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sábado, 8 de setembro de 2018

João Lourenço assume o MPLA para acabar com "o nepotismo, a impunidade e a bajulação"

ANGOLA
Ana Gomes Ferreira
8 de Setembro de 2018, 18:48 
João Lourenço foi eleito com 98,59% dos votos 
O Presidente angolano e novo chefe do MPLA, no poder, não permitiu que o congresso da passagem de testemunho fosse uma despedida suave a Eduardo dos Santos. 
A corrupção vai acabar "mesmo que os primeiros a tombar sejam altos militantes e altos dirigentes do partido".

José Eduardo dos Santos passou neste sábado ao passado de Angola — apesar das palmas, dos agradecimentos e da medalha que lhe foi dada no Congresso do MPLA onde deixou de ser presidente do partido e foi eleito, para o lugar que ocupava, e por 98,59% João Lourenço, Presidente do país.

No discurso directo ao assunto que fez a encerrar os trabalhos, Lourenço nomeou os problemas de Angola — os mesmos do Movimento Para a Libertação de Angola, que governa o país desde a independência, em 1975 — e não tentou sequer suavizar as culpas do seu antecessor na liderança do partido e do país.

“Temos todos consciência de que só construiremos um futuro melhor se tivermos a coragem de corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, disse, antes de nomear os males: “a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade que se implantaram no nosso país nos últimos anos e que muitos danos causam à nossa economia, porque minam a reputação e a credibilidade do país”. 
A sala do congresso, que a televisão estatal TPA transmitiu em directo, rebentou em aplausos, mas as palavras seguintes de Lourenço puseram muita gente em pé. 
“Estes males são o inimigo público número um contra o qual temos o dever de lutar e vencer. 
Nesta luta, o MPLA deve assumir o papel de vanguarda e de líder, mesmo que os primeiros a tombar sejam altos militantes e altos dirigentes do partido (...), os que tenham cometido crimes ou que, pelo seu comportamento social, estejam a sujar o bom nome do partido”. 

Pouco antes do discurso do agora duplamente presidente — João Lourenço concentra a partir deste sábado todo o poder num país onde partido e governo se confundem há mais de 40 anos —, assistiu-se a uma cerimónia de passagem de testemunho, com José Eduardo dos Santos a passar para as mãos de João Lourenço uma tocha vermelha e amarela, as cores do partido. 
Uma voz off ia dizendo que ali estava o exemplo da transição pacífica do poder no MPLA. Foi pacífica, no cerimonial e no discurso que abriu o congresso e que foi feito por Eduardo dos Santos, em que assumiu que, como toda a gente, cometeu erros, mas sai “de cabeça erguida”.

Porém, João Lourenço não quis deixar que o congresso fosse uma cerimónia de homenagem ao percurso carreira — e muito menos ao legado — de Eduardo dos Santos. Agradeceu-lhe — “trouxe a paz definitiva e a reconciliação entre irmãos antes desavindos” —, mas foi o percurso e o legado de Agostinho Neto que lembrou de forma mais demorada. “Homenagear Neto é algo que deve acontecer todos os dias das nossas vidas”, disse João Lourenço sobre o primeiro presidente do MLPA e o primeiro Presidente de Angola. 
Garantiu que o centenário de Neto, a 17 de Setembro de 2022, acontecerá uma “homenagem maior”.

Na primeira parte do discurso, João Lourenço continuou a dissecar o legado de José Eduardo dos Santos, sem porém nunca fazer a ligação directa entre os problemas que enunciava e o nome do antecessor, que aliás o escolheu como candidato à presidência do país depois de ter anunciado que não se recandidatava nas eleições de 2017. 
As suas palavras foram uma antevisão do que aí vem — a seguir ao encerramento, o Comité Central do MPLA ia-se reunir à porta fechada para eleger uma nova cúpula do partido (vice-presidente, secretário-geral e Bureau Político), tendo Lourenço prometido escolher os que o ajudem, com “coragem” e “idoneidade”, a “fazer uma governação virada para a resolução dos problemas da sociedade, economia e cidadãos”. 
Prometeu ainda integrar mais mulheres e jovens. 

“Vamos construir um partido em que ser do MPLA não signifique abrir uma porta para alcançar benesses com facilidade ou de se estar mais próximo da possibilidade de se ser nomeado. 
Ser do MPLA deve significar sobretudo servir Angola e os angolanos”, disse. 
“Não confundiremos nunca a necessidade de se promover uma classe empresarial forte e dinâmica, de gente honesta que ao longo dos anos crie emprego, com a que tem enriquecimento fácil ilícito e injustificável feito à custa do erário público que é património de todos os angolanos. 
No caso destes últimos serem responsáveis ou militantes, não permitiremos que comportamentos dessa minoria gananciosa manchem o bom nome deste grande partido que foi criado com suor e sangue para defender uma causa nobre”.

