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domingo, 29 de março de 2015

Jardim pode reactivar o movimento FAMA e transformá-lo em partido

Alberto João Jardim
LÍLIA BERNARDES 29/03/2015 - 08:09
Fonte social-democrata garante que o ex-líder do PSD/M, presidente da Fundação Social-Democrata (FSD), prepara-se para montar escritório na residência de família onde viveu até aos 30 anos e adquirida pela FSD por 140 mil euros.

Há muitos anos, Alberto João Jardim garantiu ironicamente aos jornalistas que no dia em que abandonasse o PSD Madeira e o governo regional iria “virar hippie”. 
Um pouco tarde para se fazer membro de uma contracultura dos anos 1960, mas há sempre uma saída. 
Afastado da campanha eleitoral, Alberto João deu o mote. 
Vai andar “muito à solta”, o que significa poder integrar “movimentos populares que tenham ser feitos para travar a mesma burguesia inculta”.

De acordo com fonte social-democrata, Jardim prepara-se para reactivar o FAMA, sendo ele o representante número 1 deste “Fórum para a Autonomia da Madeira”, criado por figuras do PSD e que conta com personalidades da sociedade civil, algumas delas ligadas a partidos da oposição, disse ao PÚBLICO. 
De acordo com a mesma fonte, conforme o andar da carruagem, o movimento poderá “transformar-se num novo partido, não sendo obrigatório que seja liderado por dr. Jardim”. Não nos podemos esquecer que Jardim, em 2008, anunciou que iria criar um novo partido, o Partido Social Federalista, para fazer “oposição séria ao país”. 
Este tema chegou a ser discutido numa reunião do FAMA.

Nas declarações da sexta-feira, último dia de campanha eleitoral em que inaugurou um atuneiro no Caniçal, e parte de um cais de acostagem de navios na baía do Funchal, Jardim foi claro: “Há gente que está convencida que, pelo facto de eu sair das funções que neste momento ocupo, vamos voltar ao antigamente. 
Estão enganados. 
Domingo não é o fim da história. 
Se calhar vai ser o começo de outra história ou de várias outras histórias”. Jardim, sublinhe-se, é presidente da FSD, instituição que adquiriu por 140 mil euros a antiga residência familiar onde Jardim viveu até aos 30 anos, com o objectivo de transformá-la em casa-museu, “tendo em conta a sua retirada em 2011”, lê-se, ainda, no site da fundação.

Mas em 2011, Alberto João foi novamente a votos, saindo, agora, seis meses antes de terminar o mandato. 
Segundo a já citada fonte, logo após a tomada de posse do novo governo, prevista para 25 de Abril, Jardim prepara-se para dar-lhe uso, montar ali o seu próprio escritório, encher as prateleiras de medalhas recebidas ao longo de quase quatro décadas, livros da biblioteca privada, pinturas e serigrafias, bem como “outros símbolos e recordações das mais variadas colectividades portuguesas e estrangeiras”. 
O objectivo será “dinamizar o papel da própria FSD”. 
Falta saber como vai o actual líder do PSD regional, Miguel Albuquerque, gerir estas contas. 
É que o PSD-Madeira tinha uma dívida na ordem dos seis milhões de euros. 
E, segundo a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), o seu capital próprio era negativo em quatro milhões de euros em 2009 (3,4 milhões em 2008), o que configura uma situação de falência técnica.

Apesar do seu vasto património, actualmente muito desvalorizado, não é menos grave a situação financeira da Fundação Social Democrata, com dívidas próximas das do partido e com as quais se confundem. 
Em 2009, o PSD-M devia 216 mil euros à fundação e tinha a receber desta 553 mil euros, situação que a ECFP disse ter “dificuldade em compreender”. 
Entre outras razões, apontou “ser o PSD arrendatário, na Madeira, de vários imóveis” que funcionam como sedes locais, expediente utilizado por Jardim para evitar que estas integrassem o património do partido nacional (PUBLICO, 30/12/2014). 
Entretanto, dentro do PSD/M, são realmente poucos os que acreditam que o ex-líder possa vir a ocupar o lugar que lhe pertence como deputado na Assembleia da República, por um período de poucos meses. 
“Armado em Mota Amaral? 
Ele não se sujeita a isso”. 
Também não acreditam que Jardim faça um ensaio como candidato a Belém, embora seja fácil recolher 7500 assinaturas. 
“Não tem condições físicas e uma derrota estrondosa seria o fim da carreira”.

Pelo meio, ficou uma oportunidade perdida ao ter recusado o convite de Pedro Passos Coelho para número dois da lista às eleições europeias encabeçada por Paulo Rangel. “Estaria em Bruxelas com palco mediático assegurado”, referiu. 
E este é o problema do homem que viveu sempre sob os holofotes. 
E notou-se neste período de gestão. 
Para além das decisões de gabinete (por exemplo, o aval de crédito de dez milhões ao Clube Sport Marítimo) foi um corrupio sobretudo na ponta final que irá continuar para a semana na ilha do Porto Santo onde costuma gozar férias da Páscoa e de Verão. 
Para além das duas inaugurações de sexta-feira, Jardim chegou este ano a inaugurar uma rulote, as novas instalações do restaurante típico madeirense, propriedade de “um empresário seu amigo e de quem é cliente há muitos anos”, lê-se na agenda do site da presidência, participando ainda ontem, num jantar de celebração do 28.º Aniversário da Associação de Animação Geringonça (troupe de carnaval) e ali proferindo um discurso. 
Na sexta-feira, ofereceu um jantar de despedida na Quinta Vigia, onde juntou governantes, directores regionais, presidentes de institutos e de empresas públicas. 
Questiona-se que a despedida terá sido paga pelo erário público.

Jardim em gestão dá aval de crédito de 10 milhões ao Marítimo

Alberto João Jardim continua a marcar o ritmo da Madeira
LÍLIA BERNARDES 20/03/2015 - 20:03
Apesar de estar em gestão, o governo regional da Madeira aprovou um apoio para remodelar o Estádio dos Barreiros. 
No terreno eleitoral, as principais forças políticas partilham ideias comuns para resolver problemas sociais.

Nas vésperas de deixar o governo da Madeira, o actual executivo em modo de gestão, liderado por Alberto João Jardim, decidiu conceder o aval da região ao Club Sport Marítimo (CSM), garantindo, assim, uma operação de crédito a contrair junto do BANIF, sob a forma de um Contrato de Abertura de Crédito, até ao montante de 10 milhões de euros e pelo prazo de até 4 anos e 9 meses, com a finalidade de financiar a remodelação do Estádio dos Barreiros.

A taxa do aval foi fixada em 0,5% ao ano. 
A decisão foi ontem publicada no JORAM, Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira, com data do conselho do governo de 8 de Janeiro. 
Justificação? 
“A melhoria da rede de infraestruturas desportivas de qualidade constitui um pilar de desenvolvimento, conforme consta do documento de orientação estratégica regional para o período 2007-2020, denominado de Compromisso Madeira 2020”, alega o despacho.

