrará legalmente.
Mas, dada a sua pobreza relativa em relação aos do passado, muitos emigrantes venezuelanos podem passar para outros países - particularmente os Estados Unidos - ilegalmente.
Afinal, até mesmo empregos de serviço relativamente pouco qualificados nos Estados Unidos são muitas vezes mais lucrativos do que os da América Latina.
E já existe uma rota de contrabando através da Colômbia operada pela Autodefensas Gaitanistas de Colômbia.
Os migrantes da África e do Sul da Ásia usam o caminho para alcançar a América Central e o México antes de eventualmente atravessar a fronteira sul dos Estados Unidos, e os emigrantes venezuelanos provavelmente dependerão dessa rota também.
Dentro de alguns anos, os Estados Unidos poderiam ver os venezuelanos constituindo uma parte muito maior daqueles que atravessam a fronteira dos EUA ilegalmente, apesar da distância do país da Venezuela.

Ao longo das últimas duas décadas, emigrar da Venezuela para países fora da sua vizinhança imediata foi em grande parte uma questão de comprar um bilhete de avião e sair com um visto para destinos como os Estados Unidos, Canadá ou Europa.
Certamente, alguns venezuelanos ultrapassaram seus vistos, mas a imigração venezuelana para essas partes do mundo foi amplamente realizada por meios legais.
No entanto, a próxima onda de migrantes será diferente.
Estarão em dificuldades financeiras mais terríveis e não poderão se qualificar facilmente para vistos para deixar o país.
Assim, ao longo dos próximos anos, centenas de milhares de venezuelanos podem ser obrigados a se juntar às fileiras de imigrantes indocumentados no exterior, assumindo todas as dificuldades que tal vida acarreta.