A segunda parte do discurso, Lourenço dedicou-a ao outro desafio do partido que, nas eleições de 2017, se ficou com pouco mais de 60% dos votos — um mínimo histórico. 
Falou na construção do poder local e nas eleições autárquicas que há meses prometera realizar até 2022 (em todos as autarquias ou gradualmente), e disse que objectivo é ganhar. E frisou que haverá derrotas, o que é “salutar” numa “democracia mais participativa”, antes de dizer que o MPLA tem que se abrir e trabalhar mais directamente com os cidadãos, os líderes comunitários e com quem não é do partido e tem opiniões desfavoráveis ao MPLA. “Não há verdades absolutas e é da diversidade que nasce a luz e o progresso.” 

A mudança de liderança no MPLA era a última etapa no processo de passagem de poderes depois de João Lourenço ter tomado posse, em Setembro de 2017. 
O aparelho político, económico e financeiro angolano estava nas mãos da família dos Santos e os seus filhos foram afastados das empresas públicas (Isabel dos Santos da Sonangol), do Fundo Soberano (Filomeno dos Santos) e de um dos canais da televisão pública (Welwitshea ‘Tchizé’ e José Paulino ‘Coreon Du’ dos Santos). 
As mudanças nas lideranças foram do aparelho militar e policial à comunicação social.

ana.gomes.ferreira@publico.pt

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

As ideias fortes do último debate entre os candidatos à presidência do Sporting

SPORTING
Rafael Toucedo
07 Setembro 2018 às 23:17 
Os seis candidatos à presidência do Sporting discutiram ideias no último debate antes das eleições marcadas para este sábado.

Lista A - João Benedito

Situação financeira: "Era importante que a informação financeira fosse de acesso aos candidatos e não omissa. 
Fico agradado que dívida não seja tão grande como se esperava. 
Estamos em fase importante com vendas de Gamebox e operações de marketing. 
Espero não ser surpreendido com os resultados da auditoria forense que vai sair em dezembro. 
É importante haver paz sobre a informação financeira. 
Vamos ter prudência."

Títulos e verdade desportiva: "Altas instâncias pronunciaram-se pelos incidentes da Academia mas sobre estes casos não. 
Vamos andar a chutar para o lado isto? 
Está em causa o apuramento de campeões. 
Há adeptos brutalmente assassinados, cânticos ofensivos... e não nos toca? 
E o presidente do rival disse que ia tirar vantagem das rescisões e fez propostas. 
Comigo não! 
Temos de defender a dignidade e verdade desportiva dentro de campo. 
Defendemos a indústria e o negócio, mas não tentem passar por cima de nós. 
Há suspeição a nível mundial. 
Sem intervenção vão continuar a fazer essas coisas e nós como santinhos... 
Não há paz. 
Enquanto houver corrupção e não se limpar o futebol português não haverá paz. 
O Governo assobia para o lado."

Academia: "Treinador do Sporting tem de ter perfil para aproveitar jogadores da formação. Temos de rever a formação, o recrutamento. 
E temos de avaliar o 'lobby' no aproveitamento dos nossos jogadores [nas Seleções]. Defendo que temos de ter cerca de 48 jogadores entre equipa A e Liga Revelação. 
O Bayern tem 23 jogadores no plantel, temos de nos associar à tecnologia, cuidar a performance e prevenção de lesão, otimização da capacidade física... 
Fui a Munique conhecer a realidade deles. 
Não podemos pensar que sabemos tudo. 
Temos de trocar ideias e posicionar o Sporting no topo da Europa.

SAD: "Teremos um CEO, não revelo o nome porque em caso de não sermos eleitos essas pessoas não podem ficar afastadas do mercado de trabalho. 
Não é esconder ou enganar, queremos é o melhor para a posição. 
Financiar o clube através da SAD garante transparência. 
Eu não vejo separação das águas, mas há a questão legal. 
CEO é para as áreas não desportivas, quem vai mandar no futebol sou eu."

Alegações finais: "Compareçam massivamente para o ato eleitoral mais importante da história do clube. 
Temos pessoas que querem retribuir o que o clube lhes deu. 
Cultura, gestão, marca Sporting. 
Temos de nos focar na vitória, conquista e títulos. 
A minha equipa esteve dentro do campo e sabe o que é ganhar. 
Liderança por exemplo, para ganhar hoje e que sejam títulos de forma sustentada."

Lista B - José Maria Ricciardi

Situação financeira: "Não fiquei esclarecido. 
Acho que não dizem a verdade, os atos ficam com quem os pratica. 
O défice de tesouraria andará à volta dos 100 M€, SAD e clube, e poderá ser maior ou não, com mais 32 M€, por causa dos jogadores vendidos acima de 8 M€ nos quais o Sporting tinha de pagar aos bancos e para a conta reserva. 
Se o Sporting conseguir reestruturação, com venda da dívida com desconto, aí esses 32 não serão devidos. 
Mas não quero iludir os sócios, ainda tem de ser feito. 
Artur Torres Pereira enganou os sócios, são afirmações vergonhosas. 
Não é falso! 
É possível a reestruturação, eu e a minha candidatura conseguimos - com todo o respeito pelas outras -, mas é preciso fazer! 
É preciso credibilidade para levantar a dívida."

