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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Poroshenko: “Implementação do acordo de Minsk vai ser difícil”

Angela Merkel diz que acordo de cessar-fogo é uma "luz de esperança".
atualizado
Edgar Caetano
CIMEIRA EM MINSK


Poroshenko preocupado com acordo. 
Angela Merkel diz que cessar-fogo na Ucrânia é uma "luz de esperança", embora considere que "verdadeiro teste" será se o acordo no terreno.

Petro Poroshenko já esteve reunido com os líderes dos 28 no Conselho Europeu desta quinta-feira e mostrou apreensão quanto ao cumprimento do acordo estabelecido com a Rússia, em Minsk. 
Já Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, disse na conferência de imprensa conjunta com o líder ucraniano em Bruxelas que o verdadeiro teste será “um cessar-fogo” no terreno, já que o primeiro acordo de Minsk não foi cumprido e é preciso ter “cautela” na transformação das palavras em atos.
“Vamos continuar unidos, tanto em alturas em que é preciso uma resposta rápida e forte, tanto quando é preciso ajudar a reconstruir a Ucrânia”, disse Tusk em Bruxelas.
A conferência de imprensa aconteceu depois de Poroshenko se ter reunido com os líderes europeus em Bruxelas. 
O presidente ucraniano admitiu que a maratona de negociações na Bielorrússia foi difícil, mas que espera que o processo de implementação deste novo plano também seja “difícil”.

Na conclusão do acordo de cessar-fogo , alcançado esta manhã, Angela Merkel disse que “os atos têm de corresponder às palavras”, apesar de considerar que este acordo é uma “luz de esperança”. 
O Conselho Europeu vai prosseguir e deverá acabar antes da meia-noite em Bruxelas. 
São esperadas conclusões conjuntas dos 28 sobre a situação na Ucrânia.

As declarações à chegada

Donald Tusk diz ter falado um pouco com Angela Merkel, depois da reunião em que a chanceler alemã participou em conjunto com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, o presidente russo, Vladimir Putin, e, ainda, o chefe do Estado francês, François Hollande. Após esse telefonema, Donald Tusk diz-se “esperançoso” mas também “cauteloso”, alertando para o risco de o cessar-fogo, que começa à meia-noite de domingo, poder não ser respeitado no terreno.

Também Angela Merkel já comentou, à entrada na reunião em Bruxelas, a questão da Ucrânia, que salienta ser “o tópico em discussão na reunião de hoje”. 
A chanceler alemã diz que o acordo de cessar-fogo é “uma luz de esperança”. 
Agora, diz a alemã, “os atos têm de corresponder às palavras”.

Além de Tusk e de Merkel, também Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia, comentou o acordo e disse que são “notícias excelentes“. 
Visão um pouco diferente tem o primeiro-ministro da Finlândia, Alexander Stubb, que diz que este acordo é um “acordo ou vai ou racha“.

A crise na Ucrânia é um dos três pontos em discussão nesta reunião do Conselho Europeu que começa algumas horas mais tarde precisamente porque se arrastaram por longas horas as negociações em Minsk, a capital da Bielorrússia.

Acordo em Minsk para cessar-fogo, anuncia Vladimir Putin

ATUALIZADO 201 PARTILHAS
12 Fevereiro 2015
Edgar Caetano
Agência Lusa

CHIMEIRA EM MINSK

Foi o próprio Presidente russo o primeiro a dizer que há um acordo para cessar-fogo na Ucrânia. 
Hollande fala em "grande alívio" mas alerta que não está tudo resolvido.

Vladimir Putin, o presidente russo, disse esta quinta-feira que “há um acordo” para o cessar-fogo na Ucrânia, com efeitos a partir de domingo. 
Duraram cerca de 15 horas a negociação entre os líderes da Ucrânia, Rússia, Alemanha e França e Petro Poroshenko tinha dito que “a Rússia faz exigências inaceitáveis“. 
Estará, assim, atingida uma base de acordo para que seja assinado um acordo de paz na Ucrânia. 
Em Minsk, capital da Bielorrússia, espera-se para as próximas horas uma declaração – que poderá ser separada – e não ainda um acordo total, segundo as agências noticiosas.

@AP
BREAKING: Russia President Vladimir Putin announces a cease-fire in eastern Uktraine midnight Saturday
09:11 - 12 fev 2015



O Presidente francês, François Hollande, confirmou o acordo entre as quatro partes, mas diz-se cauteloso apesar do “grande alívio para a Europa”. 
Citado pela BBC, diz que o acordo traz uma “grande esperança mas não o trabalho todo feito”. 
A mesma opinião foi partilhada por fonte do governo alemão.

As partes concordaram em respeitar a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, de acordo com um comunicado conjunto distribuído pelo Kremlin.

A Associated Press diz que Putin explicou, contudo, que existe um ponto de discórdia entre ele próprio e o presidente ucraniano. 
Em questão está Debaltseve, uma localidade controlada pelos militares ucranianos mas que se situa entre dois pontos importantes controlados pelos rebeldes, pelo que tem sido intenso o combate nesta zona. 
Putin considera que as forças ucranianas estão cercadas e que os rebeldes esperam uma rendição, algo que a Ucrânia rejeita.

Eis o que tinha dito Poroshenko, durante um intervalo ao fim do qual os líderes voltaram a entrar na sala: “Há sempre esperança. 
Estamos em negociações ininterruptas, como podem ver, mas a situação é muito difícil“. 
O ucraniano acrescentou que “Angela Merkel e François Hollande estão a ajudar-nos muito, mas para já a situação é difícil”.

A base de acordo sobre a qual estiveram a trabalhar os líderes incluiria, segundo as agências, um cessar-fogo a partir de 15 de fevereiro, a retirada de artilharia pesada, a criação de uma zona de segurança e a entrega do controlo total da fronteira à Ucrânia até ao final de 2015.

Entretanto, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, confirmou que há um acordo para que o organismo com sede em Washington empreste mais 17,5 mil milhões de dólares à Ucrânia, cerca de 15,5 mil milhões de euros.

Um porta-voz afirmou que a reunião do Conselho Europeu desta quinta-feira deverá começar mais tarde devido ao arrastar das negociações em Minsk, onde estão Angela Merkel e François Hollande.


@ReutersJamie
A MInsk momment
10:01 - 12 feve 2015



Uma “guerra de nervos”

A Ucrânia definiu as “maratonas negociais” em Minsk como “uma guerra de nervos”, referindo-se ao encontro dos seus líderes com os da Rússia, Alemanha e França, com o objetivo de encontrar uma solução para o conflito ucraniano.

“Creio que ainda nos faltam umas cinco ou seis horas, no mínimo. 
Agora entrámos numa guerra de nervos”, escreveu Valeriy Chaly, chefe da Administração Presidencial ucraniana, na sua página de Facebook, ao início da madrugada.

O assessor do Presidente ucraniano, Petró Poroshenko, acrescentou: “Na minha opinião, não podemos sair de Minsk sem um acordo sobre um claro cessar-fogo”.

Poroshenko, o Presidente russo, Vladimir Putin, o líder francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, estão há quase nove horas.

Segundo fontes oficiais, os líderes estiveram reunidos no Palácio da Independência em Minsk. sem assessores de modo a promover a aproximação e, assim, encontrar mais facilmente uma solução para o conflito, que tem assistido a uma escalada de violência.

Os ministérios dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia e da Alemanha catalogaram as negociações de “difíceis”. 
Já o chefe da diplomacia russa, Serguéi Lavrov, classificou-as de “muito produtivas”.