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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Combate à corrupção com a mesma coluna vertebral

DESTAQUE   Aqui falo eu
Redacção    F8
28 de Setembro de 2018

Eu não mudei. Não mudarei. 
Nunca das convicções, do sonho de, um dia, ver edificado um país novo, cidadão, igual, de justiça, verdadeiramente republicano, onde a ideologia de um partido, se subjugue aos órgãos de um sério Estado de Direito e Democrático. 
São princípios que entendo como nobres e que, calculo, devem fazer parte de todos quantos, cada um no seu meio, pretendem estar – ou passar – pela vida com o lema de que quem não vive para servir não serve para viver.
Por William Tonet

A utopia é um direito que me cabe no quadro dos Direitos Fundamentais de cidadão livre e apaixonado pela democracia participativa. 
Mas só o é, só o será, se me reconhecerem igualmente o direito de defender essa causa, tal como eu reconheço, aceito e estimulo direito igual aos que discordam de mim.

Nunca tive a pretensão de agradar a TODOS, pela incapacidade de satisfazer gregos e troianos, ao longo da minha curta, mas intensa vida de luta contra as injustiças. 
Se tivesse esse dom certamente nunca teria nascido. 
Quem nasceu e cresceu tem esse “defeito” genético de, por natureza, ser igual na diferença, ser diferente na igualdade.

Não me “masturbei intelectualmente” face às primeiras prisões de altos dirigentes do MPLA e do governo, acusados de crimes de corrupção. 
Se a procissão ainda vai no adro, se o padre ainda balbucia as últimas palavras de pregação, o melhor é ter calma pois – como se diz na universidade da vida – cabras apressadas parem os filhos defeituosos.

Mas isso não significa estar contra o combate a corrupção, o pior veneno dos governos do MPLA desde que a institucionalizou em 11 de Novembro de 1975, com a implantação das famosas lojas dos dirigentes (para os membros do comité central, do bureau político e quadros seniores do MPLA, que tinham tudo do bom e melhor do capitalismo) e as lojas do povo (onde o peixe podre e a fuba, não faltavam se refilares). 
Com essa discriminação (e não adianta mistificar ou tentar justificar o injustificável) foi lançada, adubada e multiplicada a semente da corrupção, pois o povão se quisesse comer queijo ou carne vazia tinha de trafegar “esquemas-mil”, para ter um cartão da loja dos dirigentes…

Sejamos, por isso, sérios, íntegros e sobretudo dignos. 
Como se pode ver, a corrupção não poderia ter ninguém melhor como pai da criança, se não o todo poderoso MPLA, detentor, desde 1975, das chaves dos cofres públicos e dos arsenais capazes de aniquilar (como aconteceu) todos quantos queriam apenas sobreviver alimentados pela força da razão.

Logo, combater a corrupção é uma decisão responsável, da qual nunca abdicarei, mas não baterei palmas por simples detenções, por força de decisões meramente políticas (eventualmente efémeras e paliativas), quando a eficácia exige a supremacia da lei, logo a reforma da norma jurídica, para todos estarem compenetrados dos limites e horizonte de navegação do ilícito criminal, pelo qual a espada da justiça deve baixar a sua força.

A corrupção é uma missão e a condenação dos corruptos, também. 
Agora, pouco importa, se é legal ou ilegal, justa ou injusta, a medida que conduziu os novos inquilinos da cadeia de São Paulo.

Por isso preferi a contenção (sempre boa conselheira) e rememorar o facto de elas terem resultado de uma vontade política, anunciada no dia 8 de Setembro, pelo novo líder do MPLA e não (como deveria ser) fruto de investigações nos marcos da imparcialidade da lei.

Não nego a importância do poder político num combate sem quartel contra a corrupção, mas depois dela, deve haver trilhos para os órgãos judiciais e judiciários, andarem sozinhos, com independência nos marcos da constituição e da lei.

Não condeno quem me apontou o dedo, mas estes têm, também, a obrigação de reconhecer que exigir, como o fiz, a alteração do paradigma legal, não é desistir do combate aos crimes de corrupção e de condenação exemplar aos corruptos, cuja prática há 43 anos vem matando a maioria dos autóctones. 
É que, convenhamos, cometer um crime para acabar com outro crime é tão-somente cometer dois crimes.

Fui e sou, ao longo da vida, um revolucionário identificado com a esquerda social, originando vários amargos de boca, num reino, cujos dirigentes se apresentaram, em 1975, como revolucionários, libertadores e proletários e, num toque de mágica, se tornaram proprietários vorazes, delapidadores do erário público, verdadeiros corruptos, uma quadrilha da pior espécie, que deveria ser extinta, pela força do voto popular do xadrez político.

É louvável a investida de João Lourenço, enquanto Presidente do MPLA e da República, mas não chegam, para apagar os malefícios da degradação do tecido material e humano, se não houver uma verdadeira reforma no sistema judicial e judiciário, sem qualquer interferência do poder político.

A tribo corrupta do MPLA roubava desbravadamente. 
Reconheçamos-lhes a honestidade “quadrilhal”, em nome de um só povo e duma só nação: a do MPLA, que, infelizmente, massacrava e prejudicava a maioria autóctone.

Agora, 43 anos depois, desmorona-se, melhor, implode, a quadrilha, face, ao desgaste de imagem, o crescendo de uma revolta social incubada, o desemprego galopante, a inflação e a descredibilização internacional.

