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sábado, 8 de agosto de 2015

A Europa segundo Merkel

Revista Expresso
Cristina Peres  -  8 agosto 2015

A Alemanha tem um lugar difícil na Europa desde o século XIX, porém a chanceler tem uma visão otimista relativamente à capacidade de os europeus se reinventarem. 
A saída passa pela reforma profunda das economias da zona euro e se não for de livre vontade ela será imposta. 
Os próximos tempos vão determinar o modo como Angela Merkel virá a ser lembrada, ela que deverá recandidatar-se em 2017 a um quarto mandato à frente do Governo alemão

A alteração de paradigma foi denunciada por Joschka Fischer há duas semanas. 
Ao dizer que a Alemanha pela primeira vez desde o final da II Guerra Mundial preferira “menos Europa” a “mais Europa”, o ex-vice-chanceler alemão do Governo Gerhard Schroder (1999-2005) referia o resultado da noite de 12 para 13 de julho, a mais tensa das negociações entre os negociadores europeus e a Grécia. 
A questão sobejamente conhecida e tratada pela opinião e pelos meios de comunicação mais plurais é descrita por Fischer num artigo que pergunta “O ‘alemão detestável’ está de volta?” (Project Syndicate, 23 de julho): Angela Merkel terá sido obrigada a usar a sua habilidade para retirar da mesa a opção lançada pelo seu ministro das Finanças. 
Naquela noite, Wolfgang Schauble exerceu enorme pressão para que um Estado-membro da União Europeia saísse “voluntariamente” da zona euro, defende o fundador do partido dos Verdes alemães, sublinhando a argumentação de jurista de Wolfgang Schauble ao afirmar que o alívio da dívida grega só seria “legalmente” possível fora da zona euro. 
Por outras palavras, o ministro das Finanças alemão apontava um Grexit “voluntário” em alternativa à aceitação por parte da Grécia de condições que transformam o país num “protetorado europeu”.

Acontece que não há registo objetivo da afirmação por parte do Governo alemão de que a Grécia deveria sair da zona euro. 
“Apenas chamámos a atenção para o facto de Atenas poder decidir fazer um intervalo”, disse Schauble em entrevista à revista “Der Spiegel” de 17 de julho, durante a qual esclarece que o alívio da dívida não é possível na moeda da União Europeia porque “Os Tratados europeus não o permitem”.

A chanceler alemã foi “mais política” e ficou abertamente do lado da argumentação defendida por França e Itália, as segunda e a terceira maiores economias europeias a seguir à Alemanha, excluindo a saída da Grécia da moeda única. 
Fosse em termos temporários ou definitivos. 

O gesto valeu a Angela Merkel uma avaliação à altura da sua famosa e consagrada prudência e ponderação. 
A precipitação dos acontecimentos naqueles dias do processo da negociação com a Grécia obrigou ambas as partes a maratonas de trabalhos e a tomadas de decisão no limite dos prazos. 
E das forças dos seus intervenientes. 
Se Angela Merkel tivesse podido, escolheria ter tido e ter podido dar uma respiração ampliada ao processo. 
Ou não fosse ela uma política pragmática concentrada, ponderada, metódica e rigorosa também preparada para ser flexível e dialogante. 
E não tivesse valido ao gesto político na maratona de 12/13 de julho para lhe granjear, ou confirmar, o reconhecimento da sua visão europeísta. 

Angela Merkel é acima de tudo, uma negociadora. 
“Ela aguarda e vê até onde pode ir.” 
“Merkel espera” porque os negociadores nunca tomam decisões no primeiro momento, comenta com o Expresso Mónica Dias. 
A professora do Instituto de Estudos Políticos (IEP) da Universidade Católica Portuguesa diz que, a ter havido precipitação por parte da chanceler, ela já tinha acontecido no passado, quando foi “demasiado determinada” a identificar o sucesso do euro com o sucesso da Europa. 
Com essa identificação, perdeu margem de manobra, admite Mónica Dias. 
Isso não era evidente quando, em 2012, as sondagens lhe reconheciam uma taxa de 70% de aprovação por parte de um eleitorado que a considerava a líder política europeia mais capaz de garantir o rumo certo à União e ao euro. 

Provável sinal do desconforto com a situação atual terá sido a ligeira irritação que a chanceler deixou transparecer ao responder aos entrevistadores da estação estatal ARD quando questionada sobre as fricções internas na coligação durante a entrevista de verão, feita logo no início da semana que se seguiu às negociações com a Grécia. 
A chanceler respondeu que não tinha recebido nenhum pedido de demissão [aludindo ao seu ministro das Finanças]. 
Ponto final no assunto.

POUCO ESPAÇO PARA SURPRESAS
Desista quem insistir em encontrar dissonâncias nucleares entre os parceiros da coligação que governa a Alemanha. 
Para começar, discrição oblige. 
Além disso, se há princípio daquele Governo que coincide com o modus operandi estrutural da União Europeia é a negociação e o compromisso. 
A Europa é também isso mesmo, negociação e compromisso, um modo de funcionamento que serve como uma luva ao sistema político alemão. 

Após o escrutínio das urnas nas últimas eleições legislativas de 22 de setembro de 2013, que deram quase uma maioria absoluta (41,5% dos votos) aos democratas-cristãos da CDU/CSU, só em 27 de novembro se alcançou o acordo de coligação que conciliava as propostas dos dois partidos que formam a atual grande coligação — a CDU/CSU com o social-democrata SPD. 
Dois meses e perto de duas centenas de páginas de acordo de coligação depois, o documento passou ainda pelo crivo da consulta ao partido social-democrata e só em dezembro estava o processo concluído para se formar governo. 
Três meses para garantir a coesão? 

O processo de decisão nacional é semelhante. 
Sessenta por cento das leis aprovadas no Parlamento (Bundestag) têm de passar pelo Parlamento dos Länder, ou estados federados (Bundesrat), o que pode ser resumido deste modo: sem a aprovação da Saxónia ou da Baviera, por exemplo, não há possibilidade de uma lei vir a ser aprovada. 
É provável que reste pouco espaço para surpresa na governação, porém, os pontos de fricção ficam entretanto potencialmente neutralizados. 

Num contexto com este funcionamento, não é realmente um espanto que a popularidade do responsável alemão pelas Finanças tenha alcançado os valores mais altos de sempre no início de julho. 
Schäuble tinha 70% de aceitação numa sondagem da ARD, ultrapassando em 3% a taxa de aceitação da chanceler, que se mantinha nuns muito confortáveis 67%. 
Se há aí dedo pesado da imprensa alemã — que os mais críticos desclassificam como sendo incapaz de exercer oposição e provocar debate —, a verdade é que a opinião pública alemã reconhece a boa forma do seu país e tem razões para reconhecer que o modelo praticado pelos governantes funcionou bem. 
Até aqui. 

