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quarta-feira, 14 de março de 2018

Quando o veneno é a arma escolhida para silenciar vozes incómodas

REINO UNIDO
António Saraiva Lima 
6 de Março de 2018, 18:49 

O alegado envenenamento do ex-espião russo no Reino Unido traz à memória alguns dos casos mais famosos de ataques por intoxicação levados a cabo por motivos políticos.

Na comunicação social britânica ganha cada vez mais força a tese de que o antigo espião russo que em tempos colaborou com os serviços secretos britânicos e que foi internado por "exposição suspeita a substância desconhecida" foi envenenado. 

A entrada de Sergei Skripal num hospital do condado de Wiltshire, em estado crítico, deixou Londres e Moscovo em estado de alerta e trouxe à memória alguns dos casos mais famosos de ataques por intoxicação, executados por motivações políticas.

Levados a cabo através de técnicas mais ou menos engenhosas e protagonizadas por autores mais ou menos anónimos, eis quatro casos que encheram as páginas dos jornais durante semanas a fio e que provocaram crises diplomáticas relevantes:

Kim Jong-nam (2017)

O ataque ao meio-irmão de Kim Jong-un, em Fevereiro de 2017, foi o caso mais recente de agressão através de uma substância tóxica e esteve na origem de uma enorme crise diplomática entre a Coreia do Norte e a Malásia. 
Kim Jong-nam foi exposto ao agente nervoso VX no aeroporto de Kuala Lumpur, que lhe provocou um colapso respiratório e um ataque cardíaco. 
Morreu cerca de 20 minutos depois do contacto com o veneno, vítima de um ataque que terá sido arquitectado pelos serviços secretos norte-coreanos.

Alexander Litvinenko (2006)

Antigo espião russo e membro do KGB, Alexander Litvinenko morreu no hospital, quase um mês depois de ter ingerido polónio-210, um potente elemento radioactivo, dissolvido num chá. 
O ataque teve lugar num hotel no centro de Londres, em 2006 – Litvinenko pedira asilo ao Reino Unido em 2000 –, e a investigação levou à identificação dos seus autores. 
Russos e britânicos envolveram-se num conflito diplomático por causa do assunto, mas o Kremlin rejeitou a extradição de Andrei Lugovoi e Dmitri Kovtun.

Viktor Iushchenko (2004)

O envenenamento do antigo Presidente e primeiro-ministro da Ucrânia, e herói da Revolução Laranja, deixou-lhe marcas visíveis no rosto mas não o matou. 
Viktor Iushchenko ficou subitamente doente durante a campanha eleitoral das presidenciais de 2004 e três meses mais tarde os seus médicos revelaram que tinha sido exposto a dioxina. 
Os rumores de que o veneno teria sido colocado deliberadamente na sua comida por agentes do Kremlin – que apoiavam Viktor Ianukovich nessa eleição – nunca passaram disso mesmo.

Georgi Markov (1978)

As circunstâncias da morte do escritor e dissidente búlgaro Georgi Markov deram corpo a um dos episódios mais bizarros do período da Guerra Fria, ocorrido em Setembro de 1978. Um desconhecido utilizou um guarda-chuva modificado para injectar ricina na perna de Markov, enquanto este esperava por um autocarro numa paragem próxima da ponte londrina de Waterloo. 
O opositor ao Governo comunista da Bulgária sentiu a picada, mas não lhe atribuiu muita importância. 
Quatro dias depois, o veneno cumpriu o seu propósito e o escritor morreu.

antonio.lima@publico.pt

Londres suspeita que Moscovo tentou matar ex-espião com gás de nervos

ESPIONAGEM
Manuel Louro
7 de Março de 2018, 17:12 actualizado a 7 de Março de 2018, 17:49 

Autoridades confirmam que o caso de Skripal está a ser tratado como "tentativa de homicídio”. 
Pai e filha estão em estado considerado crítico.

No domingo, Sergei, de 66 anos, e a filha Yulia, de 33, foram encontrados inconscientes num centro comercial na cidade britânica de Salisbury, onde o russo reside desde 2011. Estão ambos em estado crítico por aquilo que a polícia começou por descrever como “exposição a substância desconhecida”.