Em função deste quadro, sem dólares no circuito bancário, uma dívida interna e externa galopante, encerramento de fábricas e serviços diários, quebra da economia, emerge João Lourenço, do mesmo clube, mas com espírito diferente, liderando uma verdadeira caça às bruxas, cujo fim, poderá ser, blindar o seu consulado e poder absoluto, totalíssimo, se não houver espírito republicano e envolvimento de outros autores políticos da oposição e sociedade civil…

No momento o mais estrondoso alvo é a corrupção. 
Os destinatários: dirigentes e militantes do MPLA, com ficha sujíssima e distantes da ala lourenciana.

Não está mal. 
É de louvar, qualquer combate contra a gigantesca roubalheira, mas se o SIC (Serviço de Investigação Criminal), o Ministério Público e os Tribunais não forem munidos de meios operacionais, técnicos e verdadeira independência funcional, nada se alterará, porque limitado o horizonte.

E aí, levanta-se a suspeição, sendo difusas as regras do jogo, muitas marginais à Constituição e à lei, por fidelidade a ideologia do novo senhor absoluto, tudo se confunde.

É preciso uma revolução no paradigma legal, capaz de mover investigações justas, para não parecer, mais um show-off da tribo partidocrata especializada, sempre que está em declínio, junto dos cidadãos, nestas maratonas de diversão política.

O combate à corrupção deve ser permanente e que João Lourenço amplie o raio de acção, da luta, para impedir ou dificultar a cultura do peculato, nos corredores do palácio e ministérios, moralizando o serviço público, mas tornando uma missão republicana o grande combate a corrupção, implantada pelo MPLA, cuja prática está a levar o país e cidadãos para o abismo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Humildade precisa-se!

DESTAQUE     Aqui falo eu
Redacção   F8
28 de Julho de 2018

A política é a arte de gestão das palavras, dos actos e do pragmatismo, cujo nascimento está aliado a vivência gregária dos homens. 
No percurso entre as monarquias absolutas e as Repúblicas surgiram verdadeiros homens, líderes de estirpe impoluta, à frente dos destinos dos seus povos e países.
Por William Tonet

A excessiva soberba, tem levado João Manuel Gonçalves Lourenço, tal como o antigo presidente da República, José Eduardo dos Santos, o fazia, a não fundamentar as acções polémicas, tomadas enquanto Titular do Poder Executivo, tais como: exonerações; nomeações; decretos legislativos presidenciais, etc., por se achar patrão dos cidadãos, quando é empregado. 
Porque será? 
Uma clara e talvez involuntária limitação, na aferição dos actos de ofício.

Só a soberba leva um dirigente, com justificativa legal, a optar pelo trungungu barroco, não fundamentando a exoneração de Isabel dos Santos da SONANGOL, quando evocando a Lei de Probidade Pública, que impede a nomeação de cidadãos estrangeiros para um Conselho de Administração de uma empresa estratégica e de soberania como a petrolífera nacional, afastaria a tese e especulações de perseguição a filha do ex-presidente da República.

Só a soberba a exoneração do Filomeno dos Santos do Fundo Soberano, não fundamenta a razão, no facto de os milhões e milhões do país, terem sido alocados à gestão de uma empresa privada, sem experiência bancária e robustez no mercado financeiro mundial. 
Não havendo fundamentação é a perseguição, que paira no ar.

Igualmente, na TPA, Tchizé e Coreon Dú, ao não trazerem mais-valias, numa relação comercial público-privada, obrigam a justificativa do fim da concessão contratual. 
Não tendo sido fundamentado, o que fica é perseguição, aos filhos do ex-presidente.

As mais recentes rupturas de contratos que detinha Isabel dos Santos, na barragem de Kakulo Kabaça e Porto da Barra do Dande, sem aviso prévio e pela forma violenta como o fizeram, tornam evidente um estado de animosidade de João Lourenço, contra esta empresária, filha de José Eduardo dos Santos.

Para coroar a insensatez, o comunicado do novo ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, ao que parece talhado a trair tudo e todos, pela manutenção do poder, é um hino à falta de solidariedade e ética institucional, ao responsabilizar, publicamente, os actos do seu antecessor, como se ele, não fosse auxiliar do Titular do Poder Executivo.

Podem existir outras razões, mas a brutalidade e falta de sensibilidade, levam, eventuais razões de João Lourenço, para a sarjeta. 
Por esta razão, a Bíblia é transversal em todos os seus livros, de Géneses a Apocalipse, tem na soberba algo ruim. 
Em Provérbios lê-se: “a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda”. 
E, na virada de outra avenida, na 1.ª Epístola de João adverte que a soberba da vida é semente de todo o pecado.

Soberba no Wikipedia “é o sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em factos ou variáveis reais”.

Hoje, no século XXI, líderes “transfronteiriços” são uma raridade e, em Angola, uma fatalidade, num claro contraste com a antiguidade, onde homens intrépidos, antes mesmo da chegada do colonialismo ocidental, constituíram Reinos, Estados e Micro Nações, governados de forma exímia, em respeito aos detentores da soberania (povo). 
Um território ou país quando dirigido, por políticos sem acervo verbal, capacidade de oratória e pragmatismo no exercício de funções, é um perigo a estabilidade e serenata ao poder absoluto.

Angola governada desde 1975 pela mesma família partidocrata, qual bailarina errante, atravessou a ponte, com um toque de mágica, da classe proletária, para a proprietária, de forma voraz.

Os dirigentes, garbosamente, instalados no poder, pela força das armas e da fraude eleitoral, fazem da política uma bíblia da enganação, das orgias da ladroagem, da intolerância, da discriminação e da corrupção, quando os povos clamam, por sensibilidade ao seu drama de fome, miséria e desemprego.