Uma vez imposta a narrativa da “ Grécia preguiçosa” , muitos alemães não verão muito além de um certo sentido de injustiça relativamente ao modo como está construída a zona euro e que se encontra por vezes traduzida pela expressão redutora e inexata ‘uns trabalham e outros gastam’. 
Os tabloides, encabeçados pelo jornal de grande circulação alemão “Bild”, contribuem para a demonização dos “gastadores”, enviesando o debate com evidente eficácia. 
As repetidas histórias que o “Bild” publica sobre gregos reformados aos 55 anos que passam os seus dias na praia têm um impacto inevitavelmente negativo na opinião pública. 
E não só na Alemanha. 

“Penso que os alemães têm atualmente um grande medo de perder parte da sua prosperidade por causa de outros”, diz ao Expresso um alemão radicado em Portugal há cerca de 20 anos, que prefere manter o anonimato. 
E acrescenta o papel dos partidos de direita alemães na criação de um caldo de reatividade “irracional” por parte do eleitorado germânico, tornando-o alérgico a termos como ‘solidariedade’ ou ‘partilha de responsabilidades’. 
Para muitas dessas pessoas, a União Europeia está identificada com “a obrigação de pagar”.

DOIS DA MESMA ESPÉCIE
Angela Merkel e Wolfgang Schauble têm uma visão geral comum da União Europeia como uma união monetária na qual há que impor as regras que têm de ser respeitadas pelos Estados-membros. 
Ambos querem impedir que a zona euro se transforme numa zona de transferência onde o dinheiro fluiria do Norte rico para o Sul mais pobre. 
Além disso, os dois temem que o referendo grego de 5 de julho crie um precedente que seja seguido por outros Estados europeus, diz ao Expresso Adriano Bosoni, analista do think tank norte-americano Stratfor a partir de Frankfurt. 
Reconhecendo que ficaram à vista algumas diferenças de metodologia relativamente ao modo como lidar com a Grécia entre os dois líderes alemães, Bosoni chama a atenção, em contraponto, para a “visão mais geopolítica” de Angela Merkel, a qual leva a chanceler a dar prioridade à proteção do euro. 
Assim, defende o analista, Angela Merkel sabe que a União Europeia não pode dar-se a0 luxo de ver membros abandonarem o clube europeu. 
Neste raciocínio está considerada a posição geoestratégica da Grécia no Mediterrâneo oriental e está, por isso, implícito que a Alemanha quer que a Grécia permaneça na União mesmo na eventualidade de um Grexit da moeda única. 
E os Estados Unidos vão querer “manter a Grécia na NATO”, acrescenta Bosoni. 

Se a chanceler se recusa a comentar em entrevista à ARD uma possível demissão no seio do seu Governo, Wolfgang Schäuble responde à imprensa com assertividade semelhante. 
Para tal, lembra  o mote da campanha da CDU durante as eleições europeias de 1999, quando liderava a União Democrata Cristã e Merkel era a sua secretária-geral: “Nem sempre com a mesma opinião, mas no mesmo caminho.” 
Foi assim que prosseguiu a relação dos dois líderes políticos, segundo disse Schauble à revista “Spiegel”, aconselhando os jornalistas que o entrevistavam a não se preocuparem: “Sabemos que podemos confiar um no outro. 

É preciso procurar as prováveis diferenças entre Merkel e Schäuble noutros aspetos e para isso poderão servir as características próprias da história pessoal de cada um dos políticos. 
O estilo da chanceler é indissociável da sua vivência da Alemanha de Leste, para onde se mudou  ida de Hamburgo (Tremplin, região de Uckermui norte de Berlim Leste) com apenas seis semanas de vida, em 1954, acompanhando o destino da missão do pai, um pastor luterano. 

O estilo do ministro das Finanças será também ditado pela época — 1942, ainda durante a II Guerra Mundial — e pela zona onde nasceu, Freiburg im Breisgau, perto da fronteira com França. 
Há um episódio que ficou na história da sua actividade partidária entre os democratas-cristãos datado de 1994 que é particularmente e, ao que parece, inspirador no momento atual da União. 
Durante as jornadas da CDU, Wolfgang Schauble apresentou com o colega de partido Karl Lamers uma declaração feita pelos dois, que refletia sobre a diferença entre a União original a seis Estados-membros e a adaptação que os tratados teriam de sofrer já então a 12 membros, assim como perante futuras adesões. 
O traço federalista do atual ministro das Finanças era já evidente na defesa de uma Kerneuropa, ou Europa nuclear, que seria dirigida, na altura, a partir do núcleo do eixo franco-alemão ao mesmo tempo que integraria os outros Estados-membros. 
O conceito defendido na declaração abria portas a uma pluralidade de modelos – Europa a várias ou a duas velocidades, Europa de geometria variável ou Europa nuclear … - que foi então criticado por quem nele lia a “criação de um clube europeu com espectadores”, como lembra Mónica Dias. 
Contudo, ele é hoje em dia uma realidade, bastando pensar na zona euro e no espaço Schengen, ambos reunindo diferentes constelações de Estados-membros e não só. 
A verdade é que, para os alemães, a Europa federal “é muito positiva” significando “a autonomia de cada região e a soberania de cada nação”, explica a professora do IEP.

POSIÇÕES EXTREMADAS
A partir daqueles dias de meados de julho, as posições entre os Estados da União ficaram extremadas, disso não há dúvida. 
O título de uma coluna de opinião de Pedro Santos Guerreiro no Expresso Diário de 13 de julho, “O maior resgate de sempre? 
O maior perdão de sempre? 
A maior depressão de sempre?”, teve contraponto, no mesmo dia, na opinião de Barbara Wesel publicada na Deutsche Welle com o título “A vencedora é Angela Merkel!”. 
Santos Guerreiro defendia que a Alemanha não tinha salvo a Grécia nem a dívida nem o euro enquanto Wesel sublinhava que a chanceler alemã tinha levado as negociações com o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras até aos limites da exaustão. 

A formulação de Joschka Fischer, dez dias mais tarde, não segue a tendência que parece ter vindo para ficar, abusando das generalizações e, desse modo, colocando no mesmo saco membros individuais dos governos, os próprios governos, populações inteiras, e até países... O ex-líder dos Verdes refere a posição de Wolfgang Schauble como sendo responsável pelo extremar da questão fundamental da relação entre o Norte e o Sul da Europa, ameaçando esta sua posição levar a zona euro ao ponto de rutura: “A crença de que o euro pode ser usado para fazer a ‘reeducação’ económica da Europa do Sul provará ser uma falácia perigosa”, argumenta Joschka Fischer, apoiando-se na opinião de que franceses e italianos bem sabem que tal visão dará cabo do projeto europeu que foi construído em nome da diversidade e da solidariedade. 