No terreno da campanha eleitoral, com Jardim fora da corrida, os partidos vão tentado passar a sua mensagem indiferentes à actual gestão. 
Há apenas algumas referências ao passado, com a Coligação Mudança, encabeçada pelo PS, a reforçar a ideia de “consolidação da democracia” em termos políticos; o CDS a referir-se a um “problema de cidadania que profilerou nos últimos anos”, fruto da “arrogância do poder”, e o líder do PSD, Miguel Albuquerque, a apresentar-se como “um cidadão livre, militante de um partido democrático, liberto de quaisquer condicionalismos, com a garantia de renovação, sem sectarismos” passando a mensagem que “esse tempo acabou”.

E seguem para bingo, agora debaixo de guarda-chuvas, a distribuir esferográficas, panfletos e mensagens. 
Há um diagnóstico comum aos partidos que concorrem às eleições legislativas na Madeira: "A situação económica da região é grave, devido ao excesso de endividamento público e privado. 
E até as soluções são semelhantes, sobretudo entre os principais partidos.

Se formos pelo número de páginas dos programas eleitorais, ganha o CDS que ultrapassa as 160. 
O PSD editou uma brochura A5 condensada com 50 páginas e a Coligação Mudança (PS, PTP, MPT e PAN) um dossier de 150, apresentado ontem em powerpoint pelo número 2 da lista, o socialista Carlos Pereira. 
O PCTP/MRPP também lançou um “programa de emergência” com 12 pontos, tal como a maioria dos partidos mais pequenos que sabem que não têm hipótese de formar governo, caso da Plataforma de Cidadãos (sob a tecto do PPM/PDA), BE, PNR, MAS, JPP e CDU. Todos abordam os mesmo problemas com soluções muito parecidas, sobretudo no que se refere à necessidade de renegociar a dívida da Madeira, a questão das ligações marítimas e aéreas, a economia do mar, privatizações e autonomia.

Na apresentação, esta sexta-feira, do programa da Coligação Mudança sobressaiu a agenda social que aponta para “uma verdadeira política social de inclusão e de combate à pobreza”, com instrumentos que passam por uma avaliação da situação, uma política centrada na família, uma reestruturação do centro regional de segurança social, pela constituição de um conselho económico e social, apoio aos idosos e desempregados, acréscimo do salário mínimo, apoio à natalidade, cooperação das IPSS/Igreja e Misericórdias.

Propostas que não divergem muito das do PSD, que preconiza a “justiça social e distributiva” como matriz do partido, garantindo que “o diagnóstico está feito”, daí apostar na “prevenção, resolução e acompanhamento” sobretudo dos grupos mais vulneráveis, reforçando o trabalho de parceria com as IPSS e desenvolvendo novos acordos de cooperação com as autarquias.

Mais liberal, o CDS diz, por seu turno, que não cabe ao sector público o exclusivo destas matérias, pelo que é necessário “estimular parcerias com os sectores privados e sociais, por exemplo com as IPSS” promovendo, ainda, uma “efectiva justiça social através de políticas públicas, da via fiscal e das prestações sociais”.

Se as propostas se repetem, que dizer das bandeiras de campanha que já pouca diferença fazem? 
Enquanto o PSD mantém a cor laranja, a confusão de azuis, uns mais claros do que outros, formam uma moldura estranha. 
A Coligação Mudança (PS, PTP, PAN e MPT), o CDS e a CDU (PCP/PEV) distribuem entre si as várias tonalidades dessa onda azulada, confundindo quem é quem, o que complica, ainda mais, a apatia e a indecisão.

“Eu sempre votei PS, mas com esta coligação com o José Manuel Coelho (PTP), nem pensem. 
Vou votar noutro qualquer que possa tirar a maioria ao PSD”, disse ao PÚBLICO uma vendedora de jornais. 
Ainda se continua a esconder o nome. 
“Não quero aparecer”. 
A sociedade civil não se libertou das amarras do passado.

Sucessor de Jardim no PSD-Madeira herda dívida superior a 13 milhões

Alberto João Jardim
TOLENTINO DE NÓBREGA 30/12/2014 - 07:21
Património da fundação que inclui prédios vendidos por Jardim e Jaime Ramos não dá para cobrir o seu passivo e o do partido.


O novo líder do PSD regional, eleito na segunda-feira, vai herdar uma dívida superior a 13 milhões de euros, contraída pelo partido e pela Fundação Social Democrata da Madeira (FSDM) até agora presididas por Alberto João Jardim.

O seu sucessor, Miguel Albuquerque, promete reduzir os custos da gigantesca e tutelar máquina partidária. 
E “estimular o pluralismo interno”, pondo fim à “estrutura esclerosada, monopolista do pensamento único, vigente no PSD/Madeira nos últimos anos”, argumenta.

Antes do primeiro confronto entre Jardim e Albuquerque, o PSD-Madeira tinha uma dívida na ordem dos seis milhões de euros. 
E, segundo a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), o seu capital próprio era negativo em quatro milhões de euros em 2009 (3,4 milhões em 2008), o que configura uma situação de falência técnica.

A estrutura partidária liderada por Jardim devia então 3,99 milhões de euros a instituições de crédito, o que representava 80,4% do financiamento bancário obtido por todo partido. 
Há um ano, o Banif, o maior financiador dos sociais-democratas madeirenses (3,3 milhões de euros), moveu uma acção de execução contra o PSD, a reclamar créditos. 
O mesmo têm feito outras entidades privadas e públicas, como a Electricidade da Madeira e Câmara do Funchal que reclamam à fundação centenas dezenas de milhar de euros em facturas de energia e água por regularizar há vários anos.

Apesar do seu vasto património, actualmente muito desvalorizado, não é menos grave a situação financeira da Fundação Social Democrata, com dívidas próximas das do partido e com as quais se confundem. 
Em 2009, o PSD-M devia 216 mil euros à fundação e tinha a receber desta 553 mil euros, situação que a ECFP disse ter “dificuldade em compreender”. 
Entre outras razões, apontou “ser o PSD arrendatário, na Madeira, de vários imóveis” que funcionam como sedes locais, expediente utilizado por Jardim para evitar que estas integrassem o património do partido nacional.

Criada em 1992, a fundação viu o seu património crescer exponencialmente dos iniciais 50 mil euros para 12,7 milhões de euros em 2010. 
Integra, além dos prédios e da herdade onde se realiza a festa anual do Chão da Lagoa, uma vasta frota automóvel, com viaturas topo de gama, como um Rolls-Royce.

No seu último mandato, Jardim vendeu a casa que herdou da mãe, no Quebra-Costas, à fundação a que preside. 
A aquisição, por 140 mil euros, foi justificada com o fim de transformar a habitação num museu dedicada ao presidente da Madeira e seu antigo proprietário.

Jaime Ramos seguiu o exemplo de Jardim, de quem tem sido o número dois no partido. 
A um ano de abandonar este cargo, empresas do seu império venderam dois imóveis à fundação, num negócio em que o também secretário-geral do PSD interveio como administrador daquela instituição. 
As transacções de um armazém e de uma fracção de um prédio urbano ultrapassaram os 1,7 milhões de euros. 
Estes negócios entre Ramos, empresário e administrador da fundação laranja, ficaram isentos de impostos por decisão de membros do governo regional, que integram igualmente os órgãos dirigentes do PSD-Madeira. 
E que também isentaram a fundação de impostos e taxas, com a declaração de utilidade pública.