O esclavagismo e o absolutismo de ontem, foram, têm vindo a ser, continuarão, no futuro, magistralmente, reciclados, com rótulos de democracia e liberdade de imprensa, que sufragam a fraude eleitoral e a batota institucional, contra a vontade soberana do povo, calcada pela arrogante soberania partidocrata.

Vale aqui à colação a afirmação feita aos 08.09.2016, pelo antigo reitor da Universidade Agostinho Neto, quando disse: “A independência de um povo não consiste apenas em libertar-se fisicamente, politicamente e economicamente; a independência tem a ver também com a liberdade científica, académica e cultural”.

Inexistindo desde a independência uma verdadeira e pragmática aposta na educação, como premissa governativa de desenvolvimento, o analfabetismo tem sido a plataforma de uma educação débil, assente em colaboradores (não existe obrigatoriedade de um haver 80 a 90% de um quadro obrigatório de professores efectivos, no ensino médio e universitário), pagos à hora e, muitos talhados, na formação de “analfabetos funcionais”.

A falta de literacia é um bálsamo a manutenção das ditaduras, que Angola não foge à regra. Tanto assim é que na concentração de poder absoluto, o primeiro presidente da República Popular de Angola, que acumulava a presidência do MPLA, da Assembleia do Povo (parlamento), do Conselho da Revolução, controlo dos Tribunais foi, também, o primeiro Reitor da Universidade de Angola, daí, passar a denominar-se, após o seu passamento físico a Universidade Agostinho Neto.

Esta é a podridão da política, da angolana, também, quando os seus dirigentes, querem concentrar todos os poderes, daí a excelente visão política de um investigador, que a política hoje é um dos maiores veículos da corrupção. 
Daí a sua afirmação de que o homem é bom, mas a sociedade o corrompe. 
Nasce, assim a política como mecanismo pelo qual se desenvolve a habilidade de conciliar interesses antagónicos, permitindo a convivência relativamente pacífica, mas, ao mesmo tempo que um grupo se sobrepõe ao outro, porque recebe por delegação, os poderes dos indivíduos que compõem o grupo. 
Daí a ideia de contrato social. 
Dessa forma o subjugado acredita ser ele quem decide os rumos da sociedade quando na realidade delegou os poderes de decisão àqueles a quem elegeu como seu representante. Eis uma limitação da democracia!

Talvez por esse motivo é que nos dias actuais tenha ocorrido tamanho descrédito em relação à política, pois se percebe, cada dia mais que a política, criada para ajudar nos rumos da sociedade está a produzir a sua perdição. 
Aqueles que são escolhidos para representar a sociedade acabam se representando e defendendo interesses contrários às necessidades da sociedade que lhe delegou poderes. Não que as pessoas ou a sociedade sejam o mal em si, mas porque aqueles que se fazem “políticos” disseminam não as coisas boas para o que foram eleitos, mas as malandragens que vicejam feito erva daninha na horta.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Ser honesto é crime

DESTAQUE    Aqui falo eu
Redacção   F8
14 de Julho de 2018

A perplexidade toma conta do autóctone, incapaz de um plano, uma perspectiva, um sonho de vida melhor, mesmo depois das eleições de 2017. Incapaz por manifesto demérito dos que têm poder e meios para fazer mais e melhor.
Por William Tonet

A tão ansiada aurora, não desabrochou no cacimbo e, em cada gesto do novo titular, emerge uma defesa cleptocrática do capital, em detrimento dos povos pobres que, por cá, são 20 milhões.

A inflação, não pára, o desemprego sobe, os preços dos produtos alimentares básicos, em alta, a educação e a saúde, mesmo ruins, com preços proibitivos, para os pobres, em contraste com a vida de nababos dos dirigentes. 
Para o povo tudo aumenta e, como se não bastasse com a subida do câmbio, nos últimos dias, por atacado assiste-se ao do pão, água, sal, fuba, peixe, feijão, óleo, para, estupidamente, ser indexado o preço dos combustíveis, ao dólar, quando a moeda nacional é o Kwanza, o petróleo é angolano e bem poderia ser refinado, grande parte em Angola.

Mais. 
As principais matérias-primas do país: petróleo e diamantes, estão indexadas ao dólar, mas, de uns tempos a esta parte, a programação financeira é feita em euros, resultando numa variação negativa, significativa, contrastando com as boas regras de economia.

Esta violência política, económica e social, a toda dimensão do terreno, contrariando uma promoção de consumo dos pobres, capaz mesmo de alavancar a pequena e média actividade empresarial, não é um bom presságio. 
Não é mesmo!

E tanto assim é que a grande medida económica, até hoje, do Titular do Poder Executivo, ser de natureza bancária, para salvar os banqueiros comerciais com mais de 70% de crédito mal parado, face à anterior política de acumulação primitiva de capital, seguida de outra de desvalorização dos quadros, pese, o discurso, sempre este, apontar em sentido inverso, principalmente, no Parlamento Europeu.

Se dúvidas houver, basta observar a composição do gabinete presidencial e dos órgãos judiciais, assente no Futebol Clube da Mesmice, responsável pelo descalabro mas, mesmo assim, sorrindo como se a incompetência governativa não fosse um crime.

Quando se fala no combate contra a corrupção e no repatriamento de capitais, como se fossem transversais a toda sociedade, dá um sentimento de revolta, consabido estarem os actores da “ilicitude financeira”, circunscritos a uma força política, que os pode estancar, não com decisões judiciais, mas políticas, saídas de uma reunião do comité central do MPLA.