Muitas reações diferentes à atitude dos líderes alemães já vinham a ocupar espaço da opinião pública fora e dentro da Alemanha desde antes das negociações do terceiro pacote de resgate à Grécia. 
Em 30 de junho, o jornalista alemão freelance Raphael Thelen publica na sua página de Facebook uma carta aberta a Angela Merkel, Sigmar Gabriel e a Wolfgang Schauble dirigindo-se-lhes deste modo: “Excelências, estão a destruir a Europa, a vitimar a Grécia em vez de mudarem a vossa política errónea. 
Resgatam bancos e exterminam as perspetivas de milhões de jovens. 
Impõem a austeridade apesar de o resto do mundo gritar que isso é uma loucura. 
Fazem uma política pela qual a Alemanha cresce à custa do Sul da Europa. 
Nós não queremos isso... ” 
O texto deste alemão formado em Ciência Política pela Universidade de Bona pontua os sucessivos parágrafos com a recusa em aceitar uma política alemã contrária aos princípios de Helmut Kohl [que previa a intervenção financeira da Alemanha em caso de urgência para que se fizesse funcionar o projeto de paz europeu], a recusa de uma política que fomente o regresso do nacionalismo e da possibilidade de uma nova guerra na Europa com a declaração “Nós não queremos isso”. 
De caminho, exorta o Governo alemão a admitir os erros da sua política acusando-o de “ter conseguido” que a Alemanha “voltasse a ser odiada 70 anos após o fim da II Guerra Mundial”: “Nós não queremos isso”. 

Raphael Thelen disse ao Expresso acreditar que o ministro das Finanças alemão “tudo fez” durante as negociações “para sabotar Alexis Tsipras com o objetivo de travar uma possível viragem à esquerda” noutros países europeus, como Espanha. 
O autor da carta aberta saudou a decisão do primeiro-ministro grego em ter aceitado o acordo, considerando que “é este o caminho” que tornará possível “um clima mais positivo” no âmbito do qual outros governos europeus poderão mais tarde vir igualmente a “fazer infletir as políticas europeias num sentido mais social”. 
A Europa é negociação e compromisso, insiste Thelen, acrescentando que Angela Merkel está a “forçar políticas neoliberais” aplicando à Europa a receita da Agenda 2010 na Alemanha [a Agenda 2010 foi concebida e levada a cabo pelo Governo de coligação Schroder/Fiseher. 
As “políticas neoliberais” foram primeiro postas em prática pela coligação Rot/Griin, ou seja, social-democrata/verdes]: “O que o FMI fazia ao Terceiro Mundo está agora a ser feito na Europa”, incluindo a “destruição dos sindicatos, a flexibilização dos mercados de trabalho e a descida de impostos para empresas”. 
“Merkel está a destruir a União Europeia porque perdeu de vista aquilo que ela é: um projeto de paz e não um sistema de regras rígidas com o fim de controlar as economias”, disse ao Expresso.
Como chamou a atenção Miguel Monjardino, professor do IEP, o que torna Merkel e Schauble tão populares entre os eleitores alemães é exatamente este apego às regras desenhadas com base na experiência e na visão alemãs.

A EUROPA DAS FINANÇAS E DO EURO
A Europa mergulhada numa crise profunda deixa à vista fragilidades da zona euro, uma zona monetária supostamente bem desenhada e sólida. 
Realça também a rapidez com que os países vizinhos podem desentender-se, não permitindo deixar no passado o modo como os europeus se têm historicamente virado uns contra os outros. 

“Havia a ideia que, de repente, se tinha resolvido o problema com o Tratado de Maastricht. Espantoso seria se tivesse ficado resolvido, porque o nacionalismo está entranhado na psique europeia”, disse ao Expresso George Friedman, autor e fundador da Stratfor. 

Assim que, a partir de 2008, começou a decair a prosperidade nalgumas regiões da Europa, surgiram de imediato “questões com fronteiras e por aí adiante”, disse o analista de geopolítica norte-americano. 
Friedman sublinha a importância de a Europa estar dividida em mais de 50 Estados-nação que têm “muito más memórias uns dos outros”. 
Desenhada para ter paz e prosperidade, a União, sem elas, não verá passar muito tempo sem que surjam problemas graves, diz ao Expresso, lembrando que o Tratado de Maastricht não preparou as instituições para um tempo em que se vivam esses problemas graves. 
O problema, explica, é que os países abordam-nos enquanto Estados-nação: “O que se passa não é a Grécia a negociar com a União Europeia, mas a Grécia a negociar com a Alemanha sem que a Alemanha tenha instrumentos para manter a Europa unida”, conclui. 

Se o sucesso da Europa é o sucesso do euro, como pretendia Angela Merkel, na semana passada o futuro da moeda única sofreu um revés considerável quando a Polónia anunciou oficialmente que não vai aderir ao euro, como fazia parte do seu plano “e sonho”. 
Quem o diz exatamente assim ao Expresso é Bronislaw Misztal. 
O representante de Varsóvia em Portugal adianta que a Polónia “será um membro responsável da comunidade”, mas não aderirá até que a zona euro consiga resolver os seus problemas. 
“A maioria da população polaca não acredita hoje que aderir ao euro seja uma decisão política sensata, ao contrário de que pensava há seis anos”, diz o embaixador, lembrando que o sonho do euro “era não só financeiro mas de comércio livre também, para todos os atores económicos”. 

O embaixador evoca “o Estado social universal, a democracia e a liberdade de movimento” como “um sonho” que funcionou “por momentos”. 
Até que, nos anos 80/90 até 2000 se “pensou que a economia teria força para transformar a mentalidade das sociedades”. 
Só que agora, explica, “sabemos que a economia sozinha não consegue fazê-lo”. 

“Para uma pessoa da minha geração é difícil ver destruir o que foi construído”, diz o diplomata reforçando o “valor da livre circulação” para quem, como ele, foi obrigado, enquanto jovem, a provar possuir pelo menos 25 dólares por dia para gastar como condição para lhe ser permitido deslocar-se na Europa. 

A possibilidade de mobilidade livre era interessante, admitia-se a imigração sem fechar a porta, as pessoas podiam trabalhar temporariamente fora do seu país, recorda o embaixador, chamando a esse movimento “uma das grandes vitórias da nova Europa”. Agora, diz, estão a fechar-se várias portas por “desigualdade social”. 
“Não queremos os pobres que viajam”, acrescenta o diplomata, lembrando que, no futuro, “isso poderá acontecer aos polacos ou aos portugueses”. 
Fecham-se as portas ao trabalho no Reino Unido e na Suíça e amanhã podem fechar-se em França... 
“É muito importante que a Europa mantenha um denominador comum”, resume Bronislaw Misztal: “Temos de encontrar modelos comuns na cultura, no modo de pensamento, na filosofia de organização social e não só num imperativo financeiro. 
Não é fácil!”, admite.