Albuquerque defendeu durante a última campanha interna que “deverá ser repensada a forma de se promover campanhas e comícios bem como os seus custos, optando severamente pela racionalização das verbas utilizadas”. 
Pois torna-se insuportável e inviável manter as elevadas despesas fixas com o funcionamento de sedes em todas as freguesias do arquipélago, adquiridas pela Fundação Social Democrata (para não integrarem o património do partido nacional) mas arrendadas à estrutura partidária regional, e as onerosas campanhas eleitorais sem paralelo no país, em parte suportada pelas subvenções parlamentares, uma forma de duplo financiamento partidário declarado ilegal e inconstitucional.

Na campanha para as regionais antecipadas de 2007, Jardim gastou mais do que Cavaco Silva nas presidenciais, apesar de contar com uma subvenção estatal inferior a um quinto do que recebeu o eleito Presidente da República. 
Com um orçamento ligeiramente superior a três milhões de euros, despendeu mais de três milhões, quatro vezes mais do que em 2004.

"Com milhões, faço inaugurações; com inaugurações, ganho eleições" foi a máxima de Jardim que contou com a colaboração dos construtores adjudicatários nos comes-e-bebes sem restrições com que presenteava a população nos actos inaugurais das obras, marcados pelo calendário eleitoral e nalguns casos realizados antes da conclusão. 
“Numa altura em que se exige aos cidadãos elevados esforços financeiras, os políticos também devem dar o exemplo”, sustenta o novo líder regional do PSD que defende ainda um corte nas subvenções parlamentares.

No âmbito partidário, Albuquerque terá a curto prazo de proceder à profunda alteração dos estatutos do PSD, nomeadamente ao nível da reforma da organização local, fazendo regressar as comissões políticas concelhias, numa perspectiva de preparação das próximas eleições regionais. 
Já no congresso, marcado de 10 e 11 de Janeiro, deverá introduzir o método de Hondt na eleição do conselho regional, para assegurar a representatividade das diferentes sensibilidades e “estimular o pluralismo interno”.

Afluência na Madeira era de 17,21% ao meio-dia

Miguel Albuquerque votou de manhã
LUSA 29/03/2015 - 14:22 (actualizado às 15:14)
Representante da República lembra que há 40 mil eleitores fantasma e que é preciso limpar os cadernos eleitorais.


A afluência dos eleitores às urnas nas eleições legislativas regionais da Madeira era de 17,21% às 12h, de acordo com a secretaria-geral do Ministério da Administração Interna (MAI). 
À mesma hora, nas eleições de 2011, a taxa de participação era de 23,47%.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), João Almeida, adiantou que as eleições estão a decorrer normalmente: "as coisas estão a correr muito bem, há sempre pequenas questões mas, de uma maneira geral, está a decorrer pacificamente e tem-se resolvido todas essas pequenas questões".

Segundo João Almeida, a CNE recebeu 14 queixas até ao final do período campanha eleitoral "mas ontem [sábado] recebeu mais uma".

No entanto, o representante da República, Ireneu Barreto, lembrou que "é preciso cuidado no tratamento dos números, pois, há cerca de 40 mil votantes fantasma”. 
O responsável salientou que “os cadernos eleitorais não estão devidamente actualizados”, apelando que esta situação seja resolvida para que seja possível ter “números fiáveis sobre a abstenção”.

Estas eleições contam com cerca de 256 mil eleitores e mais duas forças partidárias em relação ao último sufrágio realizado em 2011.

As urnas abriram este domingo às 8h na Região Autónoma da Madeira para os eleitores residentes neste arquipélago poderem escolher os 47 deputados que os vão representar no parlamento regional, e de onde sairá um novo governo.

Onze forças partidárias concorrem às 11.ª eleições legislativas regionais desde 1976, naquela que é a maior participação de forças políticas neste tipo de sufrágio.

Das forças políticas concorrentes à Assembleia Legislativa da Madeira, oito são partidos (PSD, CDS, PND, PCTP/MRPP, BE, JPP, PNR e MAS) e três são coligações: Mudança (PS/MPT/PTP/PAN), Plataforma de Cidadãos (PPM/PDA) e CDU (PCP/PEV).

Campanha eleitoral chega ao fim sem rasgos inovadores e sem “chama”

A campanha eleitoral acaba esta sexta-feira
LÍLIA BERNARDES   27/03/2015 - 07:51
Jardim aparece no último dia de campanha para avalizar uma das últimas obras que ainda não está terminada: um passeio pelo novo cais de acostagem, orçamentado em 17,8 milhões de euros saídos da Lei de Meios.

Chegados ao último dia de campanha eleitoral na Madeira, Alberto João Jardim, que se manteve afastado de todo este processo, 'obriga', de véspera, os jornalistas a escreverem o seu nome e a emitirem imagens dos últimos passos do presidente, não vá a 'história' esquecê-lo.

Neste adeus dramático de quem deixa a Madeira em sarrafos, o senhor que foi da ilha visita esta sexta-feira à tarde o novo cais do Funchal de atracagem de navios de cruzeiro, ainda em fase de construção, uma obra estimada em 17,8 milhões de euros, e contestada pelo anterior presidente da Câmara Municipal do Funchal e atual líder do PSD, Miguel Albuquerque, candidato às eleições de domingo, assim como por ambientalistas, partidos da oposição e por larga faixa da população. 
“Um escarcéu”, como disse, na altura. 
Com 300 metros de extensão, esta intervenção sobre a zona do depósito de inertes, consequência do temporal de 20 de Fevereiro de 2010, incluiu a junção da foz de duas ribeiras e outros arranjos urbanísticos.

E é assim que Jardim se despede. 
Com um passeio à beira-mar e com a garantia do INE de que a região tem pelo segundo ano consecutivo um superavit nas contas da Administração Pública Regional (APR) no valor de 89,2 milhões de euros, de acordo com os dados reportados à Direção Regional de Estatística (DRE), embora a Divida Bruta (dívida global), em 2014, se situasse em 4.468,3 milhões de euros, tendo aumentado cerca de 177,4 milhões de euros em relação ao ano de 2013. 
Uma notícia que cai no fecho da campanha.

Mas como até ao lavar dos cestos é vindima, as 11 forças políticas em disputa num boletim de voto com 12 siglas – o PDR não vai a jogo mas aparece na impressão papelinho das opções – não há minutos a perder. 
Com Albuquerque a encher jantares comício e a fazer-se acompanhar por antigos adversários políticos internos e velhos jardinistas, o PSD Madeira sente-se já à beira do poder com promessas de um novo ciclo para a região, acabando os dias de propaganda com a tradicional caravana à volta da ilha.

Neste balanço de campanha chega-se à conclusão que, se o PS tivesse feito coligação com o CDS, com uma lista forte encabeçada por uma figura saída da sociedade civil, como tinha proposto José Manuel Rodrigues, líder regional dos populares, o caminho dos sociais-democratas estaria mais dificultado. 
Tal não aconteceu. 
O PS preferiu juntar-se ao PTP de José Manuel Coelho, ao MPT e ao PAN, numa fase em que todos acreditavam que seria desta vez, sem Jardim, que a oposição conseguia dialogar e demonstrar unidade em torno de um projecto comum.

