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domingo, 19 de abril de 2015

Um self-made milionário acaba de ganhar eleição crucial da Finlândia

Presidente Juha Sipila do Partido de Centro celebra com sua esposa Minna no partido eleições parlamentares recepção em Helsínquia 19 de abril de 2015, após os resultados das votações.
ELEIÇÕES NA FINLÂNDIA 2015
Abril 19, 2015, 04:49

ANNA ERCANBRACK  e 
JUSSI ROSENDAHL

HELSINQUE (Reuters) - Um milionário ex-executivo de telecomunicações apontado como um tecnocrata capaz de salvar Finlândia a partir da crise económica ganhou as eleições parlamentares de domingo, as previsões de voto mostraram, que ele pode precisar do apoio do partido populista Euro-cético para formar uma coligação.

Previsões da emissora estatal YLE com base em 60 por cento dos votos mostrou o líder as oposição do Party Centre Juha Sipila, que tem o apoio da classe média urbana e os conservadores rurais, batendo os pró-Europa e os pró-NATO do primeiro-ministro Alexander Stubb.

A previsão da YLE Sipila ganhou 46 lugares no parlamento de 200 membros, com centro-direita National Coalition de Stubb com 37 lugares e o centro-esquerda social-democratas, com 37 lugares. O euro cético e anti-imigração Finns Party foi o quarto, com 35 lugares.

"Bem, eu acho que esta diferença será suficiente", disse à emissora MTV3 Sipila quando lhe perguntaram se ele se via como um vencedor após as previsões de voto terem sido transmitidas. 
"Este resultado vai permitir diversas combinações coligações possíveis".

Uma coligação que inclui os Finns Party, anteriormente conhecidos como os Verdadeiros Finlandeses, poderia reforçar a postura da linha-dura da Finlândia sobre os resgates na zona euro, assim como a batalha para o futuro da Grécia no bloco que se aproxima de um clímax.

A previsão YLE provou precisão em eleições anteriores. 
Os resultados finais são devidos a partir de 20:00 GMT (04:00 EDT).

Embora o Finns Party tenha feito pior do que era esperado - as últimas sondagens tinha-lhes um segundo fim - Sipila ainda pode favorecer os populistas sobre os social-democratas de centro-esquerda na construção de uma nova coligação, segundo os analistas.

Sipila disse que está aberto a incluir o Finns Party numa coligação, mesmo que possa complicar os laços com a Europa, porque eles se opõem aos resgates e querem chutar a Grécia da zona euro para fora.

"Se Os finlandeses forem para o governo, eu acredito que a política da Finlândia em relação à Grécia vai mudar. 
Ela vai mudar para melhor, porque ela não pode ficar pior," líder dos Finns Party repórter Timo Soinitold.

Stubb, que favorece a adesão à NATO para a Finlândia, levou uma coligação de esquerda-direita brigona amplamente responsabilizada para não reavivar a economia e conter o crescimento da dívida pública depois de três anos de recessão.

O Partido do Centro estava no poder há muitos anos após a Segunda Guerra Mundial. 
Mas Sipila, que favorece a austeridade e o bem-estar de recorte, é principalmente uma incógnita.

Respeitado como um homem de negócios em empresas iniciantes das telecomunicações, as bases rurais do seu partido é conservadora. 
Ele próprio é um membro da "Palavra de Paz", que faz parte de um movimento de avivamento luterano que se diferencia dos líderes mais seculares orientada por políticos.

A economia finlandesa tem sido atingida por um fraco consumo privado e com a turbulência na vizinha Rússia, um importante parceiro comercial.

A economia deverá crescer apenas 0,5 por cento em 2015, de acordo com o Ministério das Finanças. 
A nova coligação é visa um corte dos gastos públicos e a realização de reformas estruturais difíceis para conter o endividamento.

Com uma tradição de ter coligações maioritárias, a próxima coligação liderada pelo Partido do Centro da Finlândia provavelmente incluirá dois dos três finalistas. 
Mas as negociações do governo poderão durar várias semanas.

Tradicionalmente, o partido segundo colocado é premiado com o cargo de ministro das Finanças na coaligação governista futura.

Todos os principais partidos se comprometeram com alguma austeridade e reformas estruturais, algumas insistem sobre o estado de bem-estar, outros sobre o aumento do investimento ou a redução da burocracia.

(Reportagem de Alistair Scrutton)

Primeiro-ministro finlandês admite derrota para maior partido da oposição

Segundo projeções da YLE, citadas pela agência noticiosa AFP, o Partido do Centro deverá eleger 46 dos 200 lugares no parlamento

ELEIÇÕES NA FINLÂNDIA 2015
Agência Lusa
21:24 19 de Abril de 2015
O líder do Partido do Centro, Juha Sipila, um milionário de 53 anos, deverá ser o novo primeiro-ministro da Finlândia.

O primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, admitiu a derrota do Governo de direita que lidera nas eleições legislativas deste domingo, que deram a vitória ao principal partido da oposição, o Partido do Centro. 
“Parece que o Partido do Centro ganhou. 
Parabéns”, afirmou Alexander Stubb à rádio e televisão pública YLE, quando estão contados 70% dos votos.

O líder do Partido do Centro, Juha Sipila, um milionário de 53 anos da área das tecnologias de informação que recentemente enveredou pela política, deverá ser o novo primeiro-ministro da Finlândia.

Segundo projeções da YLE, citadas pela agência noticiosa AFP, o Partido do Centro deverá eleger 46 dos 200 lugares no parlamento, seguido do Partido Social-democrata e da Coligação Nacional de Alexander Stubb, cada um com 37 lugares, enquanto o partido eurocético finlandês (‘Verdadeiros Finlandeses’) conseguiu 35 lugares parlamentares.

A primeira tarefa do novo primeiro-ministro finlandês será a escolha dos parceiros de coligação para formar um Governo com maioria no parlamento. 
Juha Sipila ainda não revelou com que partidos gostaria de colaborar e são esperadas várias semanas de negociações antes de conseguir apresentar um Governo.


Eleito para o parlamento em 2011, Juha Sipila tornou-se o líder do Partido do Centro em 2012 quando era um desconhecido da maioria dos finlandeses. 
No entanto, o seu partido, que está na oposição desde 2011, tem sido uma força dominante da política finlandesa, e conseguiu eleger 12 primeiros-ministros e três presidentes.

Depois das eleições de domingo, a Finlândia vai provar o remédio que mais receitou: a austeridade

O primeiro-ministro da Finlândia, Alexander Stubb, tem sido um dos mais acérrimos defensores das políticas de austeridade em países como Portugal e a Grécia.

ELEIÇÕES NA FINLÂNDIA 2015
João Almeida Dias
18/4/2015 22:00
Coligação pró-austeridade deve incluir os eurocéticos do Partido dos Finlandeses. Ao Observador, um candidato do partido diz que, com eles no governo, "não haverá apoio a nenhum resgate grego".

Do “milagre finlandês” à “década perdida” foram poucos anos. 
A primeira expressão remete para o livro “The Finnish Miracle”, de 2011, no qual o autor canadiano André Noël Chaker conta a história de sucesso da Finlândia, líder de rankings internacionais que até foi considerado o melhor país do mundo pela revista norte-americana Newsweek. 
A segunda expressão é de 2015 e saiu da boca do primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb. 
Ele próprio, que elogiou o livro de Chaker aquando do seu lançamento, tem falado desta “década perdida” várias vezes durante a campanha para as eleições legislativas de 19 de abril.

A Finlândia vai a votos este domingo, 19 de abril, com números pouco motivadores. 
Depois de três anos em contração do PIB, está previsto o crescimento económico fixar-se nos 0,5% em 2015 — a nível europeu, só a Itália e o Chipre deverão ficar abaixo dessa marca. 
O desemprego já chegou aos 10,1%, número que só encontra par em 1999.

Longe vão os tempos em que a Nokia, cujo negócio na área dos telemóveis foi comprada pela Microsoft em 2014, era o símbolo de uma Finlândia plenamente próspera. 
Na década de 2000, antes de ser ultrapassada por empresas como a Apple e a Samsung, a Nokia chegou a representar um quinto das exportações finlandesas e contribuía para 4% do PIB. 
Em 2013, não passou dos 0,4%. 
A indústria do papel, outro dos alicerces da economia deste país densamente florestado, tem vindo a perder a batalha contra a tecnologia (leia-se, computadores e tablets, a maior parte de marcas que não a Nokia) e a competição de outros países, como a China. 
Mais recentemente, 10% das exportações finlandesas foram cortadas pela raiz graças à aplicação de sanções à Rússia por parte da União Europeia (UE).

Austeridade em casa…

Por tudo isto, a ideia de que a Finlândia precisa de aplicar medidas de austeridade parece ser consensual entre os partidos que podem chegar ao poder. 
Na linha da frente das sondagens está o Partido do Centro (24%), seguindo-se a líder do governo Coligação Nacional (16,9%), depois os eurocéticos do Partido dos Finlandeses (16,7%) e finalmente o Partido Social Democrata (15,1%). 
De todos, apenas este último se opõe, embora de forma genérica, a políticas de austeridade na Finlândia.

Em declarações ao Observador, Niklas Helwig, do Instituto de Relações Internacionais Finlandês, aponta que, uma vez que qualquer destes partidos está longe de chegar a uma maioria sozinho, “a coligação mais provável a sair daqui será uma com o Partido do Centro à frente, que contará com a ajuda da Coligação Nacional e do Partido dos Finlandeses”. 
A estes ainda se pode juntar o Partido Sueco, representante da minoria de falantes de sueco naquele país.