A REGRA EUROPEIA DE MERKEL
A política de Angela Merkel para a zona euro é uma consequência direta do modo como ela olha para o mundo. 
Ao contrário de outros líderes europeus, a chanceler compara a Europa com a China, que conhece bem, e com a zona da Ásia-Pacífico, considerando-a, em resultado, uma competidora em declínio, explica Miguel Monjardino. 
E recorda ao Expresso a regra “7-20-50” que a chanceler alemã difundiu para descrever a União Europeia: 7% da população mundial, 20% do produto mundial e 50% de despesas sociais. 
Se esta já era um problema, no presente tornou-se insustentável “a não ser que os países procedam a uma reforma fundamental”, de modo a se tornarem mais competitivos a nível da inovação e da tecnologia. 

Angela Merkel é otimista relativamente à capacidade de os europeus se reinventarem, abrindo as suas economias à globalização, sustenta Monjardino, que é da opinião de que a dimensão externa da visão alemã não está a ser bem explicada na Europa. 
A Alemanha, diz, “olha para a crise com a dimensão do euro”, mas acrescenta a consciência de que as “circunstâncias externas”, ao abrigo das quais o euro foi criado, mudaram substancialmente. 
Isto implica para a Alemanha que a zona euro tenha de deixar de ser “tão introspetiva como até agora” e que as sociedades europeias tenham de ser capazes de “se reformular profundamente” se quiserem continuar a ter o mesmo tipo de “modelos sociais e políticos”, acrescenta. 

O professor do Instituto de Estudos Políticos da Católica acredita que só resta à Alemanha impor a sua visão a nível externo, chamando “tragédia” à incompreensão de que a posição alemã é objeto: “Os europeus acham que a Alemanha impõe a sua hegemonia e os alemães acham que a Alemanha está a ficar refém dos países que ao recusarem reformar-se arrastam a Europa para um beco sem saída”. 
Dito de outra maneira, Berlim acha que está a fazer um favor e os outros países europeus entendem que estão a ser tomados de assalto. 
No entanto, resume o professor, é do reequilíbrio dos termos da equação “7-20-50”, àqual se soma o endividamento privado e público, que depende o futuro da União Europeia. 

A solução passa por uma maior integração política na zona euro [como a defendida recentemente pela proposta do Presidente francês, François Hollande] e por conseguir criar mecanismos que gerem alguma capacidade orçamental para os países em dificuldades, adianta Monjardino. 
Se tal não acontecer, vão multiplicar-se as crises e as emergências na zona euro, prevê o professor. 
“Estamos a meio de um processo que não sabemos como acabará, mas cujo rumo determinará o modo como Merkel será lembrada”, afirma. 

Uma maior integração política, de acordo com a proposta que está neste momento em cima da mesa, implica que quem quiser fazer parte desse grupo de vanguarda política europeia “terá de aceitar fazer reformas profundas”, esclarece Miguel Monjardino. 
No caso de Portugal, indica, significa que “temos de ser capazes de fazer o que não fizemos até agora: demonstrar antecipadamente aos interessados que temos fôlego económico e político para o país continuar a mudar e adaptar-se”. 
Depende de uma questão de liderança política, resume Miguel Monjardino, admitindo que os alemães acabarão por aceitar, aprazo, fazer “algumas transferências de recursos” para as sociedades recetoras. 
Mas a condição inalienável será a execução das reformas, garante o professor, adiantando que será um processo de mudança longo, provavelmente “não agradável para ninguém”. 

Angela Merkel estará “numa posição muito difícil”, sustenta. 
“Ou se reforma por vontade própria ou por imposição externa (para cumprir as regras de Berlim)”, diz Monjardino, reconhecendo que a Alemanha se arrisca a ficar altamente impopular. 
Exatamente o contrário daquilo que propunha a criação da zona euro. 

Há dez anos, a Fundação Friedrich Ebert (Friedrich Ebert Stifftung, FES) lançou um projeto em parceria com o Goethe Institut que perguntava: Existe uma opinião pública europeia? 
Na altura, tinha-se a ideia de que ela não existia, conta ao Expresso Reinhard Naumann. 
O diretor da FES em Portugal acredita que hoje, depois da crise, já existe uma consciência mais profunda em todos os países da União Europeia de que fazemos parte de uma entidade comum. 
Ela é marcada pelas divergências de interesses que chegam a ser contraditórios, mas o ponto positivo é que há uma consciência mais clara da existência de uma união e de uma moeda comum... 
“Talvez esse despertar da consciência possa vir a ser a base de uma nova etapa em que a opinião pública europeia já exista com maior consistência”, conclui Naumann. 

Se recomeçasse a Europa, recomeçaria pela cultura, disse Robert Schuman. 
E agora? 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Putin “mandou matar” Alexander Litvinenko em 2006

REINO UNIDO
Diogo Pombo - 31/07/2015


Quase nove anos após a morte de Alexander Litvinenko, em Londres, após beber um chá com polónio, a justiça britânica concluiu que o governo russo esteve diretamente envolvido no processo.
Nas alegações finais do inquérito público realizado no Reino Unido, o advogado de defesa da mulher e do filho de Litvinenko frisou que "não há a menor dúvida" que Vladimir Putin esteve envolvido na morte do antigo espião

Primeiro dia de novembro, em 2006. 
Era uma manhã de outono, como qualquer outra. 
Em Londres, Alexander Litvinenko combinou encontrar-se com dois homens no Hotel Millenium, bem no coração da cidade. 
Ninguém faltou ao combinado. 
Os três beberam entraram no Pine Bar, dentro do edifício, sentaram-se à mesa e pediram um chá para ser bebido à boleia da conversa. 
Horas depois, Alexander sentiu-se mal e, passados dois dias, os muitos vómitos e dores internaram-no num hospital. 
Vinte dias mais tarde, Litvinenko, de 43 anos, morria. 
A culpa, revelou a autópsia, foi do polónio-210, um químico metálico e radioativo — e também terá sido de Vladimir Putin.

O Presidente russo terá “ordenado pessoalmente” a morte de Alexander Litvinenko, um antigo espião russo que passou os últimos anos de vida em Londres, onde denunciou suspeitas de corrupção no Kremlin e criticou a atuação de Putin, que então cumpria o segundo mandato presidencial (2004-2008). 
Esta foi uma das alegações finais de Ben Emmerson, advogado da família de Litvinenko, ouvido esta sexta-feira no último dia do inquérito público, conduzido pela justiça britânica, ao caso. 
As audições começaram em janeiro.

