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sexta-feira, 25 de maio de 2018

"Recusar esses pedidos não é o mesmo que recusar tudo", responde o Sporting a Marta Soares

SPORTING
25 Maio 2018 às 18:03

Porta-voz de Bruno de Carvalho, Fernando Correia responde às declarações do presidente da Mesa da Assembleia Geral após a reunião dos órgãos sociais de quinta-feira.

Um dia depois da reunião dos órgãos sociais do Sporting, que ditou a marcação de uma Assembleia Geral para destituir Bruno de Carvalho da presidência, o clube leonino reagiu às declarações de Jaime Marta Soares, que acusa o líder do clube de ter recusado tudo.

"O presidente Bruno de Carvalho foi acusado pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral de ter recusado tudo. 
O que significa então esse tudo? 
Devo destacar que o presidente da Mesa da Assembleia Geral Jaime Marta Soares pediu de forma reiterada uma coisa ao dr. Bruno de Carvalho: que a Direção se demitisse, ou então que ficasse a gerir o clube por 60 dias até a realização de eleições. 
Esses pedidos foram recusados, mas pelas razões que o presidente já explicou. 
Destaco uma: há muitos anos outras direções concluíram que o melhor momento para e realização de eleições seria o mês de março e por isso o consagraram nos estatutos. Nessa altura do ano não se coloca em causa o normal funcionamento das épocas. 
O que foi proposto pela presidente da Mesa da Assembleia Geral na reunião do dia 21, mas depois retirado sem qualquer explicação foi a marcação de eleições no imediato para a mesa da Assembleia Geral. 
Recusar esses pedidos não é o mesmo que recusar tudo", disse Fernando Correia, porta-voz de Bruno de Carvalho.

"O presidente da Mesa da Assembleia Geral confrontou o dr. Bruno de Carvalho e restantes elementos do Conselho Diretivo com outras hipóteses? 
Com outras soluções? 
Sim, de facto sim. 
Com a decisão que trazia na algibeira. 
Se não se demitem, se não aceitam eleições no prazo de 60 dias, convoco uma Assembleia Geral para se demitir. 
Foi o que fez", disse ainda Fernando Correia.

"Diz Jaime Marta Soares que o presidente do Sporting mente porque nunca lhe terá sido proposto a possibilidade de entrar em funcionamento um comissão de gestão. 
Vamos ser muito claros. 
Se o Conselho Diretivo se demitisse, como seria assesgurado o normal funcionamento do Sporting até à tomada de posse dos novos órgãos sociais? 
Seria assegurado por uma comissão de gestão nomeada pelo presidente da AG conforme deriva dos estatutos", concluiu.

Porta-voz de Bruno de Carvalho desafia Marta Soares: "Não pode hesitar em dizer tudo o que sabe do presidente e considera tão vergonhoso"

SPORTING
Expresso
25.05.2018 às 17H46
Fernando Correia passou anos e anos a ser jornalista da TSF, já era colaborador da Sporting TV e, agora, falou pela primeira vez como porta-voz de Bruno de Carvalho, cargo no qual foi anunciado esta semana e urgiu o presidente da mesa da Assembleia-Geral do clube a dizer tudo o que sabe sobre o líder do clube: "Sendo ele o garante dos sócios e da verdade perante os sportinguistas, tem a obrigação de o dizer"

O Sporting anunciara, para as 17h, um briefing para a comunicação social com Fernando Correia, o recém-nomeado porta-voz de Bruno de Carvalho. 
A sessão começou com mais de 20 minutos de atraso e, entre a leitura de um papel e palavras improvisadas, o novo funcionário da estrutura leonina revelou que o clube vai tornar pública a ata que resultou da reunião, de quinta-feira, entre os órgãos sociais e o Conselho Diretivo - e, dessa forma, os sócios "virão a saber tudo, mas mesmo tudo, sobre tudo o que ali se passou".