Tanto assim é que este “show off” assenta no desvario discricionário dos prevaricadores económicos, poderem repatriar o dinheiro roubado aos cofres do Estado, para as suas contas pessoais, dando legitimidade (e legalidade) à ilicitude, praticada pelos barões de colarinho branco, quando em relação aos pobres, pilha-galinhas o tratamento é, mesmo sem provas, a recolha para as fedorentas masmorras do regime.

Diante deste quadro dantesco (resquícios de 1975), o regime pretende tapar o sol tórrido, com a peneira e, quando assim é, o cidadão honesto, o quadro empenhado e comprometido, com a cidadania, torna-se criminoso.

Por tudo isso, tenho medo de ter esperança, por a mudança apenas ter vontade de nada mudar, na senda da lógica das transições totalitárias, onde o chefe concentrando todos poderes, se auto considera o “deus” na terra, afastando todos os diferentes de pensamento, pela corte bajuladora, qual sanguessuga do erário público.

PAÍS SEM PROJECTO

Angola, para a maioria, deixou de ser o país dos muitos (povos/cidadãos), que têm pouco, desde o chamado dia da independência nacional (11.11.75) por detida, pelos poucos, convertidos em monarcas absolutos, das riquezas, dos bens e cidadãos do país.

E, o muito, dos muitos, são os biliões (mil milhões) de dólares, do petróleo, dos diamantes, dos minérios de ferro, dos impostos, irresponsável, mas, responsavelmente desviados, exclusivamente, pela partidocracia, alojada nos corredores do poder.

Assim, sem noção do que é servir, preservar e gerir os cidadãos autóctones, diferente do colonialismo, anda(ra)m em sentido contrário à elaboração “ab initio” de um verdadeiro e imparcial “projecto-país”.

Negaram a democracia e sob a capa do proletariado e de uma sociedade igualitária, implantaram uma ditadura feroz, que assassinou todas as ideias contrárias, quer fossem internas ou externas, atirando para a sarjeta as eleições democráticas que deveriam cobrir o nascimento do novo ente jurídico em 11 de Novembro de 1975.

Dois dos três subscritores dos Acordos do Alvor, com a cumplicidade dos capitães de Abril de 1974 de Portugal, foram “selvaticamente” banidos do xadrez político, não pela força dos argumentos, mas das armas.

FNLA, diabolizados e queimados nas Casas do Povo (sedes) no Cazenga, Sambizanga, Avenida do Brasil, etc., assim como a UNITA no Pica Pau (sede) na Esquina do Zangado (com a Avenida do Brasil), em Luanda, foram a carne para canhão de uma política militarizada, que não teve, na esquina da história, pejo em assassinar cerca de 80 mil militantes do próprio MPLA, em 27 de Maio de 1977, que apenas solicitavam uma clarificação ao rumo que o país deveria tomar: 
Socialismo ou capitalismo.

E, quando menos se esperava, a resposta, para desgraça colectiva, foi Agostinho Neto e a sua clique, superar Adolph Hitler, com a maior chacina selectiva humana, depois da II Guerra Mundial, avaliada em cerca de 80 mil intelectuais da família MPLA.

Toda esta mortandade, repousou na justificativa de uma sociedade socialista, cujo esboço, não passava de um texto estapafúrdio, uma vez a prática, ter andado de mãos dadas com uma feroz discriminação de “viés fascista”, que elegeu práticas da inquisição, qual besta de uma guerra civil: MPLA versus UNITA, que dilacerou o país.

INGÉNUA CUMPLICIDADE

Infelizmente, pelo descalabro do país, ao longo dos 43 anos, os guerrilheiros, pseudo-proletários, comunistas de pacotilha, não foram os únicos culpados, pois contaram com a cumplicidade dos nacionalistas, que nas cidades, vilas e aldeias empreenderam, também, uma luta clandestina, contra o poder colonial.

Estes, com o advento de 1974, quando deveriam impor regras, aos guerrilheiros, por desconhecimento da administração do Estado, escancararam as portas, a quem não tinha noção, sequer da gestão de um bairro com saneamento básico.

A ansiedade de liberdade, não deveria, reconhece-se, hoje, ser causa bastante para a outorga de um cheque em branco, a guerrilheiros vindos das matas, sem noção de gestão e administração de órgãos do Estado, mas com uma série de contradições e sentimento de intolerância política.

Mas, uma vez, considerados sumidades intelectuais, empreenderam verdadeira cruzada de eliminação de quadros do funcionalismo público, comprometidos com a causa de bem servir e administrar aquela que poderia ser uma nova Angola, inclusiva, participativa e democrática.

O tempo, qual juiz, tem demonstrado o engano e a “burla política qualificada”, em que a maioria dos autóctones angolanos caíram e vivem ao longo de 42 anos, sob a liderança dos ex-proletários convertidos em proprietários vorazes, enriquecidos pela anacrónica acumulação primitiva do capital.

Se a maioria dos povos, dos intelectuais honestos continuar indiferente ao desnorte do país, todos seremos cúmplices na hora de nos estatelarmos no pantanal.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

JLO demonstra submissa pequenez do regime

DESTAQUE       AQUI FALO EU
Redacção F8
7 de Julho de 2018

Foi. Foi. E, foi… Primeiro. Para quê? A resposta ficará incrustada na incógnita do tempo. Os “sequitistas” rejubilam com a fracção numérica. Nem mais. Ter sido o primeiro Presidente angolano a discursar no Parlamento Europeu, como se isso fosse, por si só, hoje como ontem ou amanhã, para os 20 milhões de pobres, alguma “mais-valia”.