O advogado descreveu Vladimir Putin como “um déspota cada vez mais isolado” e “um autoritário moralmente perturbado”. 
Emmerson, citado pela BBC, sublinhou que não existe “a menor dúvida” de que o presidente russo foi o responsável pelo envenenamento de Litvinenko. 
“Está diretamente implicado no crime organizado [e] a sua equipa pessoal está disposta a assassinar quem se colocar no seu caminho”, defendeu, ainda, o representante de Marina e Anatoly Litvinenko, mulher e filho do falecido espião — que trabalhou para a KGB, antiga agência de serviços secretos russos, e a FSB, entidade que lhe sucedeu após a dissolução da União Soviética, antes de colaborar com o MI6 inglês.

Marina Litvinenko, quando discurso à porta do tribunal londrino onde se ouviram as alegações finais, disse que “a verdade foi finalmente” descoberta. 
“Qualquer pessoa razoável que olhe para as provas apresentadas no inquérito conseguirá ver que o meu marido foi morto por agentes russos, no primeiro ato de terrorismo nuclear de sempre nas ruas de Londres”, acrescentou. 
O Kremlin, em comunicado, reagiu às alegações, criticando-as por “não serem o resultado de qualquer investigação”. 
Vladimir Putin ainda não se pronunciou sobre esta matéria.

Quanto aos dois homens que, a 1 de novembro de 2006, se encontraram com Alexander Litvinenko no hotel londrinos, nenhum foi ouvido no inquérito. 
O governo russo sempre recusou extraditar Andrei Lugovoi e Dmitry Kovtun, também ex-agentes dos serviços secretos do país. 
O The Guardian escreve  que, no inquérito, foram apresentadas provas que ligavam ambos a “um rasto de polónio”, substância que envenenou Litvinenko, durante três visitas que fizeram a Londres.

Advogado Alexander Litvinenko aponta dedo a Putin como inquérito terminado


Jamie Grierson  -  Sexta-feira 31 de julho de 2015 15.04 BST

Advogado para a família de espião envenenado em Londres em 2006 rotula presidente russo um "déspota tinpot 'e pede juiz para implicá-lo formalmente em assassinato
A família de Alexander Litvinenko acusa Vladimir Putin pela morte do ex-agente da KGB em Londres

A família do espião envenenado Alexander Litvinenko fez um apelo final ao juiz que preside o inquérito sobre a sua morte implicar formalmente Vladimir Putin em seu assassinato.

No último dia do inquérito público exaustivo, Ben Emmerson QC, representando a viúva de Litvinenko, Marina, e filho Anatoly, disse que a evidência ouvida prova Putin ordenou pessoalmente o assassinato do dissidente russo nas ruas de Londres.

Emmerson arremeteu contra o presidente russo, rotulando-o de "déspota tinpot" e lamentando seus "servilismo hard-homem oportunidades para fotos", e instou a pergunta para identificá-lo como estando por trás da morte de Litvinenko.

Litvinenko, um ex-espião da KGB FSB e que trabalhava para o serviço secreto britânico MI6 durante seu tempo no Reino Unido, morreu aos 43 anos no University College Hospital quase três semanas depois de beber chá misturado com polônio-210 em 1 de Novembro de 2006, no Hotel Millennium, em Grosvenor square, Londres.

Ele tinha sido na companhia de contactos russos Andrei Lugovoi e Kovtun Dmitry, os principais suspeitos do assassinato, que não tenham cumprido prisão e julgamento no Reino Unido.

O inquérito foi apresentado com evidência científica detalhada do que foi apelidado o rastro de polônio - uma longa lista de locais e itens contaminados com a substância radioactiva e ligados aos movimentos de Lugovoi e Kovtun em três visitas a Londres.

Na quinta-feira, os advogados de Scotland Yard alegaram que Lugovoi e Kovtun eram um casal de assassinos ignorantes e comuns - e o Estado russo estava por trás da morte de Litvinenko, um dissidente que fez campanha incansavelmente contra a corrupção estatal russa e o crime organizado.

A polícia, no entanto, foi mais cautelosa sobre implicando Putin diretamente, argumentando responsabilidade do Estado russo não significa, necessariamente, o presidente era responsável.

Mas, em seu discurso de encerramento, Emmerson disse que não havia provas suficientes para concluir Putin foi o responsável pelo assassinato.

"Quando a evidência é vista no círculo, como deve ser, estabelece a responsabilidade do Estado russo pelo assassinato de Alexander Litvinenko além de qualquer dúvida razoável", disse ele. "E se o Estado russo é responsável, Vladimir Putin é o responsável.

"Não em alguma versão analógica da responsabilidade indireta mas porque ele ordenou pessoalmente a liquidação de um inimigo que estava determinado a expor a ele e seus comparsas.

"Uma operação tão significativa como matar um dissidente de alto perfil em Londres, que tinha a proteção do governo britânico e que era um cidadão britânico, usando um isótopo radioativo altamente perigoso, exigiria a autorização pessoal do presidente Putin."

Emmerson ensaiou alguns dos reasonsto chave colocar Putin sob suspeita, incluindo as origens do polônio na Rússia, links de Lugovoi para o FSB e semelhanças com vários outros assassinatos políticos na Rússia.

Ele disse ao inquérito Putin foi motivado por vingança e a necessidade de evitar a divulgação ainda mais contundentes sobre o Kremlin - Litvinenko já tinha exposto ligações entre Putin e o crime organizado em dois livros.

Pouco antes de sua morte, Litvinenko estava trabalhando em um relatório para uma empresa privada Titon Internacional, que continha alegações "escalonamento" sobre ligações de Putin com o crime organizado, disse Emmerson. Litvinenko também estava envolvido com a polícia espanhola e inteligência investigação secreta sobre o crime organizado russo naquele país, incluindo as ligações entre Putin e um grupo do crime organizado conhecido como o gangue Tambov-Malyshev.

"Vladimir Putin é acusado de este assassinato não com base na inferência, passivos vicário ou vadiagem, mas em provas sólidas e diretas - a melhor evidência de que é sempre susceptível de estar disponível em relação a uma empresa criminosa secreta e corrupta do Kremlin," ele disse.

Dirigindo-se ao presidente do inquérito, Sir Robert Owen, ele continuou: "Em primeiro lugar, pode ter a certeza sobre a norma penal que Lugovoi e Kovtun assassinou Litvinenko. Em segundo lugar, que você pode ter certeza que eles foram enviados por funcionários dentro do Estado russo para fazer isso. Em terceiro lugar, que pode não conseguir ter acontecido sem a autoridade de Vladimir Putin. "

Emmerson criticou a decisão de Putin em março para Lugovoi concessão uma medalha por serviços para a Rússia. Desde a morte de Litvinenko, o suspeito teve uma ascensão meteórica na política russa. "Foi um gesto grosseiro e desajeitado de uma cada vez mais isolada tinpot déspota - um autoritário moralmente perturbado que estava naquele momento agarrado desesperadamente ao poder político em face de sanções internacionais e um coro crescente de condenação internacional", disse ele.