Em qualquer cenário, deverá ser Juha Sipilä que vai comandar a política finlandesa. 
Sipilä, um milionário que fez fortuna no setor da telecomunicação e no da bioenergia, tem conquistado a preferência do eleitorado ao passar a imagem de um tecnocrata bem-sucedido que está preparado para gerir o país como se este fosse uma empresa. 
“Acho que esta situação é pior do que a do início dos anos 90 [quando o país entrou em recessão entre 1990 e 1993, com o desemprego acima dos 12%] porque não temos nenhuma grande perspetiva neste momento. 
Não fizemos as grandes reformas durante as melhores alturas e agora elas vão ser difíceis de fazer nas piores alturas”, disse ao “Financial Times”.

Para já, a principal promessa eleitoral de Sipilä é a criação de 200 mil postos de trabalho no setor privado ao mesmo tempo que serão cortados 2 mil milhões de euros de despesa no público. 
Para chegar a este número, é provável que o sistema de saúde seja um dos mais afetados. Sem números significativos de imigração e com uma taxa de natalidade baixa, a Finlândia está a braços com um grave problema envelhecimento populacional. 
19,07% dos finlandeses tem 65 anos ou mais, tornando este país no quarto mais envelhecido do mundo, segundo números da OCDE. 
(Portugal, já agora, vem logo a seguir, em quinto, com 18,72% de idosos)

Outra meta que Sipilä pretende alcançar é o decréscimo do défice orçamental de 3,4% em 2014 de modo a que fique abaixo do 3% fixados pelo Tratado Orçamental da zona euro. 
Já a dívida externa deverá ultrapassar este ano os 60%, teto máximo definido pelo mesmo documento.

… e fora de portas

A Finlândia tem sido dos países mais exigentes no que diz respeito à exigência de aplicação de medidas de austeridade no Sul da Europa. 
Numa entrevista à Deutsche Welle em fevereiro, dias antes o primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, admitiu estar com “pouca paciência” para o governo grego. 
Na sua opinião, Atenas tem apenas uma opção: “Respeitar os seus contratos e obrigações. É nisso que a integração europeia consiste”. 
Dias depois dessa entrevista, a Grécia conseguiu uma extensão do empréstimo até junho, após acordar com o Eurogrupo um conjunto de reformas.

Ainda menos diplomático do que Stubb é o Partido dos Finlandeses, anteriormente conhecido internacionalmente como Partido dos Verdadeiros Finlandeses. 
Ao telefone com o Observador, Sampo Terho, eurodeputado desta força política que agora se candidata a um lugar de deputado no seu país, explica a mudança de nome. 
“O nome antigo dava a ideia de sermos muito chauvinistas, como se fôssemos um partido de extrema-direita, quando na verdade nós somos antes um partido de centro.”

Nas eleições de 2011, o partido liderado pelo controverso Timo Soini tornou-se na terceira força política na Finlândia, após conquistar 19,1% dos votos. 
Em Portugal é recordado pela forte oposição ao financiamento do plano de resgate assinado em maio de 2011, que acabou por ser aprovado em parlamento com o voto contra do então Partido dos Verdadeiros Finlandeses. 
O caso também ficou celebrizado por ter levado a uma badalada troca de galhardetes entre Portugal e a Finlândia no YouTube.



Agora, em 2015, o grande ponto de interrogação cai sobre a possibilidade de um terceiro plano de resgate grego. 
Terho, que é uma das figuras de proa do Partido dos Finlandeses, deixa uma garantia ao Observador quanto a esse assunto: “Connosco no governo não haverá apoio a nenhum resgate grego”. 
“Não faz sentido estarmos a mandar dinheiro para países que não conseguem pagar as dívidas deles. 
Eles têm de declarar falência e a partir daí lidar com a situação”, avança. 
Fora do euro? 
“Claro.”

A questão grega é uma das que reúne mais consenso dentro da possível coligação entre o Partido do Centro, a Coligação Nacional e o Partido dos Finlandeses. 
Embora o último seja o mais direto no que diz respeito a este assunto, o Partido do Centro também já deixou provas de não ser favorável a que se envie mais dinheiro para a Grécia. Em 2012, quando o parlamento finlandês aprovou o segundo resgate grego, os centristas votaram contra, juntamente com os eurocéticos. 
Por isso, é pouco provável que venham apoiar um terceiro.

A não ser, é claro, que a Alemanha seja a favor de mais um memorando para Atenas, explica Helwig, do Instituto de Relações Internacionais Finlandês. 
“A Finlândia irá sempre atrás daquilo que a Alemanha disser. 
Se a Alemanha e outros países, como a Holanda, votarem a favor no Eurogrupo, não vai ser a Finlândia fincar o pé e dizer não”, adianta, completando o raciocínio com o que lhe parece ser uma evidência: “Somos demasiado pequenos para isso”.