Por William Tonet



Não passa de ambição mosquito. 
A maioria autóctone gostaria ver o Presidente da República, Titular do Poder Executivo, Chefe de Estado, João Manuel Gonçalves Lourenço, erecto, livre, responsável e de cara levantada, no centro do Parlamento Europeu, apresentar um programa económico e social de combate à fome, à miséria e ao desemprego, em Angola.

Um programa de defesa das riquezas nacionais, capitaneada pela valorização dos quadros angolanos, capaz de fomentar o consumo interno, garantir o trabalho de carteira assinada, com o compromisso solene e perene de enterrar o “entregopólio” aos órgãos ocidentais, amiúde discriminadores da mão-de-obra nacional.

João Lourenço deveria exaltar o orgulho da autoctonia angolana, desmascarar o racismo incubado europeu, nas relações com Angola e África, exigindo qual abutre dos povos subdesenvolvidos, igualdade nas relações comerciais e financeiras.

Infelizmente, para nossa desgraça colectiva, uma vez mais no plano externo, não saiu da mesma bitola dos discursos de alguns líderes de países subdesenvolvidos, comprimidos nos fatos Pierre Cardin e perfumes de Paris, que destilam complexo e submissão, para gáudio europeu.

Um discurso pragmático, independente e democrático distancia-se da filosofia barroca e, não aceita vergar a estopinha, mesmo que o objecto seja o de solicitar financiamento da comunidade europeia.

A primeira vez, deveria ser mais empolgante, na defesa erecta do sonho de libertação económica dos angolanos e não um ajoelhar pedindo ao “algoz” europeu, para não escancarar as fronteiras, aos quadros, que humilhados e discriminados em Angola e em outras ditaduras de África e subdesenvolvidas, partem na busca de valorização.

“Nenhum governante quer ver os seus filhos abandonar o país, sobretudo naquelas condições desumanas em que o processo está a decorrer. 
Imigrações sempre houve no Mundo, mas nestas condições, com perdas de vidas humanas durante a travessia, é evidente que ninguém quer que os filhos da sua pátria e do seu continente passem por uma privação tão grande quanto esta”, disse João Lourenço, como se estivesse exilado na Europa.

Um líder comprometido, com os valores dos cidadãos, num palco tão heterogéneo, deveria, em nome da vergonha, demitir-se de tal apologia, para não se equiparar a um cheque em branco, a muitos dos sanguessugas das matérias-primas, angolanas e africanas.

Daí a assertiva do magnata de telefonia, Mo Ibrahim, de as “falhas monumentais dos líderes africanos após a independência”, serem responsáveis pela pobreza extrema, paradoxalmente, piores que, “quando nasceram os primeiros Estados africanos independentes, nos anos 50, África estava melhor em termos económicos”.

Desta forma, às portas para o novo colonialismo económico internacional, podem estar livres, como deixou transparecer, o vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Popular Europeu, o português Paulo Rangel, depois de um refastelado almoço, oferecido por JLo: “O que foi sublinhado ao almoço foi a vontade de criar condições para haver um investimento que não esteja dependente da arbitrariedade da corrupção. 
Houve muito a ideia de passar a imagem de um país que está a preparar-se para um período de investimento estrangeiro muito forte, e de um investimento diversificado, e preferencialmente europeu”, asseverou.

Dentro desta visão, Mo Ibrahim denuncia o facto de que “não se justificam a fome, a ignorância e a doença que assolam África”, afirma, acrescentando, que a solução terá de passar obrigatoriamente por “bons líderes, boas instituições e boa governação”, sem os quais “não haverá Estado de Direito, não haverá desenvolvimento”.

E, no vaticinar de haver ou não um verdadeiro líder, não se pode parar no semáforo da “mesmice” falatória do combate à corrupção e ao nepotismo, mas, apenas, como “via verde” para o desfile institucional de todos os excessos do capital estrangeiro, ante um poder judicial domesticado, na bota, discricionariedade e controlo do TPE (Titular do Poder Executivo), que os vai credibilizar, na senda de os “sócios-gatunos” partidocratas, de colarinho branco, com leis proteccionistas terem garantia institucional de manter o status quo exploratório.

Por isso se esperava mais de João Lourenço, na sua primeira aparição no Parlamento Europeu, até para justificar os milhões no aluguer do avião, com cama King size, que permite dormir, nas nuvens…

sábado, 28 de abril de 2018

MPLA também assassinou a cidadania dos angolanos

DESTAQUE - aqui falo eu
Redacção F8
22 de Abril de 2018

O unanimismo – escola literária do princípio do século XX, que se propunha traduzir de maneira global a diversidade dos sentimentos e impressões de vastos grupos humanos (Jules Romains, na França e Dos Passos, nos Estados Unidos, estão entre os seus representantes).
Por William Tonet

O nosso unanimismo, imposto e impregnado na primeira Lei Constitucional de viés partidário, coloca a bicefalia como imagem de marca normativa, ao ritualizar e transformar em prática corriqueira o Presidente da República ser, obrigatoriamente, o presidente do MPLA, e isso pelo simples motivo de nunca ter havido uma verdadeira separação de águas, que fosse capaz de, no início de Angola como República, fosse possível, a formação de uma Assembleia Constituinte, abrangente, apartidária, integrando personalidades de várias sensibilidades.

Para desgraça colectiva da maioria dos povos angolanos, saídos de uma longa colonização secular, entram numa nova era, com um tão importante documento de Estado, de viés absolutista e ideológico, aprovado e assinado, exclusivamente, pelo presidente e Comité Central do MPLA.