Títulos e verdade desportiva: "Quem comete crimes deve ser preso. 
Se vão para a segunda, tudo bem. 
Mas em nenhum país da Europa os dirigentes passam, a vida a insultar-se como cá. 
Cá não se podem ver. 
Não advogo isso, este ambiente é caricato e tem de acabar, isto é uma indústria! 
São agressões permanentes e comigo não contem para isso. 
Falei com as claques e olharam para mim como um marciano quando lhes disse que gostava que pudessem ir para a Luz, por exemplo, sem ser com a polícia. 
Não se pode incitar ao ódio, como vimos constantemente com Bruno de Carvalho. 
Comigo isso não. 
Há coisas inaceitáveis, mas isso não branqueia as nossas responsabilidades. 
Não ganhámos também por nossa culpa, às vezes faltou liderança, coesão e capacidade. 
O futebol está a globalizar-se e quem não entrar na primeira liga europeia fica para trás."

Academia: "Benedito foi ver a Academia do Bayern que é 10 vezes pior que a nossa. 
As duas melhores são do Sporting e Barcelona, o Bayern é comprador. 
Não digo que tenha de ser melhorada a Academia, mas tenho orgulho nela. 
Precisamos de mais campos, mais gabinetes... mas tem-se feito um trabalho notável. 
Bruno de Carvalho comprou 150 ou 160 jogadores, ligou menos à Academia, mas a maior parte deles não serviram para nada. 
Nunca foi promovida lá fora e isso faz falta. 
Não temos nada a aprender com os alemães. 
Estávamos à frente porque antes Benfica e Braga não tinham Academia, agora têm."

SAD: "O Sporting tem uma visão patética dos acionistas. 
Têm de ser bem tratados! 
O Sporting será maioritário, mas podemos fazer entrar novos investidores que nos permitam - e Rui Jorge Rego comunga da minha opinião - entrar por exemplo nos torneios de pré-época nos Estados Unidos, Ásia, e etc, para ganhar novos adeptos. 
Vou ser presidente da SAD, vejam o resultado do Belenenses... 
Não vou ter CEO porque eu quero mandar na sociedade, Chief Operational Officer é o que eu vou ter. 
Vou mandar em conjunto com outras pessoas. 
Haverá o Chief Finantial Officer para a parte financeira e depois a estrutura do futebol ligada a isto."

Alegações finais: "Às vezes fui mais agressivo ou abrasivo, peço desculpa, mas foi porque fui insultado e já me pediram desculpa. 
O Sporting não está para romantismos ou ingenuidades, está para equipa com capacidade de gestão, liderança, profissionalismo e paixão. 
Somos os melhores colocados para isso e temos convicção de que vamos ganhar. 
Estamos a contactar jogadores para janeiro, para sermos já campeões este ano, como aconteceu com César Prates, André Cruz que agora é empresário [diretor desportivo com Benedito], e Mbo Mpenza que com eles fomos campeões."

Lista D - Frederico Varandas

Situação financeira: "É uma constatação que a situação financeira não era assim tão boa, mas também não é de vida ou de morte como a pintam. 
Preocupa? 
Sim. 
Tira o sono? 
Não. 
Já elencámos as nossas quatro ferramentas, que ainda não contabilizam vendas de William, Piccini, nem das poupanças com troca de treinador e com a saída de Doumbia. 
A reestruturação financeira é interessante e com competência é possível ir mais além. Temos de insistir nas receitas desportivas e das da marca e aqui o Sporting está em nível amador. 
Já tivemos conversas com investidores com suíços, ingleses e americanos. 
O Sporting gera interesse."

Títulos e verdade desportiva: "Primeiro temos de olhar para dentro de casa. 
Se chega? 
Não. 
O Apito Dourado é real, é vergonha para o FC Porto e futebol português, os sócios do FC Porto tentam atirar isso para debaixo do tapete. 
E agora a fase toupeira, outra vergonha, como a suspensão do Moreirense. 
Até hoje não fomos condenados de nada e comigo garantidamente o Sporting não terá telhado de vidro. 
Os órgãos de decisão não podem assobiar para o lado. 
É altura de varrer a porcaria do futebol português. 
Envergonha o país e estraga a indústria. 
O Sporting é dos principais prejudicados desportiva e financeiramente, será uma luta ser ressarcido. 
É a imagem do país em causa. 
Temos de olhar para o que se passou em Itália. 
Apelo ao Governo porque isto é uma vergonha. 
Isto é só o início. 
Vamos estar atentos ao processo e às consequências. 
Estou convicto que isto não vai mudar, temos de ter a possibilidade de limpar o futebol português, há pessoas que não podem continuar a ser dirigentes de clubes grandes."