“Em resumo, isto está a ser tratado como um incidente envolvendo uma tentativa de homicídio através da administração de um agente nervoso”, revelou agora Rowley, sem avançar com pormenores sobre a substância em causa.

Estas revelações confirmam notícias anteriores do Guardian e do Sun que avançaram, citando fontes não identificadas, que ambos tinham sido envenenados. 
Além disso, o Sun deu conta de que a substância em questão era muito rara e que poucos laboratórios no mundo têm capacidade de a produzir. 
Na base desta convicção estão provas médicas e químicas e os sintomas nas vítimas. 

Também a Reuters e o The Times noticiam que as autoridades, nomeadamente a polícia britânica e o MI5 (os serviços de informação internos do Reino Unido), suspeitam que a Rússia tentou assassinar o antigo agente.

Skripal é um antigo espião que foi condenado na Rússia, em 2006, a 13 anos de prisão por passar informações aos serviços secretos britânicos. 
Em 2010, o Reino Unido concedeu-lhe asilo depois de ter sido perdoado pelo então Presidente russo, Dmitri Medvedev, e de uma “troca de espiões” entre Moscovo e Washington. 
Foi um dos quatro prisioneiros libertados em troca da libertação de dez outros espiões então detidos nos Estados Unidos.

A confirmar-se a responsabilidade da Rússia, seria, pelo que se sabe, a primeira vez que o Kremlin tentaria matar um espião libertado depois de uma troca. 
Além disso, também de acordo com as informações disponíveis, seria a primeira vez que o filho de um alvo seria atingido desde o assassinato do filho de Leon Trotski em 1937, durante o domínio de Estaline.

As suspeitas que começam a pairar sobre o estado de saúde de Skripal são as mesmas que ainda hoje rodeiam as circunstâncias da morte de Alexander Litvinenko. 
Este antigo agente do KGB chegou ao Reino Unido em 2000 e, seis anos mais tarde, foi hospitalizado depois de beber um chá que continha polónio- 210 (um elemento radioactivo raro e cujo acesso normalmente é apenas reservado a entidades estatais). 
Litvinenko acabaria por morrer em Novembro de 2006.

Apesar de a investigação à sua morte nunca ter sido concluída, um inquérito público concluiu com algum grau de certeza que Moscovo esteve por detrás do homicídio de Litvinenko e que, “provavelmente”, foi o Presidente russo, Vladimir Putin, quem o aprovou.

manuel.louro@publico.pt

Caso do espião russo envenenado: polícia identificou 200 testemunhas e já reuniu 240 provas

REINO UNIDO
Lusa
10 de Março de 2018, 14:14 actualizado a 10 de Março de 2018, 18:37
Espião envenenado no Reino Unido ainda se encontrava com o MI6. 
Skipral e o seu antigo contacto falavam em inglês e russo de negócios.

A polícia britânica identificou mais de 200 testemunhas e está a avaliar mais de 240 provas na investigação ao envenenamento de um antigo espião russo que foi exposto a um gás que afecta os nervos. 
O nome do gás não foi revelado pela ministra do Interior britânica, Ambar Rudd, que este sábado deu uma conferência de imprensa a fazer o ponto da situação da investigação.

O homem, Sergei Skripal, de 66 anos, era informador dos serviços secretos britânico, MI-6. Traiu dezenas de agentes russos antes de ser detido em Moscovo em 2004. 
Condenado a 13 anos de prisão, foi libertado em 2010 numa troca de espiões e vive desde então no Reino Unido.

No domingo passado, foi encontrado inanimado num banco de um centro comercial da cidade de Salisbury juntamente com a filha, Iulia, de 33 anos. 
Ambos estão em estado muito grave. 

"As duas vítimas continuam hospitalizadas e críticas, mas estáveis", disse a ministra que esteve em Salisbury.

Sergei Skripal continuava a encontrar-se todos os meses num restaurante com o seu antigo contacto no MI6, revela o jornal The Times na edição deste sábado.

Falava em inglês e em russo com o seu antigo contacto no MI6, diz o The Times, que revela um dos temas das conversa eram negócios na Polónia. 
O jornal põe em dúvida que Skripal ainda trabalhasse para os serviços secretos.

Outras 21 pessoas que estavam no centro comercial foram expostas ao gás mas sem gravidade. 
Já a primeira pessoa a chegar perto do antigo espião e da filha, o polícia Nick Bailey, está em estado grave mas já prestou as primeiras declarações aos investigadores.