Como se pode verificar o partido no poder, sempre juntou “2 (dois) em 1 (um)”, transmitindo a imagem deste ser o melhor método de governar. E tem sido esta prática rotineira, que alimenta um costume “fascistóide”, distante da versão que agora se quer transmitir a sociedade de haver bicefalia, e esta estrangular o exercício de poder do novo presidente da República, logo carente do apoio de todas as forças vivas da sociedade, incluindo partidos da oposição, para branquear e renovarem a continuidade do MPLA, como órgão supremo do poder de Estado.

Essa questão está inserida na primeira Lei Constitucional de 10 de Novembro de 1975 e aprovada, reza o art.º 60.º “por aclamação do comité central do MPLA” e, pasme-se, publicada e assinada por António Agostinho Neto, presidente do MPLA.

Eis o grande erro e vício do sistema absolutista.

No conceito linear e histórico, bicefalia são duas cabeças de uma ave, e hoje, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa – existência de dois líderes que dirigem simultaneamente a mesma estrutura ou organização; liderança bipartida – dois dirigentes que fazem iguais conduções, mas conflituantes.

No caso vertente, na história de Angola, é o partido versus Estado não estarem, pela primeira vez, num corpo só, no do líder partidário que agora, sem a máquina do Estado ao seu dispor, pode gerar um clima de tensão à beira de mais uma crispação ou rotura interna, a fim de, um novo ditador, perpetuar o poder que sempre existiu em Angola desde 10 de Novembro de 1975.

Os “camaleões” do regime e o abaixo-assinado

Pelo vertido, não tenho respeito por quem hoje, não na pele de proletários, mas de milionários/proprietários/dirigentes, fazem abaixo-assinados contra José Eduardo dos Santos, agora despido do poder absoluto.

Onde esteve? 
Onde estiveram? 
No Pólo Norte? 
Na Lua? 
Ou nas quentes praias do peculato e da corrupção? 
Sim, por lá estiveram, refastelados e nada disseram, quando navegavam nas paradisíacas praias dos crimes dolosos e danosos, que delapidaram os cofres do erário público, visando selectivamente o enriquecimento ilícito de uns poucos.

Os senhores do actual abaixo-assinado, no pedestal do seu cinismo e ganância desmedida, nunca antes deram um voto, sequer, nas reuniões do comité central e bureau político ao João Lourenço, mas agora, visando a manutenção do poder, para continuarem na auto-estrada do roubo, exibem refrões de falsa verticalidade.

À época, estes mesmo arautos da desgraça, quais moralistas sem moral, deleitavam-se nas poltronas do ex-presidente, bajulando o “monstro político”, cotando-o como um dos mais iluminados líderes, portador de uma visão estratégica impar, digna da atribuição do Prémio Nobel, que lhe era, injustamente negado, advogavam…

Hoje querem-se heróis da transição, quando se acovardaram na injustiça contra Alexandre Rodrigues Kito, primeiro dirigente, falsamente, acusado de tentativa de golpe de Estado numa cabala que o arrastou para a desgraça política.

Mais onde estava França Ndalu (e outros), no pedestal da sua autoridade e influência, quando o poder absoluto e arbitrário de José Eduardo dos Santos afastou o general Vietnam da sucessão como Chefe do Estado-Maior General das FAA? 
Ou ainda, quando por engenharias venenosas, foram, por pensarem pela própria cabeça, “expulsos” das estruturas dirigentes do MPLA, Lopo Ferreira do Nascimento e Marcolino Carlos Moco? 
Estavam lá e aplaudiam o mal ou remetiam-se ao silêncio, quando, do interior, surgiam vozes incómodas, para estancar “a monarquia partidocrata” de JES, como as de Paulo Jorge, Mambo Café, Ambrósio Lukoki , cuja concentração de poder, o tornava insensível às balizas de contenção, requeridas no exercício de um mandato presidencial plural.

Estes de hoje e de ontem, estavam todos, à beira do rei, silenciosos, em função das mordomias, que cega os lambe botas, colocados na “pole position” dos ladrões do templo, que afundou o país.

Hoje, tivessem vergonha e pudor, deveriam ser fiéis à veia gananciosa, demitindo-se de criticar José Eduardo dos Santos, que lhes permitiu serem príncipes do enriquecimento ilícito, mas penitenciando-se, diante, principalmente, da maioria dos mais de 20 milhões de autóctones pobres.

Outro paradoxo, que tem sido uma prática do regime é a manutenção e aplicação, ao longo destes anos, do art.º 31.º da Lei Constitucional de 1975: “O Presidente da República Popular de Angola é o Presidente do MPLA”.

Tudo para o MPLA continuar a perpetuar-se acima dos órgãos do poder do Estado, com o beneplácito da oposição, que não cura de dar negativa a práticas constantes no art.º 2.º da LC (Lei Constitucional) de 1975: “Toda a soberania reside no Povo Angolano. 
Ao MPLA seu legitimo representante, constituído por uma larga frente em que se integram todas as forças patrióticas empenhadas na luta – imperialista, cabe a direcção política, económica e social da Nação”.

Não houvesse uma explícita aliança entre o texto e a prática quotidiana, ninguém ousaria acreditar na existência de um partido político colocado acima do Estado, numa multi-cefalia e não bicefalia.

Ora, o que muitos querem, infelizmente, também políticos da oposição, ingénuos quanto às manhas de um regime que anda em sentido contrário a lisura, transparência e honestidade intelectual, é mandar, em época multipartidária não como partido único, mas como único partido de Angola.