"Depois de anos de negociação e conciliação, o mundo perdeu a paciência agora com a política de judo de Putin e seu servilismo, duras oportunidades homem da foto. Ele é cada vez mais visto como uma ameaça internacional perigosa: corrupto, vingativo e letal - mal assessorado, falta de juízo político, uma ameaça à paz e à segurança internacionais, uma responsabilidade para com seu próprio povo e a própria Rússia ".

Marina Litvinenko diz de seu marido 'assassinos e seus patrões tenham sido desmascarados'

Fora do tribunal, Marina Litvinenko, que conhecia seu marido como Sasha, disse que havia pouca dúvida em sua mente que a ordem para o assassinato veio do Kremlin. "Qualquer pessoa razoável que olha para as provas apresentadas no inquérito vai ver que meu marido foi morto por agentes do Estado russo no primeiro ato sempre do terrorismo nuclear nas ruas de Londres", disse ela. "Isso não poderia ter acontecido sem o conhecimento e consentimento do Sr. Putin."

Marina disse que seu marido lutou para expor a corrupção no FSB e nos "mais altos escalões do poder na Rússia". "Suas ações eram vistas como traição e ele pagou o preço final por elas", disse ela. "Para nós, ele era um marido e pai amoroso, que era imensamente orgulhoso de ser britânico e feliz por estar vivendo no Reino Unido."

Durante o inquérito, que abriu em janeiro de detalhes emergiram da vida de Litvinenko e o mundo obscuro em que ele operou, desde reuniões em Waterstones com seu contato MI6 "Martin" dos relatórios minuciosos sobre as autoridades russas por ele fornecidos a empresas de segurança privada em Londres .

O inquérito também revelou os perigos e os riscos enfrentados por Litvinenko. Sua morte foi lenta. Mais de três semanas, seu cabelo caiu, seus órgãos desligaram, ele sentiu dores extraordinárias por todo o corpo. Owen, que também ouviu provas secretas, muito provavelmente no trabalho de Litvinenko com MI6, é esperado para relatar as conclusões do inquérito antes do final do ano.

Alexander Litvinenko: Perfil de espião russo assassinado

Reino Unido  -  26 de julho de 2015
Alexander Litvinenko adoeceu depois de uma reunião com os ex-KGB contatados em Londres em 2006


Um inquérito público sobre a morte de Alexander Litvinenko está ocorrendo, quase oito anos depois que ele foi envenenado. Mas quem era ele e porquê a sua morte causar tanta controvérsia?

O ex-espião Alexander Litvinenko foi morto em novembro de 2006, levando a um turvamento das relações entre Londres e Moscovo.

De 43 anos de idade tinha sido um oficial do Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor da KGB, mas ele fugiu para a Grã-Bretanha, onde ele se tornou um feroz crítico do Kremlin.
Em seus últimos anos de vida ele também se tornou um cidadão britânico.

Depois que ele foi morto por radioativo polônio-210, que se acredita ter sido administrado em uma xícara de chá, verificou-se o pai de alguém estava sendo pago pelo serviço secreto britânico MI6.

"Envenenamento grave»

Alega-se que Litvinenko estava investigando ligações espanholas para a máfia russa e tinha planeado voar para Espanha com o ex-agente Andrei Lugovoi - o principal suspeito pelo assassinato.

Em um hotel no centro de Londres em 1 de novembro de 2006, ele tomou chá com Lugovoi e Dmitri Kovtun, que também era um ex-agente russo.

Litvinenko adoeceu logo depois e passou a noite com vômitos.

Três dias depois, ele foi internado no Hospital Geral Barnet, no norte de Londres, onde a sua condição gradualmente tornou-se um motivo de preocupação.

Em 11 de novembro ele foi entrevistado pelo serviço russo da BBC e disse que ele estava em "muito mau estado" após um "envenenamento grave".

Litvinenko havia se mudado para o Reino Unido em 2000

Durante essa mesma entrevista, o Sr. Litvinenko - um crítico do regime de Putin - disse que havia sido olhado para o assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, que tinha recebido ameaças de morte antes de ser baleada em seu Moscovo no bloco de apartamentos no mês anterior.

Em 17 de novembro ele foi transferido para o University College Hospital, em Londres, depois de sua condição piorar.

Ele morreu seis dias depois, com sua esposa Marina, pai Walter, e filho Anatoli à sua cabeceira.

Sua viúva disse que ele culpou o Kremlin como ele estava morrendo no hospital, dizendo que o presidente russo, Vladimir Putin foi responsável por "tudo o que aconteceu com ele". Rússia nega qualquer envolvimento.

Alegações do enredo do assassinato 

Nascido na cidade de Voronezh, em 1962, Litvinenko se juntou a uma unidade militar do Ministério do Interior da União Soviética em 1980 e supostamente se juntou ao KGB oito anos depois.

Ele subiu para o posto de tenente-coronel quando o KGB tornou-se no FSB na década de 1990.

Putin era o chefe final no FSB mas eles supostamente caíram sobre a corrupção dentro do FSB.

Em 1998, Litvinenko foi detido sob a acusação de abusar do seu cargo depois de expor um suposto complô para assassinar Boris Berezovsky, o magnata russo que foi encontrado morto em sua casa Ascot ano passado.

Polícia a investigar o envenenamento isolaram várias instalações, incluindo este restaurante Itsu, por um período mais tarde

Ele passou nove meses num centro detenção provisória antes de ser absolvido.

Depois de deixar o serviço Litvinenko escreveu um livro, Blowing up Russia: Terror from Within, na qual ele afirma agentes do FSB tinha sido responsável pelo atentado de blocos de apartamentos em Moscovo e em outras duas cidades em 1999.

Os atentados foram atribuídos a separatistas chechenos e o livro considera que fora utilizado como pretexto para a segunda invasão russa da Chechênia.

Litvinenko fugiu para o Reino Unido em 2000, alegando perseguição, e foi concedido asilo. Ele é compreendido para ter tomado a cidadania britânica em 2006.

Após sua morte, a suspeita caiu sobre Lugovoi e Kovtun, dois russos que conheceu para tomar chá no Hotel Millennium.
O inquérito sobre a morte de Litvinenko já ouviu falar que ele também pode ter sido envenenado com polônio em outubro antes de morrer, numa reunião anterior com os suspeitos em uma empresa de segurança privada em Mayfair, centro de Londres.