O Governo enviou para a cidade equipas militares para garantirem que não há contaminação e para investigar o que se passou. 

No decorrer da investigação foi exumado o túmulo da mulher de Skripal, Liudmila, que morreu de cancro em 2012. 
O túmulo onde estão as cinzas do filho do antigo espião, Alexandr, também foi isolado e analisado - morreu no ano passado, aos 43 anos de insuficiência hepática. 
As suas cinzas foram levadas de São Petersburgo, onde morreu, para serem sepultadas no Reino Unido.

Os investigadores tentam identificar a origem do agente químico para perceberem quem está por detrás do envenenamento.

Theresa May acusa o Kremlin no envenamento de ex-espião

REINO UNIDO
Manuel Louro
12 de Março de 2018, 17:18 actualizado a 12 de Março de 2018, 18:08 

Primeira-ministra britânica ameaça Moscovo com sanções pela tentativa de assassínio de Skripal. 
Moscovo considera a intervenção de May um “espectáculo de circo”.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, diz que é "altamente provável" que Moscovo seja responsável tentativa de homicídio do antigo espião russo Sergei Skripal na cidade de Salisbury através de um gás nervoso e que Londres não vai tolerar "uma tentativa tão descarada de matar civis inocentes" em território britânico.

Depois de presidir a uma reunião do Comité de Segurança Nacional, a primeira-ministra britânica deslocou-se ao Parlamento para actualizar os deputados sobre a investigação à tentativa de homicídio de Sergei Skripal. 
Aí, avisou que é necessário evitar especulação e que as autoridades apenas se regem pelas provas encontradas. 

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, considerou a intervenção de May um “espectáculo de circo”, segundo cita a agência Interfax. 
"A conclusão é óbvia: é outra campanha de informação política, baseada numa provocação". 

O embaixador russo em Londres foi convocado para dar explicações, e a primeira-ministra prometeu regressar ao Parlamento quarta-feira, para dar conta do que apurou e, eventualmente, das retaliações contra a Rússia planeadas pelo seu Governo.


May revelou que o gás de nervos utilizado para tentar matar o ex-espião russo e a filha é de qualidade militar e é "com alta probabilidade" produzido pela Rússia. 
Ou seja, a primeira-ministra afirmou que ou Moscovo é responsável pelo envenenamento ou permitiu que a substância chegasse às mãos erradas.

"Existem apenas duas explicações plausíveis. 
Ou foi um acto directo pelo Estado russo contra o nosso país, ou o Governo russo perdeu o controlo da sua arma química, o que é potencialmente catastrófico, e permitiu que chegasse às mãos de outros", explicou May, acrescentando que este gás - chamado novichok, que pode cinco a oito vezes mais potente que o VX - faz parte da lista de armas químicas proibidas pelas Nações Unidas.

A governante disse ainda que o histórico de Moscovo relativamente a este tipo de situações faz com que seja “altamente provável” que sejam os russos que estejam por trás do crime.

"Acto contra o Reino Unido"

“Esta tentativa de homicídio utilizando um gás de nervos do calibre de armas numa cidade britânica não foi apenas um crime contra a família Skripal, foi um acto indiscriminado e irresponsável contra o Reino Unido, colocando as vidas de inocentes em risco", disse.

"Não vamos tolerar uma tentativa tão descarada de matar civis inocentes no nosso solo”, garantiu a primeira-ministra britânica.

“Temos agora de estar prontos a tomar medidas mais extensas. 
Na quarta-feira, vamos considerar em detalhe a resposta do Estado russo. 
Se não existir uma resposta credível, vamos concluir que este é um acto ilegal de uso da força do Estado russo contra o Reino Unido, e vamos regressar a esta Câmara e apresentar uma série de medidas que tomaremos em resposta”, declarou May.

Na semana passada, Sergei Skripal, de 66 anos, foi encontrado inconsciente juntamente com a filha, Iulia, de 33, num centro comercial na cidade de Salisbury. 
Estão ambos internados em estado crítico depois de terem sido expostos a um gás de nervos.