Fernando Correia informou que a ata será enviada a todos os sócios do Sporting, além de disponibilizada nos canais oficiais do clube, justificando a decisão: "Os sócios são e serão, sempre, o património mais importante do clube e têm o direito à total transparência de informação, nos pontos relevantes da vida do clube".

O porta-voz de Bruno de Carvalho desafiou, ainda, Jaime Marta Soares, presidente da mesa da Assembleia-Geral do Sporting, a desvendar "as coisas" que diz saber sobre o presidente leonino e que "até o envergonham". 
Na quinta-feira, à saída da reunião entre os órgãos sociais do clube, Marta Soares afirmou ter "vergonha de um dia dizer as coisas" que sabe sobre o líder do leões. 
Como resposta, Fernando Correia argumentou que Marta Soares "não pode nem deve hesitar em dizer tudo o que sabe do presidente e considera tão vergonhoso", pois "os sócios têm o direito de saber tudo e Jaime Marta Soares tem a obrigação de o dizer".

Fernando Correia informou, igualmente, que Bruno de Carvalho e "o restante Conselho Diretivo" irão realizar três sessões de esclarecimento junto dos sócios em Lisboa, em Faro e no Grande Porto. 
A primeira sessão será já este domingo, no Pavilhão João Rocha, a partir das 19h, para que "os sócios possam esclarecer, sem quaisquer constrangimentos, quaisquer dúvidas que possam ter".

OUTROS EXCERTOS DAS DECLARAÇÕES DE FERNANDO CORREIA:

"O presidente Bruno de Carvalho foi acusado pelo presidente da mesa da Assembleia-Geral [MAG], Jaime marta Soares, de ter recusado tudo. 
O que significa, então, esse tudo? 
Devo aqui destacar que o presidente da MAG pediu de forma reiterada uma coisa: que a direção se demitisse ou, então, que ficasse a gerir o clube por um período de 60 dias até à realização de eleições. 
Esses pedidos foram recusados, mas pelas razões que o presidente já explicou detalhadamente."

"No entanto, destaco uma: há muitos anos que as eleições se realizam no mês de março. Nessa altura do ano não se coloca em causa o normal funcionamento das épocas de futebol. 
Essa possibilidade nunca foi colocada em cima da mesa. 
O que chegou a ser proposto pelo presidente da MAG, na reunião de dia 21, mas depois retirado sem qualquer explicação, foi a marcação de eleições no imediato, para a MAG e para o Conselho Fiscal e Disciplinar. 
Recusar esses pedidos não é o mesmo que recusar tudo."

"O presidente da MAG confrontou Bruno de Carvalho e os restantes membros com outras hipóteses? 
Com outras soluções? 
Sim, de facto sim, com a decisão que já trazia da algibeira: se não se demitem, ou aceitam eleições no prazo de 60 dias, convoco uma Assembleia-Geral extraordinária para os demitir."

"Diz também que o presidente do Sporting mentiu. 
Se fosse o momento para fazer jogos de palavras não estaria aqui. 
Se o Conselho Diretivo se demitisse, como seria assegurado o normal funcionamento do Sporting até à tomada de posse dos novos órgãos sociais? 
Seria assegurado por uma comissão de gestão, a ser nomeada pelo presidente da MAG, conforme deriva dos estatutos."

"O presidente da MAG disse que sabia muita coisa sobre Bruno de Carvalho, coisas que até o envergonham. 
Bom, sendo ele o garante dos sócios e da verdade perante os sportinguistas, e tendo conhecimento de coisas tão vergonhosas, não pode nem deve hesitar em dizer tudo o que sabe do presidente e considera tão vergonhoso. 
Os sócios têm o direito de saber tudo e Jaime Marta Soares tem a obrigação de o dizer."

"A bem do tal esclarecimento, resta-me informar do acordo ocorrido ontem, em reunião. 
A ata dessa mesma reunião vai começar a ser enviada hoje para todos os sócios do Sporting Clube de Portugal e colocada em todas as plataformas de comunicação do clube. Lendo esse documento, os sócios virão a saber tudo, mas mesmo tudo, sobre tudo o que ali se passou. 
Os sócios são e serão, sempre, o património mais importante do clube e têm o direito à total transparência de informação, nos pontos relevantes da vida do clube."