Outros grandes responsáveis pelo descalabro político, ético e moral do país, são proeminentes membros da magistratura judicial e do Ministério Público, destacando-se juízes e procuradores responsáveis pela produção de leis e acórdãos assassinos da cidadania e angolanidade.

Foi um reputado juiz do Tribunal Supremo, nas vestes de Tribunal Constitucional, que à época cunhou num acórdão de encomenda, favorável ao ex-presidente da República, de nunca ter cumprido nenhum mandato, pese ter governado, com poderes especiais absolutos, de 1979 a 2012, por “nunca ter tomado posse”.

Uma elucubração jurídica, colocando desta forma, do ponto de vista jurídico-constitucional, José Eduardo dos Santos como só tendo cumprido um mandato presidencial de 5 anos de 2012 a 2017.

Igualmente foram acórdãos dos Tribunais Superiores (Supremo e Constitucional), que disseram a JES não haver inconveniente jurídico quanto a nomeação e concessão do controlo do petróleo público aos seus filhos José Filomeno dos Santos, Zenú, (Fundo Soberano) e Isabel dos Santos (Sonangol). 
O autêntico poder no “Bananal”…

Nesta esquina, não fica difícil identificar os verdadeiros criminosos. Os homens de toga preta, são os grandes responsáveis pelo golpe de Estado continuado e, nesta esquina do vento, são estes mesmos senhores de ontem, a cuspirem no prato que lhes deu de comer.

Alguns destes, nunca seriam juízes de tribunais superiores se não trafegassem bajulação nos corredores presidenciais de José Eduardo dos Santos e, agora, vergam as asas ao novo inquilino João Lourenço, não para lhes permitir gerir a favor do bem público, mas para manutenção do poder, nas vaidades e a capacidade de continuarem a roubar.

Os que hoje dizem estar contra uma hipotética bicefalia, quantos cafés tomaram com JES, podendo falar de Angola, mas apenas pediam mais mordomias e tráfico para a roubalheira institucional que os tornou endinheirados.

Milionários, ricos sem nunca terem trabalhado, vergando as estopinhas, mas assassinando, na calada da noite, o povo por ausência de interesses patrióticos.

Como mudou o rei, querem continuar a roubar, logo preferem mostrar fidelidade canina ao novo inquilino, João Lourenço não de reverência e aceitação, mas para este não impedir nem parar a ilicitude da sua milionária fortuna.

Se o líder desse abaixo-assinado é, na realidade França Ndalu, então não temos dirigentes patriotas, mas dirigentes comerciantes, pois ele foi cúmplice de muitas jantaradas com Eduardo dos Santos e lá poderia abordar o país, o seu rumo, os desvarios políticos, económicos e sociais, para, aconselhando ou criticando, na qualidade de membro influente, ajudar a colocar os travões de que o país reclamava.

Hoje esse abaixo-assinado não é um sinal de patriotismo mas de interesse económico, pretendem a manutenção do dinheiro ilícito com a chancela do carimbo do Estado, agora em posse de João Lourenço e, amanhã, se for o “João da Esquina”, em defesa dos seus interesses ilícitos farão a mesma coisa.

sábado, 24 de março de 2018

Cobardia na defesa da falsa bucefalia

AQUI FALO EU   
Redacção F8
24 de março de 2018

O MPLA partido que, exclusivamente, desde 1975 detém o controlo absoluto de todos os órgãos de soberania e arredores, continua a ter intelectuais, muitos que se julgava, eminentes, a pensar e agir como se fosse, este partido, o órgão mais importante e mesmo acima do Estado.

Por William Tonet

Quer dizer, sob a capa de bicefalia, emerge a nostalgia de caber ao MPLA e ao seu líder, não importa qual, agora é a vez de João Lourenço, a condução e visão exclusiva, sobre Angola e os angolanos. 
Daí uma “matilha intelectualóide”, não aceitar a discussão da pureza do conceito, mas lamber botas e bajular, “trombetalmente”, o homem da vez.

Tanto assim é que, trafegando os órgãos públicos e afins, tentam fazer os angolanos de matumbos e “impercebentos” (que não percebem) desta patavina palhaçada conceitual.

Em Angola, por muito que tentem tapar o sol com a peneira, não existe bicefalia e isso mesmo, disse, do pedestal da sua autoridade, João Manuel Gonçalves Lourenço, no dia 08 de Janeiro de 2018, ao afirmar: “eu cinjo-me à Constituição e às Leis e ele (José Eduardo dos Santos) aos Estatutos do partido”.

Ademais, fosse o MPLA um partido estrutural e intelectualmente preocupado com Angola e, seguramente, depois de um poder autocrático e absolutista de 38 anos, que maculou, profundamente, a sua imagem de marca, projectaria a diferença, para se assumir, pese o passado tenebroso, como o arauto da despartidarização do Estado.

Esta aliança espúria tornou o MPLA um partido com a exclusividade da liderança dos crimes de peculato, corrupção, roubalheira do erário e património público, genocídios e violação dos direitos humanos, que teima em não querer abandonar.

Infelizmente, se não for partido, agora, o cajado: Partido/Estado, capaz de separar, definitivamente, as duas instituições, deixando cada uma seguir o seu percurso, sem interferência e conflito, muito seguramente, estaremos a ser cúmplices da criação de mais um ditador.

Ninguém nasce ditador. 
Ele é feito, regra geral, por uma corja, que circunda e se diz fiel ao líder, mas, verdadeiramente, sedenta de protagonismo, poder e dinheiro.