Skripal foi um espião russo que traiu vários agentes russos ao transmitir informações aos serviços secretos britânicos. 
Por isso, em 2006, foi condenado a 13 anos de prisão na Rússia mas foi libertado na sequência de uma “troca de espiões” entre Moscovo e Washington em 2010. 
Nessa altura conseguiu asilo no Reino Unido vivendo neste país desde então.

No dia em que foi envenenado, sabe-se que Skripal e a filha estiveram num restaurante e num bar antes de terem sido encontrados inconscientes no centro comercial. 
Nesta segunda-feira, as autoridades de saúde avisaram cerca de 500 pessoas que estiveram nesses locais para lavarem a roupa e os objectos que transportavam pois há o risco, ainda que reduzido, de terem sido contaminadas.

Um polícia, que foi o primeiro a chegar ao local onde Skripal se encontrava inconsciente com a filha, também ficou em estado grave, mas apresentou melhorias no seu estado de saúde nos últimos dias. 
Outras 20 pessoas tiveram de receber tratamento médico sem gravidade.

A investigação que se gerou na sequência desta situação foi sendo musculada e na sexta-feira Londres mobilizou o Exército para vasculhar a cidade de Salisbury. 
O principal foco da busca de provas tem sido a casa onde vive Skripal, mas também os locais onde esteve no dia do envenenamento foram encerrados.

manuel.louro@publico.pt

Rússia nega responsabilidade no caso do ex-espião e exige provas a Londres

ESPIONAGEM
Manuel Louro
13 de Março de 2018, 12:46 Partilhar notícia
Sergei Lavrov afirmou que os pedidos de Moscovo para que o Reino Unido partilhe amostras do gás de nervos utilizado para tentar matar Sergei Skripal foram rejeitados. 
Ministro dos Negócios Estrangeiros russo sugeriu que o prazo dado por Theresa May não será respeitado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, garantiu nesta terça-feira numa conferência de imprensa que a Rússia não tem qualquer responsabilidade no envenenamento do antigo espião russo, Sergei Skripal, e da filha deste, na cidade britânica de Salisbury, e exigiu receber provas das autoridades do Reino Unido. 
O embaixador britânico em Moscovo foi também chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros russo onde deverá receber uma mensagem semelhante.

De acordo com o Guardian, Lavrov sugeriu que não será possível respeitar o prazo dado pela primeira-ministra britânica, Theresa May - até à meia-noite desta terça-feira – para que Moscovo dê explicações para o sucedido, correndo o risco de sofrer retaliações por parte de Londres, sob a forma de sanções.

Além disso, o ministro diz que os pedidos do Kremlin para que sejam dadas amostras do gás de nervos utilizado para tentar matar Skripal foram rejeitados, o que constitui uma violação da convenção internacional sobre armas químicas.

“A Rússia está pronta a cooperar, de acordo com a convenção para banir armas químicas, se o Reino Unido se comprometer com as suas obrigações, ao abrigo da mesma convenção”, afirmou Lavrov. 
A Rússia tem dez dias para responder a uma acusação formal do Reino Unido por utilização de armas químicas, tal como estipula esta convenção internacional.

Na segunda-feira, Theresa May dirigiu-se ao Parlamento para dizer aos deputados que é “altamente provável” que a Rússia tenha estado por trás da tentativa de homicídio do antigo espião e da filha, Iulia – ambos estão ainda internados em estado grave.

A primeira-ministra britânica referiu que o gás de nervos utilizado faz parte da série chamada Novichok, produzida na União Soviética durante os anos 1970 e 1980 e que será ainda fabricada pela Rússia.

May estabeleceu assim um prazo até à meia-noite desta terça-feira, durante o qual o embaixador russo em Londres deverá apresentar explicações sobre o caso. 
Se as explicações não forem consideradas “credíveis”, a primeira-ministra regressará quarta-feira ao Parlamento para divulgar a retaliação por parte do Reino Unido.

Aliados reagem

Todo este caso já motivou também reacções de alguns dos aliados do Reino Unido. Rex Tillerson, agora ex-secretário de Estado norte-americano, falou com Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, e garantiu que concorda que a Rússia é a responsável pela tentativa de homicídio.

Mais contida foi a reacção do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos precisam ainda de esclarecer todos os factos para chegarem a alguma conclusão sobre este caso: "Assim que tivermos todos os factos, se concordarmos com eles, vamos condenar a Rússia ou quem quer que tenha sido", responsável pelo envenenamento.