"Esta direção vai continuar a trabalhar com a comissão executiva da SAD para manter o rumo certo o crescimento do clube e reduzir, ao mínimo, as consequências nefastas do anúncio da AG de destituição. 
Para garantir o normal funcionamento do clube e da SAD, sem prejudicar as modalidades que ainda estão em competição, e a preparação da próxima época do futebol e das restantes 54 modalidades do clube."

"Marta Soares não pode hesitar em dizer o que sabe sobre o presidente", responde o Sporting

SPORTING
25 Maio 2018 às 17:39

Sporting reagiu esta sexta-feira às declarações de Jaime Marta Soares.

O Sporting reagiu esta sexta-feira às declarações de Jaime Marta Soares após a reunião dos órgãos sociais realizada ontem, quinta-feira. 
O presidente da Mesa Da Assembleia Geral, recorde-se, disse ter "vergonha de um dia dizer dizer as coisas" que sabe sobre Bruno de Carvalho. 
Fernando Correia, porta-voz do presidente leonino, reagiu esta sexta-feira.

"O presidente da Mesa da Assembleia Geral disse que sabia muita coisa sobre Bruno de Carvalho, coisas que até o envergonham. 
Tendo conhecimento de coisas tão vergonhosas, não pode, não deve hesitar em dizer tudo o que sabe sobre o presidente, tudo o que considera tão vergonhoso. 
Os sócios têm o direito de saber tudo. 
Jaime Marta Soares tem a obrigação de o dizer", afirmou Fernando Correia.

Droga, violência doméstica, depressão: todas as acusações a Bruno de Carvalho

FLASH ! Polémica      16 de maio de 2018 às 16:53

Bruno de Carvalho está em rota de colisão com os sócios e com o clube do Sporting. 
Ao longo do último ano muitas têm sido as acusações atiradas ao presidente dos Leões.

O Sporting Clube de Portugal está a ferro e fogo. 
A última gota que fez transbordar o oceano foi a derrota frente ao Marítimo, que atirou os leões para o 3.º lugar do campeonato e para fora da Liga dos Campeões, que vale cerca de 50 milhões de euros.

Na segunda-feira, dia 14, Bruno de Carvalho, de 46 anos de idade, esteve reunido com o treinador Jorge Jesus. 
Foi noticiada a suspensão do técnico de Alvalade, a menos de uma semana do final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o Clube das Aves.

Na tarde desta terça-feira as ameaças passaram aos actos e um grupo de 40 a 50 adeptos encapuzados entraram na Academia do Sporting, em Alcochete, e espalhou o caos, com Bas Dost a ser a vítima mais grave, com 2 golpes profundos na cabeça e a ficar fora da final de domingo, dia 20, no Jamor. 


ACUSAÇÕES DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Desde a 1.ª hora, Bruno de Carvalho tem estado no olho do furacão. 
Já no iníco do ano, em fevereiro, o presidente leonino abandonou a Assembleia-Geral do clube e ameaçou demitir-se depois de forte contestação por parte de um grupo de sócios, face à intenção de alterações aos estatutos do clube e regulamento disciplinar. 

Bruno de Carvalho tem sido um dirigente combativo, utilizando as redes sociais para lançar provocações e denunciar casos que considera serem prejudiacias para o clube.

Muito desta guerra de palavras tem-se transformado em acusações, algumas delas bastante graves. 
Em setembro do ano passado, o dirigente leonino veio denunciar aquilo que considerou estar "a atingir os limites dos limites", ao ser acusado de violência doméstica.


"No último mês, a polícia já foi 3 vezes a minha casa a altas horas da noite, por telefonemas anónimos, de barulho a violência doméstica. 
Antes de ser presidente do Sporting, sou filho, pai e marido e estou a ser permanentemente incomodado com estas situações ridículas. 
Alguém terá de pagar", denunciou, na altura, o presidente do clube de Alvalade.