Academia: "Só nos aguentamos no escalão de Sub-17 em termos de Seleção. 
O paradigma mudou. 
Temos de ver recrutamento, área técnica... 
E eu tenho soluções já! 
Temos de ser mais efetivos e para isso precisamos de investimento. 
Temos de dominar Lisboa, Setúbal e Braga, os distritos mais jovens, e em escalões de seis a oito anos. 
Temos de ir buscar os melhores, ter as melhores condições de treino, com unidade de performance, porque não é entrar na Academia e sai um jogador. 
Decisão de acabar com a equipa B creio que foi política por ter descido e agora tem de recomeçar pelos distritais. 
Liga Revelação não dá a mesma competitividade, tanto que os rivais não acabaram com a equipa B. Bayern? 
Em todo o mundo se vão buscar treinadores portugueses..."

SAD: "Temos pessoas identificadas, eu estando do lado dos sócios que vão votar gostava de saber quem são as pessoas. 
Acreditam no projeto e deram a cara."

Alegações finais: "Este é o ato eleitoral decisivo, que vai permitir sermos grandes ou afastarmo-nos e sermos um clube médio. 
Que seja o maior ato eleitoral. 
Tenho fome de títulos, quero Sporting a vencer, com coragem e não submisso a ninguém. Nunca mais quero ver um Sporting com insultos, perseguição e delito de opinião, ofensas... Não quero notáveis, ilustres, sportingados. 
Só assim lutamos com os rivais. 
Quero a marca Sporting da dimensão do clube."

Lista E - Rui Jorge Rego

Situação financeira: "Temos todos praticamente os mesmos números. 
A questão é o que é que nos traz sempre a este ponto. 
Isso é porque no orçamento a despesa é maior que a receita. 
Isto não pode voltar a acontecer. 
Temos de controlar custos e aumentar receitas. 
É triste que afinal só nos podemos fiar das contas publicadas em março, porque na comissão de gestão dizem coisas diferentes. 
Um dia dizem que está tudo bem, no outro está tudo mal... 
Isto tem de acabar! 
Isto corrói por dentro e o Sporting tem de falar sempre a uma só voz."

Títulos e verdade desportiva: "O Sporting podia ter posição passiva se os órgãos de decisão funcionassem. 
Obriga-nos a ter posição de força. 
Temos de fazer pressão. 
Teremos de exigir ser ressarcidos. 
Há muita gente, e jogadores também, que nem querem ouvir falar do campeonato português, não querem jogar cá. 
Temos de nos preocupar. 
Olham para o umbigo, destroem os do lado, mas um dia morrem todos. 
Deixa-me chocado. 
Quem faz estas coisas há anos avisou que o ia fazer e olham para o lado. 
No Sporting passamos o tempo em guerras internas e temos, nós todos, a obrigação de as deixar de ter, para ter força para conseguir fazer a guerra que temos de fazer. 
Em Portugal as coisas não se resolvem rápido, por isso se fazem e continuam a fazer... 
Há corrupção e impunidade."

Academia: "Andamos a vender ao desbarato, basta ver Ronaldo, Nani, Dier. 
Temos de preparar a formação para as lacunas que temos na equipa principal."

SAD: "Pretendemos que seja lucrativa. 
Temos parceiros estratégicos, vamos conseguir equipa competitiva com controlo das despesas. 
Teremos equipa polvilhada com os jovens da formação. 
Vamos passar dinheiro ao clube para as modalidades serem competitivas. 
Mas temos de aumentar o número de consumidores. 
Mas temos de atingir objetivos. 
Eu fui buscar uma pessoa que já trabalha na SAD [Paulo Lopo], tem mais experiência que todos nós aqui. 
Retrocesso não será, só pode ser avanço."

Alegações finais: "Ficaram percetíveis para os sócios as diferenças entre os candidatos, apelo aos sócios a comparecerem em massa pois estas eleições são muito mais importantes do que possam parecer. 
Estamos a entrar num período crítico do futebol português e a sua interação com o futebol mundial. 
Que estejamos todos juntos no dia seguinte porque é mais o que nos une que o que nos separa."

Lista F - Dias Ferreira

Situação financeira: "Não vou aqui avançar as soluções para o défice porque não o devo fazer. 
O que me descansa é que é uma situação controlada, se assim não for quem o afirmou terá de ser responsabilizado. 
Não espero surpresas. 
Tenho de confiar. 
Vou governar com clareza e transparência e sem palavras na praça pública."