Mais uma vez assiste-se a uma fragmentação. 
O surgimento de pequenos novos partidos aumenta a hipótese de uma pulverização de votos, sobretudo à esquerda. 
E a abstenção tende a aumentar, depois de uma campanha morna, antiga, com fórmulas de comunicação gastas pelo uso, nada inovadoras e que transmitiram cansaço. 
Saúde, educação, administração pública, desemprego, pobreza, plano de resgate, foram assuntos partilhados por todos.

Tal como o BE, a Coligação Mudança tentou atacar o PSD, fazendo uma ligação de Albuquerque à gestão da autarquia funchalense e à herança jardinista. 
Os socialistas contaram com a presença de António Costa numa viagem relâmpago e nesta sexta-feira recebem Carlos César. 
O BE teve Francisco Louçã, Mariana Mortágua e Catarina Martins.

Victor Freitas (PS, cabeça de lista da coligação Mudança) bem desafiou Albuquerque a incluir Passos Coelho na campanha do PSD. 
Tal não aconteceu. 
Já o CDS trouxe Paulo Portas e Assunção Cristas e ambos defenderam a “necessidade” de o PP entrar num próximo governo, com José Manuel Rodrigues a pedir ao eleitorado para não colocar os ovos todos no mesmo cesto.

Quem pode surpreender é o recente partido Juntos pelo Povo (JPP), nascido de um movimento de cidadãos, e que pode atingir três ou quatro deputados. 
Encararam esta corrida de forma positiva, dando para exemplo a gestão “séria e construtiva” da autarquia de Santa Cruz, ganha pela JPP nas últimas autárquicas e que retirou a vitória do PSD. 
Num balanço da campanha, Filipe Sousa, mandatário do candidato, considerou que tem sido de “forma coordenada, planeada, sem qualquer tipo de atropelos, sem ataques pessoais”, lamentando que outros partidos estejam a apontar o JPP como “principal alvo de ataque”.

Quem seguiu, ainda, o discurso anti-protesto foi a Plataforma dos Cidadãos (PDA/PPM) que sempre defendeu uma cultura de estabilidade. 
Miguel Fonseca, ex-socialista, queria inclusive que Alberto João Jardim fosse escolhido como presidente da região (figura inexistente em termos constitucionais), ficando a um nível superior ao presidente do governo, contribuindo, desta forma, “com a sua longa experiência” para o futuro regional.

Quem deitou âncora na Madeira foi o membro do Comité Central do PCTP/MRPP Garcia Pereira, neto de Pestana Júnior, ministro das Finanças da 1ª Republica, nascido na ilha do Porto Santo, e um dos homens da Revolta da Madeira de 4 de Abril de 1931 contra Salazar (o avô de Miguel Albuquerque, tenente Francisco Machado, também participou nesta revolta) e que vem apelando ao voto para evitar maiorias na composição do parlamento, acreditando que é possível ter um deputado na Assembleia Legislativa da Madeira. "Estamos também disponíveis para votar a favor de quaisquer propostas, venham elas de onde vierem, que visem defender o povo da Madeira e do Porto Santo", disse.

Mais modesto, e sem aparatos, andou nos últimos dias o PNR pelas ruas num combate contra a burocracia e a favor da energia limpa enquanto o Movimento Alternativa Socialista (MAS) passeou o cão Quico, um São Bernardo transformado em mascote para “farejar o grave cheiro da corrupção”.

Madeira vai a votos sem Jardim ao fim de quase quatro décadas

Os madeirenses estarão dispostos a depositar a confiança, de novo, no PSD com ou sem maioria absoluta?
LÍLIA BERNARDES   29/03/2015 - 08:01

Com uma dívida na ordem dos 7,5 mil milhões de euros, um desemprego galopante e uma taxa de pobreza elevada, os eleitores vão decidir a quem entregam os destinos da região autónoma. 

Estarão dispostos a depositar a confiança, de novo, no PSD com ou sem maioria absoluta?

Cinquenta mil eleitores “fantasma” vão neste domingo às urnas incluídos num total de 256.239 cidadãos recenseados, quase a totalidade da população da Madeira, estimada em 261.313 pessoas (dados de 2013). 
Num arquipélago que apresenta uma taxa de crescimento negativa, assiste-se ao problema de sempre: há concelhos com mais eleitores do que residentes, tomando por base o Censos de 2011.

O exemplo da Madeira é sempre citado como a região onde o escândalo dos cadernos eleitorais, cuja limpeza é sempre adiada, distorce os números, nomeadamente no que toca à abstenção. 
Não tem havido vontade política para alterar isto, até porque reduzir o número de eleitores tem impacto nas verbas destinadas às autarquias e eleição de deputados.

E é disso hoje que se trata. 
Escolher a composição de um novo parlamento, de onde sairá o próximo governo que deverá tomar posse a 25 de Abril. 
O primeiro desde 1976 sem a presença de Alberto João Jardim, que sai pela porta do fundo depois de levar a Madeira a uma situação de bancarrota e a um dos maiores índices de desemprego e de pobreza. 
Mas não se julgue que o ex-líder do PSD vai ficar parado. 
Aliás, seria improvável, para quem conhece o perfil deste governante com 40 anos no cargo: “Não pensem que me retiro da política”, garantiu no último dia de campanha eleitoral onde inaugurou um atuneiro e uma obra inacabada.

O tsunami da dívida
E agora? 
Como será o futuro da Madeira? 
A herança é pesada. 
Ninguém nega que foram realizadas obras e serviços necessários mas gastou-se dinheiro em excesso e construíram-se infra-estruturas sem préstimo, algumas delas abandonadas quando a crise bateu à porta e a “Singapura do Atlântico”, ideia criada por Jardim, foi levada pelo tsunami da dívida. 
Dívida que arrancou com 6,3 mil milhões de euros e que teoricamente deveria estar em 7,5 mil milhões (montante identificado pela Inspecção-Geral de Finanças mais empréstimo de 1,2 mil milhões de euros), sendo que até agora a Madeira só pagou os juros correspondentes. 
Em 2014, só os encargos com o serviço da dívida atingiram 400 milhões de euros, num orçamento de 1,5 mil milhões de euros.

Em matéria fiscal, os madeirenses foram penalizados e, apesar dos custos de insularidade, deixaram de beneficiar de um regime mais favorável. 
Os impostos ficaram ao nível dos nacionais, excepção para o IVA, que ficou um ponto percentual abaixo da tabela máxima. 
Todos os partidos prometem resolver esta situação, fruto de megalomania consentida pelos vários governos da República – a Madeira foi sempre encarada como um “caso à parte” –, que deram rédea larga para Jardim dizer e fazer o que entendeu, com um caminho facilitado por uma oposição desconcentrada, entretida em guerras internas. 
O PS, por exemplo, perdeu em 2011 o lugar do pódio como primeiro partido da oposição, cedendo-o ao CDS, isto apesar de o PSD ter obtido um dos piores resultados de sempre.

Um novo quadro
As ligações com o poder central viveram anos de crispação permanente, vividos na ilha sob uma carga autocrática que fragilizou e infantilizou a sociedade civil, brutalmente marcada por condições socioculturais elitistas que a História revela desde o século XIX, potenciadas ainda pelo salazarismo que virou as costas à ilha desde a revolta de 1931, comandada pelo general Sousa Dias.