Também a ex-mulher, Cláudia dias Gomes, tinha vindo a público, através das redes sociais, dar a entender que Bruno de Carvalho era um pai ausente, 6 meses depois do fim do casamento, quando Bruno já estava noivo com Joana Ornelas – casaram a 1 de julho –, com quem já foi pai de uma menina, Leonor, nascida no início de abril.

A DROGA

Entre as muitas acusações de que é vítima nas redes sociais, a droga é um tema recorrente. 
O próprio diretor de comunicação do Sporting, Nuno Saraiva, salientou o assunto num comunicado emitido em abril, onde se incluia o "uso de drogas" e a "denúnicias anónimas sobre crimes de pedofilia".
Octávio Machado sobre Bruno de Carvalho: “Não defendo este falhado”

"Chamo ainda atenção de que chegou ao nosso conhecimento que há jornais sensacionalistas que estão a preparar trabalhos de facção e, para isso, andam a contactar psiquiatras e psicólogos no sentido de se fazerem insinuações sobre o estado emocional do Presidente do Sporting Clube de Portugal, dar eco às calúnias sobre uso de drogas e denúncias anónimas sobre crimes de pedofilia. 
Hoje, como tem sido sempre, vai valer tudo!", leu-se na publicação de Saraiva.

O próprio Bruno de Carvalho referiu-se a essas acusações durante um longo discurso aos sócios, em fevereiro. 
"O homem faz um post gigantesco a chamar-me drogado", disse o presidente leonino referindo-se a Ricardo Agostinho.

Também o estado de saúde de Bruno de Carvalho tem sido tema de conversas, acusações e pedidos de demissão.

A DEPRESSÃO

"Bruno de Carvalho só pode estar doente, com um desequilíbrio profundo, e deve colocar o lugar à disposição de imediato. 
Ele precisa urgentemente de ser tratado, precisa de abandonar, já chega. 
Fez muito pelo Sporting, mas está a afundar um clube com história e títulos. 
Por este andar, estamos em vias de extinção com pessoas como este senhor", acusou Dionísio Castro, antigo atleta leonino, em abril.

Bruno de Carvalho revoltado por causa de um cachecol

Também o antigo vice-presidente do clube, Abílio Fernandes, fez as mesmas alegações, em declarações à 'Bola': "Sou uma pessoa que não mudo de cara. 
Confiei no Bruno de Carvalho, acho que foi um homem essencial no período de má memória que o Sporting atravessou, mas não aprovo, nem entendo, estas últimas atitudes. Acho que, nesta altura, Bruno de Carvalho deve fazer uma reflexão muito grande, analisar os prós e os contras e colocar o lugar à disposição.

Acho que Bruno de Carvalho tem problemas de saúde graves, acho que está com uma depressão. 
Do meu ponto de vista, se fosse eu o presidente do clube, provavelmente abandonaria durante três ou quatro meses, até ao conselho do médio. 
Um afastamento provisório era o melhor caminho."

Jaime Marta Soares ameaça contar segredos escabrosos de Bruno de Carvalho

FLASH ! POLÉMICA    25 de maio de 2018 às 16:40

Adivinha-se uma "lavar de roupa suja" em praça pública com o ainda presidente da mesa da Assembleia Geral dos leões a insinuar que conhece os vícios privados do presidente sportinguista.

A "guerra" no Sporting parece não ter fim à vista. Bruno de Carvalho continua a não querer demitir-se e Jaime Marta Soares, o presidente demissionário da Assembleia Geral, acusa o presidente leonino de continuar a prejudicar o clube e de não parar de mentir.

Ontem, quinta-feira, 24 de maio, Marta Soares, em entrevista à TribunaExpresso, deixou cair uma frase que pode acicatar ainda mais toda esta polémica: "Tenho vergonha de um dia dizer as coisas que, efetivamente, sei sobre ele".

A questão que agora se levanta é o que saberá o presidente da Assembleia Geral de Bruno de Carvalho que tanto o envergonha? 
Terá sido isto uma ameaça velada?