Títulos e verdade desportiva: "Temo-nos autoflagelado internamente, mas mesmo com boas equipas não ganhámos porque não é possível em ambiente de concorrência desleal. Há quem seja sério e quem é gatuno. 
Neste país quem é gatuno é bom, e os bons continuam a sofrer. 
Por isso temos perdido nos últimos anos. 
Estamos num momento essencial. 
O país ainda não viu a gravidade deste caso das toupeiras? 
Luto pela verdade desportiva há muitos anos e continuarei a lutar. 
Temos de por cobro a isto. 
É grave a Comissão de Gestão ter ido à Luz dar abraços e beijinhos. 
Tenho respeito pelo Benfica, mas a injustiça e falta de verdade indigna."

Academia: "Temos um projeto. 
Problema da formação é de recursos humanos."

SAD: "Objetivo de distribuir lucros. 
A SAD é que está representada na Federação e Liga, por isso o presidente tem de ser o mesmo. 
O 'board' é que vai mandar."

Alegações finais: "Há caminho do romantismo e o Sporting não pode andar a fazer testes, o segundo caminho é pouco consentâneo com o Sporting com picardias e comportamentos irresponsáveis, e depois temos o caminho da experiência e conhecimento. 
Connosco haverá 'Jovanes' para vingar, mas 'Doumbias' não podem entrar. 
Não haverá tréguas com a transparência."

Lista G - Fernando Tavares Pereira

Situação financeira: "É um passivo exagerado, não corresponde ao trabalho e títulos conseguidos. 
Totaliza cerca de 457M€. 
Tenho provas de gestão organizada e responsável. 
É obrigação de quem tomar as rédeas de tentar acabar com o curto prazo. 
Sem gestão adequada o dinheiro acaba rápido. 
Sem títulos há problemas graves. 
Temos de acreditar na Comissão de Gestão. 
Fazíamos equipa extraordinária todos juntos, uma equipa fora de série, deixo aqui esse desafio."

Títulos e verdade desportiva: "Rigor, transparência e responsabilidade. 
Tenho feito isso na minha vida. 
Quero que o Sporting exija que se cumpra a lei. 
A minha exigência é ter pessoas nas instituições. 
Temos de ser tratados da mesma forma. 
A minha responsabilidade vai até aos limites. 
Perdemos seis ou sete campeonatos e nunca vi ninguém do Sporting a perguntar 'o que é que se passa?'"

Academia: "Academia deu vendas de 80 milhões para compras de 200. 
Assim não funciona. 
E quem rescindiu foram os indivíduos formados na Academia! 
Temos de ter pessoas competentes. 
Fui eu que levantei o problema da realidade da formação."

SAD: "Serei presidente da SAD e iremos captar uma pessoa, um visionário. 
Temos a pessoa, mas hoje não posso dizer quem, temos de preservar as pessoas e os nomes, pois as pessoas trabalham. 
Têm de estar 17 mil pessoas dos núcleos em Alvalade para a SAD ter bom resultado financeiro. 
Aos núcleos vamos vender bilhetes a um terço do valor. 
Ainda há sportinguismo forte graças às pessoas longe de Lisboa. 
Connosco vai ser tudo transparente, é assim que damos lições ao mundo. 
Estou habituado a grandes desafios, tenho empresa maior que o Sporting."

Alegações finais: "Houve esquecimento dos núcleos, das filiais e delegações... 
Não podemos pactuar com o passado, temos de fazer o futuro cinco anos à frente. 
Dos núcleos venha o representante para a expansão. 
Somos família de 3,5 milhões e os núcleos é que mantêm isso. 
Todos têm de ser respeitados da melhor forma, agricultor, ou outro. 
Precisamos de segunda volta e voto eletrónico. 
Que ganhe o melhor com transparência, responsabilidade e respeito."

Caso e-Toupeira envolve 261 crimes. Benfica arrisca suspensão, mas a "prova é difícil"

BENFICA
E-Toupeira
Nuno Fernandes e Rui Frias
                                                                      06 Setembro 2018   00:20

Sobre a SAD do Benfica recaem 30 crimes e Paulo Gonçalves está acusado de 79. Vieira nega acusações e diz que o bom nome e a honra do clube serão limpos.

São 261 os crimes que constam na acusação do Ministério Público sobre o caso e-toupeira, que implica gravemente o Benfica e o seu assessor jurídico Paulo Gonçalves, além de dois funcionários judiciais. 
Só sobre a SAD do Benfica recaem 30 desses crimes, um deles de corrupção ativa e outro de oferta ou recebimento indevido de vantagem - para além de 29 de falsidade informática.

Segundo o despacho a que a agência Lusa teve acesso, o Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa pede que sejam aplicadas à SAD encarnada as penas acessórias previstas no artigo 4º do Regime de Responsabilidade Penal por Comportamentos Antidesportivos (Lei nº 50/2007), das quais ressalta, sobretudo, a suspensão de participação em competição desportiva por um período de 6 meses a 3 anos.

Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, foi acusado de 79 crimes: um de corrupção ativa, um de oferta ou recebimento indevido de vantagem, seis de violação de segredo de justiça e de 21 crimes de violação de segredo por funcionário, em coautoria com os arguidos Júlio Loureiro e José Silva (ambos funcionários judiciais). O dirigente encarnado está ainda acusado de 11 crimes de acesso indevido (em coautoria), de 11 crimes de violação do dever de sigilo (em coautoria) e 28 crimes de falsidade informática.

O MP acusou ainda o oficial de justiça José Silva - o único dos arguidos em prisão preventiva - de 76 crimes: um de corrupção passiva (em coautoria), um de favorecimento pessoal, seis de violação de segredo de justiça, 21 de violação de segredo por funcionário, nove de acesso indevido, nove de violação do dever de sigilo, 28 de falsidade informática e de um crime de peculato (apropriação indevida de dinheiro público).

O arguido Júlio Loureiro, escrivão e observador de árbitros, foi também acusado de 76 crimes: um de corrupção passiva, um de recebimento indevido de vantagem, um de favorecimento pessoal, seis de violação de segredo de justiça, 21 de violação de segredo por funcionário, nove de acesso indevido, nove de violação do dever de sigilo e de 28 crimes de falsidade informática.

Luís Filipe Vieira, que entretanto reagiu na noite desta quarta-feira à acusação deduzida pelo MP, não é individualmente arguido neste caso e-toupeira, mas o nome do presidente encarnado não passa incólume no processo. 
Segundo o Ministério Público, Luís Filipe Vieira teve conhecimento e autorizou a entrega de benefícios aos dois funcionários judiciais por parte de Paulo Gonçalves.
"As entregas aos arguidos José Silva e Júlio Loureiro eram do conhecimento do presidente da Sociedade Anónima Desportiva (SAD), que as autorizava ou delas tomava conhecimento por correio eletrónico, ou rubricando folha de autorização, sem nunca as impedir, pois tal era para beneficio da arguida [Benfica SAD], assim querendo e aceitando todas as condutas", refere a acusação do Ministério Público, segundo a agência Lusa.

Ou seja, para o MP, Paulo Gonçalves não agiu a seu bel-prazer, mas sim em benefício do Benfica e com o conhecimento e autorização do presidente da SAD, envolvendo aqui diretamente a Benfica SAD nos crimes praticados.

Por isso, ao Benfica é imputado um crime de corrupção ativa, um crime de oferta ou recebimento indevido de vantagem e 29 crimes de falsidade informática. 
No caso dos dois primeiros crimes, se forem provados, o clube poderá mesmo ser impedido de participar nos campeonatos.

O próximo passo será a abertura da instrução do processo, cabendo depois ao Benfica apresentar provas que contrariem as acusações do Ministério Público. 
Depois caberá a um juiz de Instrução Criminal decidir se o caso irá ou não a julgamento.

Corrupção desportiva? Uma prova difícil
Contactado pelo DN, o advogado Dantas Rodrigues, especialista em direito desportivo, fala numa "acusação muito dura", mas, frisa, "de difícil prova".

"Diretamente, sem haver uma prova muito específica, não me aprece que haja, do ponto de vista desportivo, sanção prevista no regulamento disciplinar da Liga para os factos imputados nesta acusação", diz. 
Para este jurista, "ou há prova muito clara de aproveitamento, por parte da SAD, de todos os dados que lhe foram ilicitamente facultados, tendo deles retirado benefícios na competição desportiva, ou então é difícil que se possa falar em corrupção desportiva".

Ou seja, "que por aceder a determinados processos, a Benfica SAD teve vantagem sobre rivais no normal decorrer da prova desportiva. 
Seja num acontecimento concreto num determinado jogo ou, por exemplo, em pressão efetuada sobre árbitros ou dirigentes de arbitragem ao longo do decurso da competição". De resto, frisa, "provar corrupção desportiva em Portugal é muito complicado"

Dantas Rodrigues está convencido de que o processo de inquérito aberto pelo CD da FPF acabará por ser "suspenso, ficando a aguardar o desfecho do processo penal, porque a prova dependerá sempre de haver uma condenação penal".

Para o especialista em direito desportivo, o cenário mais provável será o da aplicação de uma multa à SAD do Benfica. 
O que, sublinha, "já é muito grave". 
Como toda esta acusação, de resto, cujos "danos de imagem são enormes".

Bilhetes, convites, camisolas...
A acusação do processo e-toupeira diz que Paulo Gonçalves, enquanto assessor da administração da Benfica SAD, e no interesse desta, solicitou a funcionários judiciais que lhe transmitissem informações sobre inquéritos em curso, a troco de bilhetes, convites e merchandising.

"José Silva (oficial de justiça) e Júlio Loureiro (escrivão e observador de árbitros), com a promessa de tratamento privilegiado junto do Benfica, designadamente para assistência a jogos em condições favoráveis, aceitaram proceder como solicitado [por Paulo Gonçalves]", sustenta a acusação do Ministério Público.