O caso Litvinenko

  • 23 de novembro de 2006 - Litvinenko morre três semanas após ter tomado chá com ex-agentes Andrei Lugovoi e Dmitri Kovtun em Londres


  • 24 de novembro de 2006 - Sua morte é atribuída ao polônio-210


  • 22 de maio de 2007 - Diretor do Ministério Público da Grã-Bretanha decide Lugovoi deve ser acusado do assassinato de Litvinenko


  • 31 de maio de 2007 - Lugovoi nega qualquer envolvimento na sua morte, mas diz que Litvinenko era um espião britânico


  • 05 de julho de 2007 - A Rússia recusa-se oficialmente a extradição de Lugovoi, dizendo que a sua constituição não permite


  • Maio-Junho de 2013 - inquérito sobre a morte de Litvinenko atrasado como legista decide um inquérito público seria preferível, pois seria capaz de ouvir algumas evidências em segredo


  • Julho 2013 - Ministros descartam inquérito público


  • Jan 2014 - Marina Litvinenko no High Court lutar para forçar uma investigação pública


  • 11 de fevereiro de 2014 - High Court diz o Ministério do Interior tinha errado ao excluir um inquérito antes o resultado de um inquérito


  • Julho 2014 - O inquérito público anunciado pelo Home Office


  • Jan 2015 - O inquérito público começa

Home Office patologista forense Dr. Nathaniel Cary disse que o exame post-mortem realizado no corpo de Litvinenko tinha sido descrito corretamente como o "mais perigoso ... já realizado no mundo ocidental". Ele e seus colegas tinham que usar roupas brancas, luvas e capuzes especializados com ar bombeado para eles através de um filtro durante o processo.


Os resultados desse exame sugeriu que Litvinenko havia morrido depois de ser envenenado com a substância radioativa polônio-210.

Uma investigação policial frenética levou a uma série de instalações sendo seladas brevemente foram enquanto os cientistas forenses testaram para vestígios do material radioativo.

Locais que apresentaram resultados positivos incluíram o Hotel Millennium, o clube lap-dancing Abracadabra e do estádio de futebol Emirates, onde Lugovoi havia assistido Arsenal jogar CSKA Moscou.

Também emergiram ele conheceu Mario Scaramella acadêmico italiano em um restaurante de sushi Itsu no centro de Londres, onde ele disse ter recebido documentos sobre a morte de Anna Politkovskaya, uma crítica a longo prazo do FSB.

Rastros também foram encontrados em dois aviões no aeroporto de Heathrow, na embaixada britânica em Moscovo e em um apartamento em Hamburgo, Alemanha, ligado ao Sr. Kovtun.

Cerca de 700 pessoas tiveram de ser testadas para o envenenamento radioativo, mas nenhum deles estava gravemente doente.

A extradição negada

Depois de uma investigação de dois meses, detetives da Scotland Yard entregaram um arquivo para o então diretor do Ministério Público, Sir Ken Macdonald, que anunciou em maio de 2007 que ele estava recomendando Lugovoi ser acusado de assassinato.

Lugovoi e Kovtun ambos negaram qualquer responsabilidade pela morte.

Em uma entrevista coletiva em Moscovo, Lugovoi sublinhado repetidamente a sua inocência e reivindicando que Litvinenko era um espião britânico que poderiam ter sido mortos pelos serviços de segurança britânicos.

O gabinete do procurador-geral em Moscovo foi rápido em declarar que Lugovoi não podia e não seria extraditado porque a Constituição impediu a extradição de cidadãos russos.

Em julho de 2007, as tensões britânicos-russo transformaram em uma briga feia com quatro russos e quatro diplomatas britânicos expulsos das suas respectivas embaixadas.

O Reino Unido rompeu ligações com os serviços de segurança russos - embora tenha havido contato limitado durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi.

Andrei Lugovoi negou qualquer envolvimento e acusou os serviços de segurança britânicos

Agora, depois de uma batalha legal árdua pela Sra Litvinenko, um inquérito público está ocorrendo.


O governo britânico tinha inicialmente rejeitado a ideia de um inquérito, sugerida pelo juiz encarregado do caso, Sir Robert Owen.

Ele argumentou esta era a única maneira de se considerar material secreto que o governo havia exigido ser mantidos fora do inquérito. O material pode ser considerado em sessão fechada durante um inquérito, mas não durante um inquérito - isso inclui material apontando para um possível papel do Estado russo no assassinato.

O inquérito, criada pelo governo, inaugurado em janeiro e está sentando-se no Royal Courts of Justice, em Londres, com Sir Robert liderando a audiência. Ele está a analisar se deve ou não o Estado russo estava por trás da morte.

Mrs Litvinenko disse que após o inquérito conclui, "as pessoas vão certamente saber sobre o que aconteceu".

Se sua busca pela verdade sobre quem matou seu marido será bem sucedida permanece ser visto, como um outro capítulo desta saga continua.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O plano de Hollande para o euro: um Governo, um orçamento e um parlamento

EURO
Agência Lusa  -  19/7/2015, 13:54
O Presidente francês que a França na "vanguarda" de uma maior integração europeia. 
E defendeu um governo da zona euro com um orçamento específico e um Parlamento
O Presidente francês, François Hollande, afirmou que a França vai estar na “vanguarda” de uma maior integração europeia com as ideias que lançou sobre um governo da zona euro, que a seu ver deve ter um orçamento específico e um Parlamento.

Num artigo publicado hoje pelo “Le Journal du Dimanche”, Hollande sublinhou que para por em marcha essas reformas faz falta “uma organização reforçada, com os países que assim o decidam, uma vanguarda”.

O Presidente francês explicou que enquanto nesta semana a zona euro conseguiu “reafirmar a sua coesão com a Grécia” ao chegar a um acordo para um terceiro plano de resgate, “prevaleceu o espírito europeu” de que os mecanismos institucionais não podem continuar como estão neste momento.

Por isso, justificou as propostas que fez depois de firmado o compromisso com a Grécia, referindo, em primeiro lugar, a proposta de “governo da zona euro”, que já havia sido feita pelo ex-presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, socialista e francês como Hollande.

Acrescentou que é preciso “um orçamento específico (da moeda única), assim como um parlamento para garantir o controlo democrático”.

O chefe de Estado francês lamentou que a Europa tenha “deixado as suas instituições debilitarem-se” e que os governos dos 28 estados-membros tenham dificuldades para concertar uma maior integração.

Segundo a sua análise, esta situação dos povos mostra despego pela ideia europeia e “os populistas aproveitaram-se desse desencanto e atacam a Europa porque tem medo do mundo, porque querem voltar às divisões, aos muros e às valas”, quando o que os protege é “o direito” e o peso da “federação dos Estados-nação”.