Só os próximos desenvolvimentos dirão se Marta Soares avança, ou não, para uma "lavagem de roupa suja" em praça pública, com os segredos privados do presidente do Sporting a serem revelados

Sá Pinto recusa negociar com o Sporting enquanto SAD não chegar a entendimento com Jesus

SPORTING    15h29
                                                Treinador está livre após ter terminado a temporada no Standard Liège

Ricardo Sá Pinto está livre após ter terminado a temporada no Standard Liège e é um dos nomes equacionados pela SAD para ocupar o cargo de treinador na próxima temporada. Contudo, o antigo jogador não está disposto a negociar enquanto o Sporting não resolver a situação de Jorge Jesus que, recorde-se, ainda tem mais um ano de contrato com o emblema leonino.

Toda a instabilidade que tem rodeado o clube leonino tem atrasado alguns processo que Bruno de Carvalho tem entre mãos. 
JJ foi despedido na passada segunda-feira, na véspera da invasão à academia e, na altura, terá sido avisado que seria alvo de um processo disciplinar. 
Contudo, dada a sequência de acontecimentos, este procedimento não se verificou, e o técnico manteve-se em funções tendo mesmo orientado a equipa na final da Taça de Portugal.

Dado o respeito que Jorge Jesus lhe merece, Ricardo Sá Pinto nem sequer quer ouvir falar em negociações enquanto a situação da atual equipa técnica não ficar definida.

As quatro horas loucas do Sporting, da ata por assinar aos gravadores, da bomba atómica ao porta-voz de Saddam /premium

SPORTING
Bruno Roseiro
25 Maio 2018
Houve atas, gravadores e alguns insultos na reunião. 
Houve ataques, críticas e analogias na conferência seguinte. 
Sporting vai ter AG Extraordinária a 23 de junho, mas esta pode nunca acontecer.

Um clube dividido. 
Intervenções contra, insultos e apupos a favor. 
Uma Direção já com algumas baixas mas a negar por completo o cenário de saída. 
Órgãos sociais a caírem (ou pelo menos a deixar essa ameaça) pedindo eleições antecipadas. 
Uma Assembleia Geral Extraordinária para destituição do Conselho Diretivo. 
Bruno de Carvalho, que perdera por 400 votos as eleições de 2011, chegou no seguimento do contexto supracitado à presidência do Sporting, após a demissão de Godinho Lopes e o triunfo com José Couceiro nas urnas. 
Cinco anos depois, a realidade mudou. 
Muito. 
Mas há um clube dividido. 
Intervenções contra, insultos e apupos a favor. 
Uma Direção já com algumas baixas mas a negar por completo o cenário de saída. 
Órgãos sociais a caírem (ou pelo menos a deixar essa ameaça) pedindo eleições antecipadas. 
E uma Assembleia Geral Extraordinária para destituição do Conselho Diretivo.

No final de uma reunião que durou cerca de três horas (mais curta do que a da passada segunda-feira), Jaime Marta Soares tentou falar aos jornalistas sobre aquilo que Bruno de Carvalho catalogaria de “bomba atómica”, mas um pequeno grupo de dez a 20 adeptos do Sporting acabou por não permitir entre insultos e apupos ao presidente da Mesa da Assembleia Geral. 
Percebeu-se, no meio da confusão, que iria haver uma Assembleia Geral Extraordinária para destituição da Direção a 23 de junho; que o presidente leonino recusou todos os cenários apresentados e teria “falado duas horas e meia, mais meia hora dos outros”. Pouco mais. 
Marta Soares ainda ia pedindo de quando em vez “serenidade e respeito”, mas entre mais insultos lá teve de aproveitar o posicionamento mais “apertado” de um segurança que entretanto surgiu para seguir para as garagens e deixar Alvalade sem dar outras explicações sobre os próximos capítulos da vida verde e branca.