Os processos "incidiam sobre investigações na área do futebol ou a pessoas relacionadas com este desporto, designadamente inquéritos em curso e em segredo de justiça, em que era visada, ou denunciante, a Sport Lisboa e Benfica -- Futebol SAD, ou os seus elementos". Mas não só. 
Os processos pesquisados pelos dois funcionários judiciais, através da plataforma informática Citius, abrangiam também casos "relativos a clubes adversários e seus administradores ou colaboradores".

Segundo a revista Sábado, os funcionários judiciais obtiveram informações sobre antigos árbitros alegadamente ligados ao FC Porto e alguns deles com responsabilidades em órgãos de arbitragem, além de terem espiado centenas de vezes os processos relativos aos casos dos vouchers (186 consultas) e dos e-mails (210), que também envolvem o Benfica.

Vieira reclama inocência e quer limpar honra
Luís Filipe Vieira reagiu às acusações no âmbito do caso e-toupeira com uma curta declaração de pouco mais de três minutos, feita na sala de imprensa do estádio da Luz, com os elementos do conselho de administração da SAD ao seu lado (Rui Costa, ausente no estrangeiro, foi o único que não esteve presente).

"Como era expectável, a acusação em nada vem alterar a certeza de total licitude dos comportamentos e atuação da Benfica SAD, neste ou outro processo. 
Não existe qualquer facto que permita imputar à SAD os crimes descritos nem conduta que relacione a SAD com qualquer dos crimes aí descritos. 
Crê-se que terá sido por isso que nenhum membro da SAD recebeu uma acusação", começou por referir o líder benfiquista, repudiando "o tempo, modo e forma como o clube se viu envolvido nesta acusação, sem qualquer fundamento sério que a justifique".
Vieira esclareceu que "a SAD continuará a defender a reputação do Benfica, que prestará colaboração com as forças judiciais", e que a administração "irá atuar neste processo com a mesma determinação com que recuperou o Benfica". 
A finalizar lembrou que "à presente data todas as decisões judiciais foram favoráveis ao clube: "O debate comunicacional que certamente iremos continuar a assistir, e onde não faltarão os tradicionais julgamentos em praça pública, em nada altera a confiança e a independência dos tribunais e a certeza que as decisões judiciais definitivas limparão o bom nome e a honra do Benfica."

Justiça desportiva atua
Na sequência da acusação do Ministério Público, que acusou a SAD do Benfica de 30 crimes e Paulo Gonçalves de 79 no âmbito do caso e-toupeira, o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), órgão presidido por José Manuel Meirim, anunciou a instauração de um processo de inquérito ao clube da Luz. 
Como mandam os regulamentos, o caso segue agora para a Comissão de Instrutores da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que nos próximos meses vai chamar a depor vários intervenientes.

"Instaurado processo de inquérito, por decisão do presidente do CD, de 5 de setembro de 2018, com base em comunicado de autoridade judiciária e notícias na comunicação social. 
O processo foi enviado à Comissão de Instrutores da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, mantendo-se em segredo até ao fim do inquérito", lia-se no comunicado do órgão disciplinar da FPF.

Secretário de Estado pede justiça e celeridade
João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e do Desporto, abordou a acusação feita ao Benfica pelo Ministério Público, no caso e-toupeira, pedindo "celeridade e que se faça justiça". 
"É essencial garantirmos a verdade desportiva e um clima de total confiança no panorama desportivo nacional, nomeadamente no que ao futebol diz respeito", disse numa entrevista à SIC Notícias.
"O futebol há muitos anos extravasou o domínio exclusivamente desportivo. 
Vemos frequentemente agentes, atores do nosso sistema desportivo e do futebol falarem na indústria. 
Há interesses económicos fortíssimos, não os estou catalogar como negativos. 
A disputa, a rivalidade a competitividade aumenta. 
O que também tem de aumentar é a responsabilidade de todos. 
O Estado não se pode alhear deste tema. 
Muitas vezes admito que se possa confundir alguma descrição com o não estar a atuar, a governar. 
Garanto que tenho estado a fazer a minha parte", revelou.

João Paulo Rebelo rejeitou ainda um cenário de perseguição ao Benfica: "Não. 
Da mesma forma como também não concebo que haja qualquer tipo de ação concertada para benefício de qualquer clube em particular. 
Nem para prejudicar, nem para ou beneficiar."

Questionado sobre o crescimento de investigações judiciais deste tipo, o governante disse esperar que "para o mundo de futebol como para qualquer outro mundo a impunidade tenha acabado". 
"Admito que hoje estão muito mais rigorosos relativamente ao escrutínio de uma forma geral das atividades que são mais públicas ou merecem o acompanhamento de um grande número de pessoas, o que não é uma má notícia", apontou.