“Nós concordamos que os responsáveis – os que cometeram o crime e os que o ordenaram – têm de enfrentar as consequências sérias apropriadas”, acrescentou Tillerson, citado pela BBC.

May também falou com o Presidente francês, Emmanuel Macron, logo na segunda-feira, numa conversa onde foi abordado “o padrão de comportamento agressivo da Rússia”, explicou um porta-voz da governante britânica.  

Nesta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros gaulês, Jean-Yves Le Drian, disse que o ataque ao antigo espião russo e à filha é “totalmente inaceitável”, sem referir, no entanto, a possível culpa da Rússia.

manuel.louro@publico.pt

May anuncia expulsão de 23 diplomatas russos para acabar com rede de espionagem

ESPIONAGEM
Manuel Louro
14 de Março de 2018, 11:44 
Depois de ultrapassado o prazo para um esclarecimento do Kremlin sobre o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, a primeira-ministra britânica suspende todos os contactos de alto nível com Moscovo.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou no Parlamento a expulsão de 23 diplomatas russos em retaliação contra a falta de resposta de Moscovo perante a acusação de Londres da autoria do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, e da sua filha, na cidade de Salisbury. Todos os contactos de alto nível foram também cancelados, incluindo uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, ao Reino Unido e a presença de ministros ou membros da família real no Mundial de futebol deste ano e que tem lugar na Rússia.

"Desprezo e sarcasmo" foram as atitudes de Moscovo que Londres recebeu quando pediu esclarecimentos sobre como entrou no Reino Unido o gás de nervos da série Novichok, usado para envenenar a família Skripal, disse a governante.

Se na segunda-feira, May tinha afirmado que a reponsabilidade da Rússia na tentativa de homícidio de Skripal era "altamente provável", agora a primeira-ministra não tem dúvidas em afirmar que o Kremlin "é culpado", não só do envenenamento do antigo epsião, mas também da ameaça "da vida das pessoas na cidade de Salibsury". 
"Este não é apenas um acto contra Sergei e Iulia Skripal e contra o Reino Unido mas também uma afronta à proibição da utilização de armas químicas", disse.

May disse que a expulsão dos 23 diplomatas, que foram considerados “agentes de informação não declarados”, é a maior medida do género tomada por Londres nos últimos 30 anos. 
“Têm uma semana para sair”, explicou a primeira-ministra.

Medidas anunciadas contra a Rússia:
  • Expulsão de 23 diplomatas russos;
  • Congelamento de activos estatais russos sempre que existirem “provas de que possam ter sido utilizados para ameaçar a vida ou propriedade de cidadãos ou residentes do Reino Unido”;
  • O Governo vai criar legislação para proteger o Reino Unido de actividade estatal hostil;
  • Londres vai considerar nova legislação anti-espionagem;
  • Novas emendas “do tipo Magnitsky” à legislação sobre sanções;
  • Aumento nas verificações de cidadãos russos que entrem no Reino Unido;
  • Todos os contactos de alto-nível entre Londres e Moscovo cancelados.

A governante tinha estabelecido um prazo até à meia-noite desta terça-feira para que o Kremlin explicasse como o raro e poderoso gás de nervos utilizado para tentar matar Skripal e a filha, chegou a território britânico.  
Este é um tipo de gás de nervos que faz parte da série Novichok, produzida na antiga União Soviética durante as décadas de 1970 e 1980.

Antes de ir ao Parlamento, May reuniu o seu Conselho de Segurança Nacional para ultimar pormenores sobre a resposta à tentativa de homicídio do antigo espião, que foi condenado em 2006 a 13 anos de prisão na Rússia por transmitir informações aos serviços secretos britânicos.

Na manhã desta quarta-feira, o Reino Unido anunciou também que pediu uma reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para informar os respectivos membros, entre os quais a Rússia, sobre a investigação ao caso. 
O encontro deverá acontecer ainda nesta quarta-feira.

O Kremlin já garantiu que responderá a qualquer tipo de represálias de Londres. 
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, lembrou inclusivamente ao Reino Unido o potencial nuclear da Rússia e recordou um último discurso de Vladimir Putin, onde o Presidente russo anunciou novas poderosas armas. 

manuel.louro@publico.pt