Minutos depois, Bruno de Carvalho dava entrada no auditório Artur Agostinho com alguns dos membros da Direção. 
Apontou o dedo à Mesa da Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal e Disciplinar, falou em encenação até ao dia em que foi lançada a “bomba atómica” por Marta Soares, acusou os dirigentes demissionários de estarem a colocar em causa pilares essenciais do futuro do Sporting, criticou de forma aberta Frederico Varandas e deixou duas certezas claras: a dita reunião magna será alvo de impugnação ou providência cautelar pelas “várias irregularidades” que tem e o seu caminho no clube está longe de chegar ao fim porque vai lutar pelo seu posto até ao limite.

O guia para uma AG Extraordinária que pode não acontecer

Jaime Marta Soares, que já tinha referido à entrada do encontro ao final da tarde que seria “uma reunião de decisões” (acrescentando que “nada ficará como dantes no Sporting”), avançou mesmo com a marcação de uma Assembleia Geral Extraordinária a 23 de junho. O que significa isso, o que pode acontecer?

– Nos próximos dias, a Mesa (que se encontra demissionária) tentará encontrar um local maior do que o Pavilhão João Rocha, na medida em que se pode esperar uma adesão acima dos 4.000 lugares que o novo recinto para as modalidades do clube comporta. 
E, segundo soube o Observador, o Altice Arena ainda poderá receber o dito encontro, após pré-reserva, caso a reunião magna avance mesmo na referida data;

– O ponto único será votar a destituição ou não de Bruno de Carvalho e dos restantes elementos que fazem parte do Conselho Diretivo, numa decisão que poderá ser tomada ou refutada por maioria simples;

– Jaime Marta Soares já tinha um total de 4.000 assinaturas para convocar a Assembleia Geral Extraordinária mas, ainda assim, e ao contrário do que se pensava inicialmente, acabou por avançar com a mesma a pedido da Mesa e explicando que o que tinha em mãos era uma vontade demasiado evidente dos associados leoninos;


– Há uma questão de fundo por resolver. 
Bruno de Carvalho falou em várias irregularidades, deixando no ar a hipótese de poder impugnar ou colocar uma providência cautelar em relação à Assembleia Geral Extraordinária, mas existe um outro “problema” que dificilmente terá solução: como foi a Mesa a pedir a reunião magna e esse órgão não tem orçamentos, a Direção poderá recusar-se a pagar não só o aluguer do espaço mas também toda a logísitica que será necessária e os funcionários do clube que estarão de serviço. 
Ou seja, e numa só imagem, Bruno de Carvalho e restantes pares teriam de utilizar dinheiro do clube para algo que poderá levar à demissão do Conselho Diretivo.

Uma reunião com insultos e tudo gravado para entrar na ata

Jaime Marta Soares acabou por falar ao Expresso quando já estava fora de Alvalade. “Falámos apenas meia hora e ele [Bruno de Carvalho] duas horas e meia. 
Não deixou ninguém falar, só enxovalhou e insultou. 
Cheguei a dizer-lhe que só me insultava quem eu deixava, não quem queria. 
Depois, também quis que assinássemos a ata da reunião anterior, só que era a ata Bruno de Carvalho, onde estavam as coisas que ele tinha dito e também as que não tinha dito. Avisei-o, também, que este não era o melhor caminho para ele, porque tenho vergonha de um dia dizer as coisas que, efetivamente, sei sobre ele”, comentou o presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Quando Bruno de Carvalho, que esteve 45 minutos em conferência de imprensa no auditório Artur Agostinho, acabou de falar, já circulava na sempre ativa blogosfera leonina uma mensagem que teria alegadamente sido trocada num grupo por um outro membro da Assembleia Geral e que dava ideia de um encontro tenso, como acabara de ser narrado por Marta Soares. 
De acordo com informações recolhidas, foi mesmo. 
E desde início.