A realidade nua e crua é esta, 
Não podemos ficar, indefinidamente, reféns das diatribes partidocratas de uns poucos, que detém os milhões de dólares, dos milhões de autóctones, que ficam com os tostões, num sofrível e assustador convívio com a pobreza, a miséria e a indigência.

A situação exige uma revolução silenciosa e consciente, contra a subjugação e o capricho de um punhado de “auto iluminados” da desgraça, que, se nada for feito, continuarão a amarfanhar as lianas éticas, morais e jurídicas que deveriam nortear uma verdadeira República que, infelizmente, Angola ainda não é.

Os arautos do mal, na elevada e incontida incompetência, não podem, sob o poder dos canhões e fuzis, continuar a amedrontar os cidadãos e os povos, mantendo-se estes passivos, quando podem, indignados, exercer e apelar ao poder da sua soberania.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Já não há, por cá, líderes como Nito alves ou Savimbi

DESTAQUE      AQUI FALO EU
Redacção F8
11 de fevereiro de 2018

Justificar, responsabilizar ou mesmo fundamentar a “conveniência de serviço”, mesmo de quem tenha premeditada e dolosamente, delapidado o erário público, não é necessário, enfatizou João Lourenço, por, justificou, ser uma prática de há 42 anos. Neste regabofe, a culpa continuará a morrer solteira, para gáudio dos corruptos, que detém o controlo exclusivo das finanças do país.

Por William Tonet

Tanto assim é que ninguém ousou perguntar, 24 horas depois da exoneração de uma exonerada de uma empresa pública, a proveniência de 100 milhões de dólares, investidos numa fábrica de cerveja. 
É a podridão na máxima expressão e a convicção de perpetuidade das práticas lesivas do Estado, por parte da elite da “Casa Grande”, face à cumplicidade, fraqueza e pobreza programática da oposição.

E iremos continuar a assistir, quais irmãos siameses, ao desfile, em tapete vermelho, do político & da corrupção, decepcionando a “masturbação” inicial de mudança, com as exonerações “lourencinas”, que não passaram de paliativos, para anestesiar os povos e desviá-los da órbitra crítica da monumental fraude eleitoral de 2017.

A corrupção está de tal forma institucionalizada que também anestesia os órgãos da Justiça, tal como a Procuradoria-Geral da República que, na posse de uma denúncia internacional de dois empresários brasileiros e uma carta rogatória do Brasil, sobre uma comissão de 15 milhões de dólares, dada à empresa de publicidade ORION, com fortes ligações a João Lourenço, não muge nem tuge.

Tudo numa altura em que havia, também, fortes suspeitas de milionárias comissões dadas pela INDRA e pela SIFIC à Direcção da CNE, além da denúncia feita, ao Folha 8, por um alto ex-membro do gabinete da Presidência da República de José Eduardo dos Santos, A. Bernardo H. Fungani, de o presidente da Comissão Nacional Eleitoral ter recebido 15 milhões de dólares, para tornar a lista do MPLA com João Lourenço vencedora, com maioria absoluta ou qualificada.

Verdade ou mentira, tudo incrimina. 
Principalmente, face à ostensiva recusa, no apuramento dos resultados eleitorais em 15 das 18 províncias do país. 
A CNE e o MPLA, como hoje se discute no seu interior, têm plena consciência de só pela força e pelo poder da corrupção transformaram derrotado em vencedor e vencedores em derrotados.

E, para contornar a espiral da bandeira reivindicativa da oposição, capitaneada pela UNITA, inteligentemente, João Lourenço concedeu audiência exclusiva a Isaías Samakuva, recebendo deste o benefício da dúvida sobre um pretenso combate ao nepotismo, à discriminação política e à corrupção, mas a boa-fé do líder da oposição de nada valeu, pois JLo transformou o essencial em acessório, ao desresponsabilizar os roubos.

Desenganem-se aqueles que acreditaram que com esta tribo política (continuação da anterior), haverá alternativa de dias melhores, pelo contrário, a tempestade será devastadora, para os pobres, que terão menos comida à mesa, tal como, na crueza das palavras, reconheceu no dia 8 de Janeiro, o Presidente da República.

Inflação e desemprego serão aliados da maioria dos cidadãos, com a agravante da promessa eleitoral dos 500 mil postos de emprego, prometidos pelo MPLA, ter sido mandada às urtigas, tal como o aumento salarial na Função Pública, só será possível com despedimento de mais de 50% dos funcionários. 
É a lógica de uma desastrosa política económica que ao não privilegiar o consumo, aposta em cada vez mais impostos, para os pobres, alimentando a “banga” da corrupção institucional.

Nesta encruzilhada, Angola está carente do pragmatismo e sagacidade de um líder, à dimensão de um Nito Alves ou Jonas Savimbi, que diante da crise não iam à cesta básica do pobre, nem, vergonhosa ou dolosamente, assinariam o ofício de aumento de salário de governantes, parlamentares e juízes, como se estivéssemos num festim de quadrilha.

Um verdadeiro líder da oposição tem de ser um mobilizador, com soluções pragmáticas, ante o desvario actual. 
Tem de ser um leão inconformado, capaz de impor respeito, aos adversários e admiração popular. 
A oposição tem de deixar de ser medrosa e enfrentar a realidade, reivindicando nas ruas a penúria popular, e uma governação mais responsável e honesta, mostrando estar disposta a abdicar das mordomias e conforto dos gabinetes, porque os angolanos precisam de políticos, sérios, honestos e trabalhadores comprometidos com a felicidade do povo e não com corruptos, ladrões ou seus cúmplices.