François Hollande insistiu que a Europa só pode avançar com a ideia de superar-se e que a União Europeia “não pode reduzir-se a regras, mecanismos ou disciplinas. 
Tem de convencer os povos de que, se foi capaz de preservar a paz, esta é a melhor invenção para proteger os valores e os princípios que fundamentam a nossa cultura comum, o nosso modo de vida, que é também o nosso modelo social”.

domingo, 19 de abril de 2015

Um self-made milionário acaba de ganhar eleição crucial da Finlândia

Presidente Juha Sipila do Partido de Centro celebra com sua esposa Minna no partido eleições parlamentares recepção em Helsínquia 19 de abril de 2015, após os resultados das votações.
ELEIÇÕES NA FINLÂNDIA 2015
Abril 19, 2015, 04:49

ANNA ERCANBRACK  e 
JUSSI ROSENDAHL

HELSINQUE (Reuters) - Um milionário ex-executivo de telecomunicações apontado como um tecnocrata capaz de salvar Finlândia a partir da crise económica ganhou as eleições parlamentares de domingo, as previsões de voto mostraram, que ele pode precisar do apoio do partido populista Euro-cético para formar uma coligação.

Previsões da emissora estatal YLE com base em 60 por cento dos votos mostrou o líder as oposição do Party Centre Juha Sipila, que tem o apoio da classe média urbana e os conservadores rurais, batendo os pró-Europa e os pró-NATO do primeiro-ministro Alexander Stubb.

A previsão da YLE Sipila ganhou 46 lugares no parlamento de 200 membros, com centro-direita National Coalition de Stubb com 37 lugares e o centro-esquerda social-democratas, com 37 lugares. O euro cético e anti-imigração Finns Party foi o quarto, com 35 lugares.

"Bem, eu acho que esta diferença será suficiente", disse à emissora MTV3 Sipila quando lhe perguntaram se ele se via como um vencedor após as previsões de voto terem sido transmitidas. 
"Este resultado vai permitir diversas combinações coligações possíveis".

Uma coligação que inclui os Finns Party, anteriormente conhecidos como os Verdadeiros Finlandeses, poderia reforçar a postura da linha-dura da Finlândia sobre os resgates na zona euro, assim como a batalha para o futuro da Grécia no bloco que se aproxima de um clímax.

A previsão YLE provou precisão em eleições anteriores. 
Os resultados finais são devidos a partir de 20:00 GMT (04:00 EDT).

Embora o Finns Party tenha feito pior do que era esperado - as últimas sondagens tinha-lhes um segundo fim - Sipila ainda pode favorecer os populistas sobre os social-democratas de centro-esquerda na construção de uma nova coligação, segundo os analistas.

Sipila disse que está aberto a incluir o Finns Party numa coligação, mesmo que possa complicar os laços com a Europa, porque eles se opõem aos resgates e querem chutar a Grécia da zona euro para fora.

"Se Os finlandeses forem para o governo, eu acredito que a política da Finlândia em relação à Grécia vai mudar. 
Ela vai mudar para melhor, porque ela não pode ficar pior," líder dos Finns Party repórter Timo Soinitold.

Stubb, que favorece a adesão à NATO para a Finlândia, levou uma coligação de esquerda-direita brigona amplamente responsabilizada para não reavivar a economia e conter o crescimento da dívida pública depois de três anos de recessão.

O Partido do Centro estava no poder há muitos anos após a Segunda Guerra Mundial. 
Mas Sipila, que favorece a austeridade e o bem-estar de recorte, é principalmente uma incógnita.

Respeitado como um homem de negócios em empresas iniciantes das telecomunicações, as bases rurais do seu partido é conservadora. 
Ele próprio é um membro da "Palavra de Paz", que faz parte de um movimento de avivamento luterano que se diferencia dos líderes mais seculares orientada por políticos.

A economia finlandesa tem sido atingida por um fraco consumo privado e com a turbulência na vizinha Rússia, um importante parceiro comercial.

A economia deverá crescer apenas 0,5 por cento em 2015, de acordo com o Ministério das Finanças. 
A nova coligação é visa um corte dos gastos públicos e a realização de reformas estruturais difíceis para conter o endividamento.

Com uma tradição de ter coligações maioritárias, a próxima coligação liderada pelo Partido do Centro da Finlândia provavelmente incluirá dois dos três finalistas. 
Mas as negociações do governo poderão durar várias semanas.

Tradicionalmente, o partido segundo colocado é premiado com o cargo de ministro das Finanças na coaligação governista futura.

Todos os principais partidos se comprometeram com alguma austeridade e reformas estruturais, algumas insistem sobre o estado de bem-estar, outros sobre o aumento do investimento ou a redução da burocracia.

(Reportagem de Alistair Scrutton)

Primeiro-ministro finlandês admite derrota para maior partido da oposição

Segundo projeções da YLE, citadas pela agência noticiosa AFP, o Partido do Centro deverá eleger 46 dos 200 lugares no parlamento

ELEIÇÕES NA FINLÂNDIA 2015
Agência Lusa
21:24 19 de Abril de 2015
O líder do Partido do Centro, Juha Sipila, um milionário de 53 anos, deverá ser o novo primeiro-ministro da Finlândia.

O primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, admitiu a derrota do Governo de direita que lidera nas eleições legislativas deste domingo, que deram a vitória ao principal partido da oposição, o Partido do Centro. 
“Parece que o Partido do Centro ganhou. 
Parabéns”, afirmou Alexander Stubb à rádio e televisão pública YLE, quando estão contados 70% dos votos.

O líder do Partido do Centro, Juha Sipila, um milionário de 53 anos da área das tecnologias de informação que recentemente enveredou pela política, deverá ser o novo primeiro-ministro da Finlândia.

Segundo projeções da YLE, citadas pela agência noticiosa AFP, o Partido do Centro deverá eleger 46 dos 200 lugares no parlamento, seguido do Partido Social-democrata e da Coligação Nacional de Alexander Stubb, cada um com 37 lugares, enquanto o partido eurocético finlandês (‘Verdadeiros Finlandeses’) conseguiu 35 lugares parlamentares.

A primeira tarefa do novo primeiro-ministro finlandês será a escolha dos parceiros de coligação para formar um Governo com maioria no parlamento. 
Juha Sipila ainda não revelou com que partidos gostaria de colaborar e são esperadas várias semanas de negociações antes de conseguir apresentar um Governo.


Eleito para o parlamento em 2011, Juha Sipila tornou-se o líder do Partido do Centro em 2012 quando era um desconhecido da maioria dos finlandeses. 
No entanto, o seu partido, que está na oposição desde 2011, tem sido uma força dominante da política finlandesa, e conseguiu eleger 12 primeiros-ministros e três presidentes.