Ao contrário do que aconteceu na passada segunda-feira, onde a reunião até decorreu num tom normal de troca de argumentos dos dois lados, desta vez foi tudo diferente e Bruno de Carvalho quis começar a definir as regras do jogo desde início, com a leitura de uma ata do encontro anterior que os membros demissionários da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal e Disciplinar recusaram assinar por, na sua ótica, não corresponder ao que se passara. 
De seguida, e com tudo a ser gravado para ficar registado em ata (que poderá ser utilizada depois para invocar as referidas irregularidades), o presidente leonino recolocou em cima da mesa tudo o que uma Assembleia Geral Extraordinária poderá perturbar, nomeadamente a nova reestruturação financeira que estaria a ser gizada nas últimas semanas, os dois empréstimos obrigacionistas ou as compras e vendas no futebol.

Mais uma vez, Marta Soares voltou a solicitar para que o Conselho Diretivo (que voltou a não contar neste encontro com os vogais José Quintela e Luís Gestas) pedisse a demissão, prometeu um período de três meses onde o elenco se manteria em funções e podendo fazer tudo o que assegurasse a gestão corrente e apontou três datas possíveis para fazer eleições (19, 26 ou 29 de agosto), todas já com o Campeonato em andamento. Bruno de Carvalho voltou a recusar, falou num período de dez a 30 dias para fechar algumas matérias urgentes, ameaçou processar todos aqueles que estão a ajudar nesta “campanha” por entender que pode lesar de forma grave o Sporting e desde logo apontou as ditas irregularidades que, a confirmarem-se, poderão fazer com que não chegue a haver reunião magna. 
Tudo num ambiente tenso, às vezes até provocatório, em mais um capítulo deste autêntico braço de ferro.


No meio das divergências, um ponto em comum que, sendo mais ou menos abordado ou meramente velado, todos na sala têm consciência: caso exista mesmo a Assembleia Geral Extraordinária, a mesma terá de ser preparada ao detalhe até por forma a evitar ânimos mais exaltados que possam prejudicar a imagem do clube.

A bomba atómica, o porta-voz de Saddam e o “Walking Dead”

Depois do encontro, e ao contrário do que aconteceu com Jaime Marta Soares, Bruno de Carvalho e os restantes membros da Direção presentes na reunião (mais Fernando de Carvalho, o único membro do Conselho Fiscal e Disciplinar que não apresentou a demissão) foram ao auditório Artur Agostinho. 
Desta vez, e ao contrário do que se passou na última quinta-feira, apenas o presidente leonino falou. 
E com cinco mensagens muito claras:

1) Responsabilização da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal por uma decisão que pode trazer graves consequências para o futuro imediato do clube sem a devida reflexão. 
“Demos todos os argumentos à Mesa da Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal e Disciplinar para que não fizessem isto que fizeram hoje mas não foram minimamente sensíveis aos superiores interesses do Sporting e da SAD, àquilo que são os interesses dos acionista e dos obrigacionistas, que deram um voto de confiança muito grande com a dilatação do prazo do empréstimo obrigacionista que vencia agora no dia 25. 
Nada os podia demover, não havia nenhum interesse do Sporting que os pudesse demover. Esta direção tentou tudo e pedimos duas vezes para que nos dessem as razões para nos demitirmos. 
Foi-nos dito que não queriam entrar em discussões e nós garantimos que não iríamos discutir nada. 
Deram palavras vagas, irresponsáveis, de ‘vocês sabem o que é’, ‘toda a gente sabe’, e não é assim que se lidam com assuntos da máxima gravidade que têm a ver com a queda ou não de uma Direção.”

2) Perigo de cumprimento de alguns objetivos que estariam estabelecidos a breve prazo no projeto do clube e da SAD e irregularidades na convocatória de uma Assembleia Geral Extraordinária. 
“Deitaram abaixo todo o trabalho que nós fizemos com os bancos, com a CMVM. 
Esta necessidade de atrasar o empréstimo e fazer outro tinha a ver com questões de tesouraria e foi explicado ao pormenor. 
Relembro que isto põe em causa a preparação da época, a contratação e venda de jogadores, põe em causa o colocar por escrito a nova reestruturação financeira. 
Por isto, por nada… 
É legítimo que não queiram estar mais com este projeto, não é legítimo esta pressão e coação para que nós nos demitamos. 
Se essas pessoas já não acreditam, fazem eleições para os dois órgãos, não colocando em causa aquilo que é o Sporting e a SAD (…) 
Há várias irregularidades, penso que será assim o termo jurídico. 
Como desmantelar a bomba? 
Não será hoje que vamos fazer isso mas há uma série de estatutos e leis que não são como diz Marta Soares. 
É um atropelo total a tudo.”