João Paulo Rebelo disse ainda não vislumbrar no caso e-toupeira qualquer intervenção do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) "no quadro do que são as competências" deste organismo público.

Benfica investigado em mais quatro casos
O processo e-toupeira é o primeiro já com acusação formada e que envolve o assessor jurídico Paulo Gonçalves e tem a SAD do Benfica acusada de 30 crimes. 
Mas há mais caso envolvendo o clube da Luz a ser investigados pela justiça civil.

Vouchers
Foi o primeiro caso de alegada corrupção em que o Benfica se viu envolvido. 
Em outubro de 2015, Bruno de Carvalho, na altura presidente do Sporting, denunciou em direto numa entrevista a um programa da TVI24 ofertas feitas pelo clube da Luz aos árbitros (e também a delegados e observadores) que apitavam os jogos do clube em casa (Luz e Seixal), o famoso kit Eusébio, que consistia na oferta de uma camisola e quatro jantares no restaurante Museu da Cerveja. 
"Só em jantares, por ano, deve rondar 140 mil euros. 
Em prendas, deve rondar um quarto de milhão de euros", acusou na altura Bruno de Carvalho. 
O clube da Luz confirmou as ofertas, mas defendeu que as refeições eram uma simples cortesia e que tinham um plafond limitado de 35 euros.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) enviou o caso para a Procuradoria-Geral da República e a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga abriu um processo, ouvindo várias testemunhas (Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira incluídos), decidindo arquivar o caso, que mais tarde teria o mesmo desfecho no Tribunal Arbitral de Desporto e no Conselho de Disciplina da FPF. 
O caso, contudo, prossegue na justiça civil - em 2016, a Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária fez buscas no Estádio da Luz e em janeiro, o DIAP decidiu juntar o caso dos vouchers e dos emails no mesmo processo.

Emails
A 11 de abril de 2017, Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, começou a revelar no Porto Canal o conteúdo de alegados emails do Benfica. 
Tudo começou com uma troca de correspondência entre o chefe de segurança do clube e o administrador Domingos Soares Oliveira, a respeito das claques. 
Mas a bronca rebentou a 6 de junho 2017, quando J. Marques denunciou um alegado esquema de corrupção do Benfica para favorecer árbitros, mostrando em direto alegada correspondência entre Paulo Gonçalves e Nuno Cabral (ex-árbitro e na altura delegado da Liga de Clubes).
O caso chegou ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e foi enviado para o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP). 
Nesse mesmo mês de junho de 2017, a PJ fez buscas ao estádio da Luz e ainda às casas de Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves, Nuno Cabral, Pedro Guerra, Ferreira Nunes (ex-responsável pela classificação dos árbitros) e Adão Mendes (ex-árbitro). 
Paulo Gonçalves foi constituído arguido.

Semanalmente, o diretor de comunicação do FC Porto continuou a revelar alegados emails do Benfica, até que em fevereiro deste ano, o Tribunal da Relação do Porto impediu J. Marques de continuar a fazê-lo. 
O caso continua a ser investigado e foi anexado ao processo dos vouchers.

Operação LEX
Este processo tem como principal arguido o juiz desembargador Rui Rangel, que está a ser investigado por crimes de tráfico de influência. 
Luís Filipe Vieira é implicado no caso porque alegadamente teria pedido ao juiz que intercedesse num processo fiscal relacionado com uma das suas empresas. 
Como contrapartida, Rangel teria a promessa de um cargo na futura Universidade do Benfica. 
Tanto o juiz como presidente do Benfica foram constituídos arguidos no processo, assim como Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica.

"Nunca ofereci qualquer cargo no clube a troco de qualquer situação da minha vida pessoal e profissional. 
Quando sair do Benfica vou mais pobre, não vou mais rico. 
Não vai aparecer ninguém que defenda mais o Benfica do que eu", afirmou na altura Vieira. Neste caso foram realizadas 33 buscas, das quais 20 domiciliárias, nomeadamente ao Sport Lisboa e Benfica, à casa do presidente Luís Filipe Vieira, às habitações dos dois juízes e a três escritórios de advogados.

Mala Ciao
No dia 25 de junho deste ano, a Polícia Judiciária e o Ministério Público do Porto fizeram 24 buscas a quatro clubes: V. Setúbal. Paços de Ferreira, Desportivo das Aves e... ao Benfica. As buscas relacionavam-se com alegada corrupção desportiva, com o Benfica suspeito de ter subornado atletas de outros clubes para vencerem o FC Porto.

Logo no próprio dia, Luís Filipe Vieira deslocou-se à sala de imprensa do clube para se defender. 
"Estas buscas resultam de mais uma denúncia anónima com origem do Porto e a ser investigada pelo DIAP do Porto. 
São factos falsos que investigam contratos do Benfica a jogadores. 
A mim não me incomoda nada que a PJ venha cá", disse o líder benfiquista. 
O caso continua a ser investigado.