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segunda-feira, 30 de julho de 2018

DN+ Empréstimo feito para obras em prédio para arrendar

EDIÇÃO DO DIA
Manuel Carlos Freire e Miguel Marujo
29 Julho 2018 — 06:14
"Aqui podia morar gente": prédio de Robles e irmã foi vandalizado
Documento mostra que empréstimo tinha como finalidade "habitação para arrendamento". 
Mercado valorizou muito na zona desde 2014.

O contrato assinado por Ricardo Robles e a irmã com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), a 29 de abril de 2016, para o empréstimo, esclarece como sua "finalidade" o facto de se destinar "a obras" do imóvel hipotecado "para habitação para arrendamento da parte devedora".

A parte devedora são Ricardo Robles e Lígia Robles e a parte fiadora são os pais, segundo o documento e a informação que o vereador do Bloco de Esquerda disponibilizou ao DN, depois de questionado sobre esse empréstimo.

O capital emprestado é no montante de 500 mil euros e o empréstimo é feito por 25 anos.
Contrato de empréstimo de Ricardo e Lígia Robles.
O preço de venda do prédio adquirido em 2014 por Robles estava "dentro do valor de mercado", afirmou ontem um dos seus responsáveis ao DN/Dinheiro Vivo. 
"As coisas mudaram muito desde 2014", explicou Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal.

No final de 2014, o preço médio do metro quadrado em Alfama - freguesia de Santa Maria Maior -, onde se situa o prédio comprado pelos irmãos Robles, era de 2735 euros. 
"Os valores eram muito mais baixos do que hoje [e] nunca pensámos, no setor, que o mercado mudasse tanto", sublinhou Luís Lima.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e do Confidencial Imobiliário, o valor do metro quadrado na mesma zona no final de 2017 tinha subido para os 3556 euros - mais 30%.

Daí que a polémica decorra apenas de o proprietário do prédio em causa "ser quem é", observou Luís Lima, pois Ricardo Robles "não podia ter-se metido nesta situação depois das críticas que fez" aos agentes do mercado.

Rentabilizar imóveis

Outra questão suscitada por esta polémica reside nos valores pelos quais a Segurança Social (SS) aliena os prédios, com o objetivo de rentabilizar o seu património. 
Está por perceber se a recuperação de imóveis e a sua colocação no mercado pela própria SS - mesmo a preços acessíveis - não lhe permitiria obter rendimentos superiores a médio e longo prazo.

O edifício dos irmãos Robles foi a hasta pública em 2014, avaliado em 286,7 mil euros. 
A abertura das propostas ocorreu a 24 de abril e a do vereador era a mais elevada (347 mil euros).

Helena Roseta, deputada e presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, que tem sido uma forte defensora do papel do Estado em matéria de habitação, escusou-se a falar ao DN sobre a matéria.

O Ministério do Trabalho indicou que "são empresas que fazem as avaliações dos imóveis". Sobre o caso do edifício de Ricardo Robles, esta fonte disse que agora "são pessoas diferentes as que estão na SS", pelo que "terão de falar com [o ex-ministro] Pedro Mota Soares", que também se escusou a falar ao DN.

Com Elisabete Tavares

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