O segredo de Jardim foi conhecer o passado da ilha, pegar numa população desterrada e dar-lhe auto-estima. 
Um povo curvado para o Terreiro do Paço, para o senhorio da terra e da cultura de bananeiras, passou a estar curvado para a Quinta Vigia, o novo senhor do velho regime. Será que esta cultura mudou?

O novo quadro que a partir deste domingo se desenha leva-nos a acreditar que sim. 
Todos assumem que há um novo ciclo, com promessas de uma democracia partilhada e de respeito pelo parlamento, pelo pluralismo e pela liberdade de expressão. 
Nada será como antes, mesmo que o PSD do novo líder, Miguel Albuquerque, vença as eleições com maioria absoluta, até porque o próprio partido mudou depois das últimas eleições internas disputadas por seis candidatos que irão escrutinar a governação. 
Falta saber qual será o papel de Jardim no meio de toda esta história, se interfere ou não no executivo e se não transforma a sua longa ligação ao poder num elemento desestabilizador.

Ficou a lição de 2012, quando Albuquerque fez a diferença ao candidatar-se contra Alberto João à liderança do partido. 
Perdeu por pouco mas preparou a vitória futura – desfecho que Jardim rezava para que não se concretizasse – e um leque vasto de seguidores. 
Apesar de as sondagens lhe serem agora favoráveis como futuro presidente do governo, pode haver surpresas. 
A percentagem de eleitorado indeciso (37%) é uma ameaça. 
Se não obtiver maioria absoluta, o PSD encontrará como parceiro o CDS de José Manuel Rodrigues, que fez uma campanha centrada num objectivo: retirar a maioria aos sociais-democratas.

Parlamento plural
Uma coisa é certa: com 11 forças políticas no menu do boletim de voto, cujos boletins foram impressos antes de o Tribunal Constitucional ter invalidado a candidatura do PNR de Marinho e Pinto, existe a possibilidade de o parlamento regional ter uma composição extremamente diversificada. 
Para além dos eleitos pelo PSD, CDS e Coligação Mudança, composta pelo PS, PTP, PAN e MPT, e que tudo a crer irão autonomizar-se no parlamento regional, existe ainda a CDU, a JPP (Juntos pelo Povo), para além da hipótese de o BE, PND e MRPP conseguirem eleger um deputado, ocupando assim as 47 cadeiras na Assembleia Legislativa regional, fruto da alteração da Lei Eleitoral que reduziu o número de deputados. 
Um leque vastíssimo de pluralidade parlamentar. 
Falta ainda saber se o resultado desta noite da Coligação Mudança não atingir as expectativas dos socialistas, qual será o destino de Victor Freitas, líder regional, principal responsável pelo acordo com o PTP do polémico José Manuel Coelho, contestado por muitos militantes do PS. 
Com as legislativas nacionais a aproximarem-se, a probabilidade de um congresso antecipado mantém-se no horizonte como consequência desta eleição.

Hoje, dia em que os católicos vão à igreja abençoar folhas de palmeira e o relógio adianta uma hora, madeirenses de 11 concelhos são chamados a exercer o direito de voto. 
Numas eleições antecipadas que surgiram na sequência do pedido de exoneração apresentado pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, depois de ter sido substituído na liderança do partido maioritário (PSD) por Miguel Albuquerque, em Dezembro de 2014.

sábado, 28 de março de 2015

Bandos de extrema-direita da Europa no Fórum Internacional de Conservadores na Rússia realizado em St. Petersburg

FÓRUM INTERNACIONAL DE CONSERVADOR
realizado em St. Petersburg   12:17, 24 de março de 2015
Em 22 de março, o fórum conservador russo teve lugar no Holiday Inn, em São Petersburgo.
Este ano, os grupos políticos russos estavam acompanhados por representantes da extrema direita europeia.
Entre os participantes estavam o ex-líder do Partido Nacional Democrático alemão Udo Voigt e os membros do partido neonazista grego Amanhecer Dourado, que usam uma suástica modificada como símbolo do partido.
Os convidados europeus denunciaram por unanimidade os EUA e a "junta Kiev", enquanto elogiavam Vladimir Putin e a lei russa contra a "propaganda gay". 
Os seus homólogos russos disseram que a Rússia iria voltar para os braços da Europa uma vez que os países europeus reclamam a sua soberania nacional.
Poucos antifasicists sem entusiasmo fizeram piquetes em frente ao hotel.
A noite antes da convenção, eles protestaram contra a chegada dos neonazistas, bloqueando Nevskiy Prospekt, a principal rua de St. Petersburg.
O fórum terminou antes do previsto, quando uma ameaça de bomba foi avisada que estava dentro do hotel.

"Estas pessoas estão aqui de propósito? Eles estão tentando causar um conflito a partir do momento que você entra? ", Perguntou um homem de cabelos compridos com uma gravata borboleta enquanto verificava o seu casaco.
Apesar da sua aparência elegante, ele não estava ali para ver uma peça de teatro; ele tinha vindo para participar no fórum conservador russo em St. Petersburg no Holiday Inn, onde os trabalhadores migrantes provenientes da Ásia Central estavam trabalhando no bengaleiro.

A convenção dos nacionalistas russos, que agora preferem chamar-se "conservadores" ou "tradicionalistas", foi também participada por companheiros pensadores europeus.
O tom de todos os discursos subsequentes fixada pela pela abertura endereçada de Yury Lyubomirsky, o organizador do fórum e coordenador do capítulo de St. Petersburg do partido político Rodina (Mãe Pátria) 
"Nosso sonho é a libertação nacional da Europa", proclamou, usando o termo "nacional" para denotar "etno-nacional", como é típico em língua russa.

Fyodor Biryukov, membro do conselho político do Rodina, elogiou o seu próprio evento.
"Esta é a primeira pedra colocada na fundação de uma nova ordem mundial que estamos destinados a construir.
St. Petersburg está se tornando a cidade de uma nova revolução - uma revolução de interesse nacional contra a conspiração das 100 famílias mais ricas do mundo, que transformaram o planeta na sua própria plantação ", disse ele.
De acordo com o plano de Biryukov, os "homens de boa vontade" que se reuniram no fórum devem se unir para formar as suas próprias organizações internacionais conservadoras para substituir a "UN pró-fascista e a OSCE."

"Qualquer pessoa que fala com qualquer membro do governo ucraniano é cúmplice de terroristas", Biryukov enfureceu-se, tomando Vladimir Putin um cúmplice, bem como, uma vez que o presidente russo aperta periodicamente as mãos com o presidente ucraniano Petro Poroshenko.

Fedor Biryukov, membro do conselho político do partido Rodina, falando no fórum conservador internacional russo em São Petersburgo. 22 março, 2015.

Biryukov concluiu no seu discurso com um clamor emocional: "Na cidade imperial de São Petersburgo, testemunhamos o amanhecer de um novo mundo das nações! 
Para a liberdade! 
Para a nação! 
Para a pátria! "

O seguinte apresentador foi Roberto Fiore, líder do partido italiano Force. 
Fiore disse que, como romano, ele sabia que "Moscovo é a terceira Roma, bem como o papel da Rússia na história é reviver a cristianismo." 
Ele observou que estes não são as suas próprias palavras, mas sim "as palavras de Deus."