3) O impacto da operação CashBall e o que se passou nas últimas duas semanas, resultado de uma campanha que teve agora outro ponto alto como o lançamento da “bomba atómica”. 
“Quando chegámos ao Sporting tínhamos um balneário inteiro que queria rescindir, os jogadores tinham salários em atraso. 
Nós tínhamos o nome do Sporting de rastos aos olhos de toda a gente e conseguimos resolver as coisas, mas agora tentam colocar esta situação? 
Não merecemos. 
No processo das agressões aos jogadores, nunca apareceu o meu nome. 
Não há indício de nada nem ninguém e eu e a minha família ouvimos todos os dias que vamos ser presos. 
Um ato criminoso não pode dar nisto, temos de deixar a polícia tratar das suas investigações. 
Uma pessoa que vai dar uma entrevista por dinheiro? 
É verdade que há muita poeira no ar, mas é preciso calma… 
Os sportinguistas que percebam que isto é um ataque ao poder o que tem acontecido nos últimos dias. 
Isto é um atropelo a tudo e nós rapidamente iremos informar os sportinguistas de todos os atropelos. 
Não venham dizer que somos o porta-voz do Saddam Hussein, que estamos escondidos num bunker, a ouvir-se bombas lá fora e a fingir que não se passa nada. 
Aquilo que sabemos é que se estes senhores não tivessem dito estas coisas daqui a duas semanas estávamos muito bem. 
E não há novidades nos últimos dias, é só mentiras atrás de mentiras nos jornais (…) 
“Se estes senhores não têm feito o que fazem hoje, daqui a duas semanas só teria coisas boas nas capas de jornais. 
Eles já estão a cair no ridículo e sabem que o tempo urge. 
Corre-se o risco de se ver o ‘Walking Dead’…”.

4) Recusa (mais uma vez) do cenário de rescisões unilaterais de contrato de jogadores no seguimento das agressões na Academia. 
“Foi-lhes pedido para abandonar o seu papel de órgãos sociais e pegarem no papel de sportinguista — e acabarem com isto. 
Não podemos alegar que tudo aquilo que está a ser um massacre na comunicação social é uma justa causa seja para o que for. 
Hoje tivemos alguém que diz [Frederico Varandas] que ‘está nas minhas mãos a solução para não haver rescisões’. 
O que significa que não há justa causa! 
Se ainda ninguém percebeu espero que hoje finalmente tenha percebido. 
Não se pode alegar justa causa porque é o presidente A, B, C ou D. 
Isso não existe. 
Nós tentámos de tudo. 
É inacreditável o que aconteceu. 
É penoso. 
Nós continuamos aqui pelo Sporting. 
Nós temos famílias, nós temos a nossa honra, e continuamos aqui em defesa do Sporting. Fizemos todas as propostas, todas as explicações e, pura e simplesmente, as pessoas não quiseram ouvir e lançaram uma bomba atómica que pode pôr em causa muita coisa no Sporting.”

5) Crítica aberta a Frederico Varandas, responsável pela coordenação e direção do departamento médico dos leões que se demitiu do cargo para poder assumir uma nova solução governativa para o clube. 
“Garantimos aos sportinguistas que não deixaremos o Sporting ser tomado de assalto! 
Nem por um militar, nem por um não militar. 
Se há coisa que nós não fazemos é desertar do Sporting! 
Eu nasci em 1972, fui posto na reserva territorial, mas tenho mais honra militar do que alguém que apareceu hoje a dizer que é militar. 
Porquê? 
Porque nunca se abandona um companheiro em cenário de guerra. 
Muito menos se passa para o lado do inimigo!”.