Durante o intervalo, o político italiano explicou por que ele e os seus colegas europeus vieram para São Petersburgo e por que eles apoiam a Rússia: "Nós não queremos guerra, queremos comercial normal para retomar com a Rússia, e precisamos de uma alternativa ao imperialismo norte-americano. 
"Fiore virou-se para um jornalista do New York Times e perguntou por que havia centenas de bases militares americanas na Itália. 
O jornalista respondeu perguntando se Fiore estava preocupado que Putin estivesse a utilizar os partidos de extrema direita europeia para os seus próprios fins. 
"Não! 
Mesmo o [primeiro-ministro italiano] Matteo Renzi veio a Moscovo em março, para melhorar as relações com Putin. 
Mesmo a [chanceler alemã] Angela Merkel e [o presidente francês], François Hollande não querem brigar com a Rússia.
Acabamos de declarar abertamente o que eles dizem em segredo. 
Ninguém na Europa, exceto, talvez, os estados bálticos, pretendem sanções contra a Rússia, todo mundo quer ser amigo da Rússia", respondeu Fiore. 
Segundo ele, os americanos estão insistindo em sanções, mesmo pensando que o seu volume de negócios no comércio com a Rússia tenha aumentado em 20 por cento no ano passado, enquanto que na Europa diminuíram na mesma proporção.

Representantes do renomeado partido francês Frente Nacional de Marine Le Pen não compareceu ao fórum. 
Além disso, um ex-membro do partido Frente Nacional Olivier Wyssa, que estava presente, criticou os seus ex-aliados. 
Ele afirmou que a maioria dos amigos de Le Pen são homossexuais, muitos deles são "maçons judeus", e Le Pen ela própria não conseguiu combater a legislação que permite o aborto e casamento gay.

Quanto mais alto o status dos convidados de extrema-direita da UE (alguns deles são os atuais membros do parlamento) quanto mais cuidadosamente eles tentaram evitar fazer afirmações radicais (os seus homólogos russos foram ensinados a seguir o exemplo da lei da Rússia contra gravetos do ódio étnico). 
Até mesmo os membros do Parlamento Europeu do partido grego Aurora Dourada, cujo líder está cumprindo uma pena de prisão, ocupavam-se resmungando algo entediante sobre as parcerias comerciais greco-russos. 
Parece que a comissão organizadora lhes pedira para serem cautelosos.

"Nos seus sonhos, os liberais!", exclamou Lyubomirsky, o organizador, como ele passou correndo, ouvindo me queixar a um colega sobre a suavidade da apresentação feita por Jared Taylor, o autor do livro Branca Identidade e o líder de um movimento que ele chama de "realismo racial."

No seu discurso, Jared Taylor tinha simplesmente se desculpado pelas ações do governo dos EUA e prometeu aos seus colegas russos que os americanos regulares como ele próprio realmente apoiam a Europa e Rússia. 
Mas a certa altura eles se deixaram frouxamente e declarou que "os americanos estão cometendo suicídio por causa da promoção da diversidade racial e étnica."

O líder do Partido da Nova Força italiano Roberto Fiore fala com o autor americano Jared Taylor no forum internacional conservador russo em São Petersburgo. 22 março, 2015.

Até mesmo o ex-líder do Partido Nacional Democrático alemão Udo Voigt, que foi demitido como um neo-nazista já em 2014 por notícia estatal russa e da agência de informação RIA Novosti, foi extremamente cuidadoso nos seus apelos para que a Alemanha abandone a NATO e para criar uma nova defesa da união com a Rússia ", no centro da qual devem estar os direitos dos nossos filhos, não os direitos das bichas e lésbicas."

Ele obteve uma unanimidade de aplausos da platéia. 
Na verdade, o público iria ficar particularmente animado com qualquer menção sobre pessoas homossexuais e dos direitos excessivos que eles alegaram. 
Todos os nacionalistas na convenção pareciam estar unidos em três ódios: um ódio ao governo dos EUA, um ódio às pessoas homossexuais, e um ódio à "junta Kiev."

Barack Obama foi também repreendido pelos participantes americanos do fórum 
Sam Dickson, que representava os supremacistas brancos, referiu-se à liderança dos Estados Unidos como "o regime", que "faz lavagem cerebral aos americanos em pensarem de que Putin é um ditador e um homem mau, e que a Rússia é um agressor", enquanto que "Bush e Obama podem tornar apenas uma decisão real por dia, ou seja, que tipo de salsicha para ter no café da manhã. 
"Essa frase levou alguém na platéia a um acesso de gritos de alegria.

De acordo com Dickson, Putin "fez muito" para os americanos. 
Por exemplo, ele pegou em Snowden e impediu os EUA de enviarem tropas para a Síria, salvando três trilhões de dólares e milhares de vidas americanas. 
"As políticas de Obama são dirigidas contra os brancos e cristãos, Obama não se conforma com a lei", declarou Dickson. 
Ele terminou o seu discurso com uma frase inesperada proclamada em russo quebrado, "Deus salve o Czar!"

O discurso mais pró-russo foi dado por Cris Roman do movimento belga Euro Rússia e o publicitário finlandês Johan Bäckman. 
Roman chegou ao fórum usando uma gravata com o brasão imperial com as armas russas sobre ele, um pino da bandeira russa no seu blazer, e a fita laranja-e-preta de St. George (que significa valor militar russo) saindo do seu bolso.

"Eu apoio o exército russo, os rebeldes russos, eu não reconheço a junta de Kiev, que são fantoches de Wall Street. 
Eu não reconheço a oposição da Rússia, que é a quinta coluna. 
Politkovskaya, Nemtsov e Berezovsky estão no inferno ", declarou o convidado da Bélgica.

Ele acrescentou que ele não suporta o separatismo na Rússia. 
Falando em russo quebrado com lágrimas nos olhos, Roman disse: "A Rússia nunca pode ser menor, apenas maior. 
Criméia é russa, o Alasca é russo, e só o Kosovo é sérvio. 
A Rússia nunca vai desaparecer, porque existe a alma russa, e eu sinto que com o meu coração, com o qual se pode compreender a Rússia, não com a mente. 
Rússia é o nosso amigo, a América é nosso inimigo. 
Glória à Rússia! 
Glória a Novorossiya! 
"Ele fez alusão a um poema do século XIX por Fyodor Tyutchev que deu origem à famosa frase" A Rússia não pode ser entendida com a mente ", e falou de" Novorossiya ", um termo histórico do Império Russo, referindo-se ao região norte do Mar Negro, que agora também é utilizado para designar a união de regiões separatistas no leste da Ucrânia.

Cris Roman, representante do movimento belga Euro Rússia no forum internacional conservador russo em São Petersburgo. 22 março, 2015.

Cris Roman também não deixou de mencionar o casamento gay, especulando que "em breve no Ocidente será possível casar-se com um cão ou um pinguim". 
O anfitrião do fórum perguntou se é verdade que nas escolas europeias, às crianças lhes é dito que é normal ser-se gay. 
"As crianças menores de cinco anos são ensinadas a jogar com eles mesmos, e as crianças com mais de cinco anos é-lhes dito que ser gay é normal", esclareceu Roman.

O publicista finlandês Johan Bäckman, falando russo quase perfeito, informou que o Ocidente está lutando contra a Rússia porque a Rússia apoia os valores tradicionais. 
"A autoridade da Rússia no mundo está crescendo graças à lei progressiva contra propaganda da homossexualidade entre os menores de idade", disse Bäckman. 
Ele concluiu com a certeza de que na Rússia é "o único lugar no mundo onde é possível falar de valores tradicionais e de ter uma discussão sobre os direitos humanos."

"Como uma pessoa que vive no Ocidente, posso dizer que há mais liberdade de expressão na Rússia", continuou Bäckman. 
O público aplaudiu o sentimento, mesmo que mais tarde no programa Matvey Tszen, o líder do Partido Popular Democrático da Rússia, falando com os estrangeiros ainda confusos entusiasmados com o logro da liberdade de expressão na Rússia e sobre os processos penais instaurados contra os russos para acender uma étnica de ódio.

"A nossa Constituição dá o direito de liberdade de expressão, mas não garante a sua liberdade depois de dizer o seu discurso", brincou ele melancolicamente. 
Ninguém mencionou Alexander Belov, colega de Tszen e ex-líder do seu partido, que está atualmente em prisão preventiva, suspeito de lavagem de dinheiro.

"Os jornais estão mentindo sobre Putin! 
As pessoas apoiam a Rússia porque a Rússia protege os valores mais importantes em toda a parte! 
O regresso democrático da Criméia para a Rússia é importante para toda a humanidade! ", Concluiu Johan Bäckman.

* * *

Uma vez que a questão da Crimeia é decidida por nacionalistas russos, o tópico do separatismo do leste ucraniano solicitou mais atenção. 
A estrela do fórum foi o líder de um grupo de combatentes rebeldes voluntários Rusich, Alexei Milchakov. 
Tornou-se famoso em St. Petersburg, mesmo antes da guerra, quando fotos dele com uma bandeira nazista e o filho de um cachorro que tinha supostamente morto se espalhou pela internet em 2011. 
Mais tarde, durante o conflito no leste da Ucrânia, Milchakov pousou em frente de cadáveres de soldados ucranianos.

Comandante rebelde de combatentes do grupo "Rusich" para a autoproclamada República Popular de Lusansk Alexei Milchakov no fórum internacional conservador russo em São Petersburgo. 22 março, 2015.

Tirar fotografias com o líder rebelde era um passatempo popular para os participantes estrangeiros. 
Eles apaixonadamente apertaram a sua mão, os jornalistas estavam ansiosos para o entrevistar, e as mulheres foram colocadas de parte: "o nosso Milchakov, é um homem bonito", elas suspiravam 
Milchakov chegou ao fórum com uma mulher vestindo um vestido preto decotado atrás, e os jornalistas identificou-a como uma ativista nacionalista apelidada de Nordica.

De acordo com Milchakov, ele chegou ao fórum "directamente da linha da frente", a fim de conversar com os participantes europeus para que a Europa conheça "a verdade sobre Donbass" e se volte para Novorossiya e para longe da Ucrânia. 
Ele também esperava estabelecer acordos comerciais com empresários europeus individuais, uma vez que "o aumento dos preços está cobrando o seu lucro sobre nós."

"Onde estão essas suas fotos com o cachorro morto?", Eu perguntei-lhe. 
"Sim. 
Alegadamente. 
Foi photoshop ", disse ele. 
"O senhor considera-se fazer parte da direita radical?", perguntei eu. 
"Eu estou do lado da direita, eu sou um nacionalista, eu sou um patriota do meu povo. Agora na Europa há uma tentativa de borrar as linhas, para misturar todos e fazer um único povo para as necessidades económicas de certos indivíduos que controlam os fluxos industriais e de capitais. 
Temos que lutar por isso, "disse-me ele, e depois continuou a sua conversa com um dos participantes americanos do fórum sobre as características comparativas de espingardas adequadas para a guerra e aquelas mais adequadas para" tiros em casa."

Alexander Kofman, o Ministro das Relações Exteriores da auto-proclamada Republica de Donetsk, também era para vir ao Fórum internacional conservador russo, mas na sexta-feira, ele me disse que "não podia participar num comício de fascistas e de ultra-direita". Milchakov disse que Kofman está ocupado com outras coisas, e ele "não entende o fórum e os seus objetivos."

Como resultado, o principal orador sobre o tema da Ucrânia foi o representante do movimento Batalha para Donbass Alexei Zhivov. 
Ele se gabava de como a sua organização reuniu seis milhões de rublos (cerca de 102.500 dólares) em fundos para Donbass e reuniu dez mil pessoas numa manifestação de apoio aos Novorossiya.

"O único fascismo que existe hoje no mundo vem dos fundos americanos na Ucrânia, destinados a destruir os russos. 
Nós somos os antifascistas reais!", gritou ele. 
Então ele virou-se para o tema do liberalismo: "Esses hipócritas estão arrastando-nos através da lama. 
Eles marcham em memória de um político assassinado [Boris Nemtsov], mas quando os soldados bêbados ucranianos correram o seu tanque sobre uma criança de oito anos [em Konstantinovka], eles nem sequer pensaram em ir para a rua. 
Este é o verdadeiro fascismo! "

No final do dia, Cris Roman da Bélgica citou Churchill: "Os fascistas do futuro serão chamados anti-fascistas." 
É claro que ele não se referia àqueles que participaram no fórum ou aos rebeldes que lutam por Donbass, mas sim ele quis referir-se aos antifascistas, socialistas e anarquistas que estavam fazendo piquete em frente ao hotel.

* * *

Este recolhimento da extrema direita foi muito perturbador para a esquerda de St. Petersburg.  
O partido liberal Yabloko limitou-se a uma declaração cobertor sobre a "inadmissibilidade da realização de um fórum neonazista numa cidade que sobreviveu ao cerco de Leningrado", mas ativistas antifascistas tentaram chamar a atenção para o evento de uma forma mais radical.

No sábado, antes do fórum, eles bloquearam a principal rua de St. Petersburg, Nevskiy Prospekt, e no dia do fórum eles se reuniram em frente do Holiday Inn com uma bandeira que dizia "nazistas lamber o traseiro de Putin. Omg. 
"O estandarte foi imediatamente removido pela polícia, mas os policiais deixaram os antifascistas fazer piquete por mais algum tempo.

Depois de as mulheres jovens começarem a cantar "f ** k off nazista" e "Não ao fascismo" e começarem a tocar tambores improvisados e chaleiras, algumas pessoas foram levadas para a delegacia. 
Um dos guardas da segurança do fórum também foi detido depois de rasgar um cartaz mas ele foi libertado rapidamente.

"Esta é a legitimação do discurso neo-nazista no espaço público. 
A negação do Holocausto está se tornando um fenômeno mainstream, e o governo namora com ele e incentiva o surgimento de grupos como esse ", disse o ativista Boris Romanov, que veio para o protesto com um cartaz que dizia" intrusos estão invadindo o país. "

Um jovem que estava por perto com uma guitarra disse que ele nunca irá ficar num Holiday Inn novamente. 
"Além disso, eu irei sempre espalhar informações sobre como este hotel permite a entrada de neonazistas, e é claro que eu jamais colocarei os pés noutro Holiday Inn."

O encontro antifascista atraiu a atenção dos adversários ideológicos ao piquetes. 
"Você olha para os tempos e as boas maneiras! 
Você pode imaginar, novos skinheads em jaquetas verdes que vieram  protestar contra nós!", 
Riram alguns dos participantes americanos no fórum como eles vieram de fora para tirar fotos contra o pano de fundo dos irritados ativistas de esquerda.

Manifestantes antifascistas. St. Petersburg, 22 de março de 2015.

Konstantin Krylov, um dos nacionalistas mais famosos da Rússia, também saiu para conversar com os manifestantes antifascistas.

"Eu tenho que te dizer uma coisa! 
Escute-me ! ", gritou ele dirigindo-se à multidão. 
"Eu próprio  falei ..."

"Boo! Bullshit! ", gritou a multidão, mas Krylov não respondeu à crítica.

"Eu honestamente esperava que eu fosse ver fascistas aqui. 
Eu não vi nenhum em todo o tempo, e eu estava tão interessado ", continuou ele sarcasticamente.

"Você devia se envergonhar! 
Que vergonha! ", gritavam os antifascistas.

"Sim, é uma vergonha", concordou ele "que não existam quaisquer fascistas aqui ."

"Será que você não se olha no espelho?", alguém perguntou, mas ele evitou o confronto: "Eu olhei no espelho e não vi nada, mas uma cara grande e gorda", ele respondeu.

"O rosto de um russo típico!", alguém brincou.

"Mas por que é um russo automaticamente é um fascista? 
Você é racista ou algo assim? ", perguntou Krylov astuciosamente.

De acordo com Krylov, ele esperava que pelo menos Udo Voigt diria algo radical, mas em vez disso ", ele apenas fez um discurso típico para qualquer eurocéptico".

"O Partido Nacional Democrata da Alemanha afirma que oficiais da SS são a elite europeia. Qual é a sua atitude em relação a isso? ", alguém perguntou a Krylov.

"A minha atitude é muito negativa, uma vez que oficiais da SS mataram muitos russos", disse Krylov.

"Tudo bem, vamos sair", disse um dos antifascistas, e a multidão começou a dispersar-se.

"Mas por que você não escuta? 
Isso é muito interessante! 
"Implorou Krylov, mas apenas jornalistas permaneceram para o ouvir fora.

Editor chefe das perguntas do diário de nacionalismo Konstantin Krylov falar com os manifestantes antifascistas.

Krylov explicou à imprensa mais uma vez que "não havia fascistas no fórum." 
Ele disse: "Fui acusado de tais coisas, então eu decidi ir e descobrir por mim mesmo sobre porque foi toda esta coisa
Eu li um monte de livros. 
Na verdade, eu sou um intelectual, eu tenho que ler muito ", ele sorriu. 
"Não há o fascismo lá dentro - não desse tipo, de qualquer maneira", concluiu.

"Que tipo está lá? 
E onde está? ", perguntou um dos antifascistas quando ele se aproximou do intelectual mais uma vez.

"Eu não sou um fascista eu mesmo não estou interessado em saber onde eles se reúnem. Eles provavelmente se reúnem em algum porão sujo, e é aí que eles deveriam estar ", respondeu Krylov.

Perguntei-lhe como ele se sente num fórum onde qualquer pessoa elogia Putin.

"Eu não concordo com esse ponto de vista", disse ele. 
Krylov havia sido julgado há vários anos por declarações críticas sobre as regiões muçulmanas do Cáucaso do Norte da Rússia.

"Por que você não disse que lá?", perguntei.

"Eu digo  aqui, e na frente das câmeras que você mente", respondeu ele quando se virou para voltar para dentro.

Líderes nacionalistas russos, que haviam se juntado aos liberais nos protestos da oposição de Moscovo há apenas dois anos, tentaram distanciar-se das proclamações neonazistas feitas aos seus colegas europeus. 
Ao moderador do fórum, Alexander Sotnichenko, os jornalistas perguntaram "para não chamar o fórum de uma" orgia neo-nazista. '"

Ex-membro do Parlamento Europeu, Nick Griffin, famoso pela sua negação do Holocausto, também tentou ficar dentro dos limites. 
Ele disse que "a Europa já foi governada por gregos, romanos, pelos franceses, espanhóis, alemães, pelos britânicos, e agora chegou a hora da Rússia."

O tópico do papel da Rússia no mundo foi abordado por Mikhail Remizov, um perito do Instituto de Estratégia Nacional. 
"Desde que a globalização é um processo de dupla emancipação, como as elites se estão a emancipar da solidariedade nacional, e as minorias estão-se a  emancipar da oposição interna, que leva inevitavelmente à crise", disse Remizov. 
"A Rússia pode tornar-se a manifestação gaullista do sonho da Europa. 
A nossa missão é sempre restringir a hegemonia mundial. 
Nós garantimos a prevenção de impérios globais. "

Jim Dowson da organização Scottish Life League tinha preparado uma apresentação e começou a sua palestra contra o pano de fundo de uma imagem de Jesus Cristo. 
"Obama e aqueles que presidem na Europa são nazistas! 
Eles estão nos fazendo a lavagem ao cérebro para odiar Putin, mas é Putin que entende que temos de proteger a esquerda dos direitos da maioria, e não da minoria", disse Dowson quando ele mudou o slide para mostrar uma fotografia de Putin sem camisa que monta um cavalo. 
Dowson explicou que Putin é um homem de verdade, enquanto que Obama é "feminizado."

"Lenin morreu, Thatcher morreu, Buda morreu, Muhammad morreu, mas Jesus vive!", Exclamou Dowson inesperadamente. 
"Deus vai salvar a Rússia! 
Deus salvará o povo russo! 
Deus salvará Vladimir Putin! "

Neste momento, até mesmo o nacionalista Vladimir Tor (que também tinha tentado me convencer durante a pausa para o café que participantes americanos no fórum não tinham, na verdade, elogiado muito Putin ) sacudiu a cabeça e fez uma careta.

Membros do Parlamento Europeu Eleftherios Sinadinos e Georgos Epitideios durante a assinatura da resolução do fórum internacional conservador russo.

O fórum chegou ao fim abruptamente, quando alguém chamou atenção de uma ameaça de bomba no hotel por volta das 18:00. 
Os participantes do fórum começaram a juntar as suas coisas lentamente, culpando a chamada dos antifascistas. 
Não estavam muito chateados com o fato pois as palestras foram antes do previsto, uma vez que já estavam ansiosos para a chegada do  jantar de comemoração planeado para aquela noite. 
Além de facilitar o networking, o principal objetivo do evento foi deixado claro: os nacionalistas regulares e curiosos não foram autorizados a participar no fórum, enquanto que aqueles que participaram provavelmente não aprenderam nada de novo.

O Kremlin não endossou diretamente o fórum nacionalista. 
Até mesmo o líder do partido Rodina o russo Alexei deputado do parlamento Zhuravlev não fazê-lo para a convenção devido a uma viagem de trabalho de última hora para Donbass. Mas foi o suficiente para que o fórum de "tradicionalistas" passasse tão bem, salvo a ameaça de bomba no final. 
No dia anterior, o cientista político russo Stanislav Belkovsky tinha sido deixado de se apressar em torno de St. Petersburg, à procura de qualquer lugar onde iria realizar a sua palestra após uma série de anfitriões recusare.

Ilya Azar
St. Petersburg.